sed fugit interea fugit irreparabile tempus

depois que fui a Sochi, em outubro de 2017, a Rússia não saiu mais da minha cabeça.

tenho feito aulas de russo, na Yu Idiomas, desde setembro do ano passado. é uma língua totalmente diferente de todas as outras que já estudei, apesar de ter algumas familiaridades, como um verbo “to be” (que, no entanto, não existe no presente) e o esquema sujeito-verbo-complemento. mas para por aí: a origem da maioria das palavras é própria e eu dou graças a Deus quando encontro alguma palavra de etimologia grega ou importada do inglês ou do francês. é isso, e não as declinações ou as estruturas diferentes – como dizer “em torno de mim tem carro” quando se quer dizer “eu tenho um carro”- que é o pior.

com isso, e ainda sem entender quase nada da língua (os níveis A1 e A2 concentram 70% da gramática, segundo o meu livro didático), virei um russófilo viciado: assisto à TV russa no Youtube, assino vários canais de vídeos sobre a cultura do país, planejo viagens por lá, aproveitando uma vantagem no trabalho que poderei desfrutar no futuro. talvez leve mais de cinco anos para aprender russo em um nível razoável, como foi com o francês, mas vai valer a pena: é um universo apaixonante. e ainda tem as meninas de lá, que merecem um outro post.

that was the week that was

essa foi uma semana movimentada e que, em seus momentos menos cinéticos, foi de bastante reflexão.

houve uma perda, não diretamente próxima, mas que, pela segunda vez no ano, me fez pensar em como as coisas acabam.

houve um começo retardado por anos, todo por culpa minha, e que me deixou feliz. qualquer hora falo sobre ele.

e também houve uma constatação: cinco anos atrás, eu não falava nada de francês, e pouco entendia. nas últimas duas semanas, percebi que meu francês, se não faz de mim um novo Balzac, já me permite ler bem e falar alguma coisa, ainda que o emprego do condicional e o uso de certas estruturas me confundam deveras. entre 2014 e 2016, engatinhei no idioma; de 2016 em diante, as aulas começaram a fazer efeito e, em 2017, morar um tempo em Lyon ajudou a dar um salto. agora, estudando o idioma sem pressão, vejo que deu certo.

cama e comida 2

emiti uma passagem em classe executiva da TAP para poder aproveitar os pontos do Victoria (não havia bilhetes na econômica) e fui de Lisboa para Munique, de onde fui levado para a Áustria, com um carregamento de palmito e farinha de mandioca para minha irmã e meu cunhado. essas delícias tropicais são das coisas que eles mais sentem falta por lá e dispensam maiores cuidados no transporte, como refrigeração ou embalagens ultra reforçadas: é só não fazer um pacote muito tosco que aguentam fácil. também levei pacotes de farofa pronta, uma vez que farofa é o oro.

já tinha estado lá no ano passado, então foi uma visita com menos novidades, mas é igualmente bom estar perto da família e em um lugar tão fera. conheci o castelo de Ambras, perto de Innsbruck, mais uma maravilha trazida ao mundo por uma família real – no caso, a mais legal de todas. achei mais uma garrafa de champanhe por 15 euros, preço de França, e, no mesmo supermercado, a duas prateleiras de distância, havia garrafas de cachaça Pitu por… 16 euros. ficamos com o produto francês, bien sûr.

em um jantar na casa da minha irmã, descobri que um casal de amigos dela, que morou um tempo na Geórgia, também é louco pela Borjomi, a melhor água com gás que já bebi na vida. ela tem um sabor que é difícil descrever, e adoraria encontrá-la por aqui; provei-a em Sochi e nunca a esqueci. um dia, quem sabe, importarei a Borjomi para o Brasil.

o frio tirolês me fez gastar 100 euros em um casaco da North Face, marca que, confesso, nunca foi das minhas preferidas. o lance é que esse casaco corta-vento era bem bonito, não me engorda e, principalmente, faz com que eu ignore a friaca que faz por volta dos cinco graus positivos, e até um pouco pior que isso. dizem que é um casaco que, com os devidos (e poucos) cuidados, dura a vida toda. a ver. com isso, conheci melhor Innsbruck e, no final do meu período na Áustria, cruzamos as Dolomitas de carro, rumo a Verona.