repique

de dieta mais uma vez, saí pelas duas primeiras vezes (em vinte dias) ontem à noite, para um jantar italiano (brega, mas gostoso) e hoje, para um almoço de aniversário cheio de cerveja. ainda não tenho muito a declarar, o que explica as traças aqui.

mas é preciso escrever, então vou forçar a barra progressivamente.

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na próxima quarta-feira, vou a uma aula experimental de russo. ainda penso recorrentemente no país, passados onze meses da minha ida a Sochi: imagina quando conhecer o resto? vou forçar a barra para uma segunda viagem. enquanto isso, aproveitarei uma passagem barata para, entre o fim de outubro e o meio de novembro, voltar a alguns países que já conheço e acrescentar mais um, o Marrocos, ainda que de forma fugaz.

viajar é preciso, e é bom que assim o seja.

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sábado à noite e eu já fiz a social, já caminhei no parque, já bebi cerveja, já transportei uma turbina automotiva. estou em casa, ouvindo Nina Simone e pensando no que fazer da vida.

nada de concreto, mas, pela primeira vez em oito anos, leve otimismo com algumas ideias que equilibram emoção e racionalidade. será possível, afinal? diabo de paradoxo. mas, mais uma vez, pode ser.

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sobre o fragmento acima: sempre achei que tivesse alma de velho. ainda acho. mas é hora de pensar jovem.

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mosteiro

comecei a seguir o doutor Ítalo Marsili no Instagram. não sei como cheguei até ele, mas gosto das coisas que ele diz. ontem, escreveu que “conviver confortavelmente com a dúvida e com a ignorância é pré-requisito para uma vocação à vida de estudos”. é algo tão simples que preciso me lembrar todos os dias.

как?

é estranho quando uma música em russo, língua que você não fala, exceto por sete palavras, faz mais sentido do que qualquer coisa do que você escute ao seu redor nos últimos dias. mas prefiro ver isso como uma pista sobre aquilo que o futuro me reserva.

mudança

Uma das coisas que define a sensibilidade conservadora é a melancolia perante o fim das coisas e a mudança. Quando vamos a um sítio muitos anos depois, ele não está igual. Houve ali coisas que, mesmo que tenham mudado para melhor, sentimos como uma ofensa pessoal. Um prédio que já não existe, por exemplo.

mais uma vez, o Pedro Mexia consegue sintetizar, em poucas palavras, algo que sinto e que eu levaria seis volumes da Barsa para dizer.

onipresença (ou: setembro ao inverso)

o horário de verão se foi em meados de fevereiro, mas é agora que o bicho começa a pegar. os dias mais curtos e a (pequena) baixa na temperatura, com alguma chuva ainda rolando no meio do mês de abril do ano da graça de 2018, deixam tudo um pouco melancólico. mas não reclamo: gosto disso. como cereja do bolo, ainda tem aquela missão espinhosa a que me dedico.

nos últimos dias, face à necessidade de trilha sonora para ouvir enquanto mexo em uns textos, enquanto trabalho de casa, fui para o Youtube procurar algumas playlists longas de música amena. tenho o Spotify, mas ainda não mexi nas listas que outros usuários fazem por lá. acabou que caí em umas listas de bossa nova, aquelas cheias de medalhões, cujas letras se aprende, involuntariamente, desde criança.

todas, ou quase todas, tinham as “Águas de março” no meio, na versão mais conhecida (e definitiva). ouvindo essa música repetidas vezes em um intervalo de tempo relativamente curto, dei-me conta de como gosto dela e do disco em que ela está (“Elis & Tom”, de 1974). comprei o disco há mais de dez anos, quando foi reeditado numa versão à altura de seu conteúdo, e agora voltou a ser executado por aqui. não é mais março, o verão já acabou, mas as chuvas e o disco permanecem.

esse cenário melancólico é meio que uma versão invertida do mês de setembro, aquele em que Brasília é de uma aridez desgraçada e que, por isso, a melhor trilha sonora é mais pesada. independente da temperatura, abril marca o começo da fase mais pesada do ano, e a mais ingrata. sei que é uma fase, sei que uma hora acaba. esse post é apenas para marcar uma respirada funda antes de descer ao inferno em mais uma Cruzada, contra os mesmos demônios, que se repete ano após ano.

espero eu ter resultados diferentes dessa vez, e não repito a mesma fórmula. mas tenho pânico daquela frase que diz que “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes” – e que não é do Einstein. insanidade, mesmo, é se forçar a reinventar-se de tempos em tempos por conta dessa frase.

mas essa neurose não combina com bossa nova, nem com o clima quase ameno que faz agora. então, deixa eu voltar para a minha missão.