onipresença (ou: setembro ao inverso)

o horário de verão se foi em meados de fevereiro, mas é agora que o bicho começa a pegar. os dias mais curtos e a (pequena) baixa na temperatura, com alguma chuva ainda rolando no meio do mês de abril do ano da graça de 2018, deixam tudo um pouco melancólico. mas não reclamo: gosto disso. como cereja do bolo, ainda tem aquela missão espinhosa a que me dedico.

nos últimos dias, face à necessidade de trilha sonora para ouvir enquanto mexo em uns textos, enquanto trabalho de casa, fui para o Youtube procurar algumas playlists longas de música amena. tenho o Spotify, mas ainda não mexi nas listas que outros usuários fazem por lá. acabou que caí em umas listas de bossa nova, aquelas cheias de medalhões, cujas letras se aprende, involuntariamente, desde criança.

todas, ou quase todas, tinham as “Águas de março” no meio, na versão mais conhecida (e definitiva). ouvindo essa música repetidas vezes em um intervalo de tempo relativamente curto, dei-me conta de como gosto dela e do disco em que ela está (“Elis & Tom”, de 1974). comprei o disco há mais de dez anos, quando foi reeditado numa versão à altura de seu conteúdo, e agora voltou a ser executado por aqui. não é mais março, o verão já acabou, mas as chuvas e o disco permanecem.

esse cenário melancólico é meio que uma versão invertida do mês de setembro, aquele em que Brasília é de uma aridez desgraçada e que, por isso, a melhor trilha sonora é mais pesada. independente da temperatura, abril marca o começo da fase mais pesada do ano, e a mais ingrata. sei que é uma fase, sei que uma hora acaba. esse post é apenas para marcar uma respirada funda antes de descer ao inferno em mais uma Cruzada, contra os mesmos demônios, que se repete ano após ano.

espero eu ter resultados diferentes dessa vez, e não repito a mesma fórmula. mas tenho pânico daquela frase que diz que “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes” – e que não é do Einstein. insanidade, mesmo, é se forçar a reinventar-se de tempos em tempos por conta dessa frase.

mas essa neurose não combina com bossa nova, nem com o clima quase ameno que faz agora. então, deixa eu voltar para a minha missão.

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vale?

conversa com meu pai, agora cedo, depois que falei qual era o plano (as mudanças desnecessárias insinuadas no post anterior):

– você acha mesmo que vale a pena?
– acho.
– as pessoas tentam as coisas durante um tempo, não conseguem, ficam frustradas, daí ficam deprimidas porque não conseguiram…
– vou conseguir. é o que quero, continuo achando que vale a pena.
– mas você não está muito velho para isso?
– não. sei de gente que conseguiu com 45. e a alternativa, passar mais 40 anos onde estou, justifica qualquer esforço para sair.
– não sei não, não sei se vale a pena você gastar tanto e se frustrar no final.

era grana, o problema.

– vale, sim. garanto que vale. e, conseguindo, não terei perdas, já que o salário, por lá, está sendo equiparado.
– e ainda tem essa, você quer sair mesmo se for para ganhar menos.
– porque vale a pena.

difícil convencer seu pai de algo, depois de uma certa idade (tanto sua quanto dele). ainda não tenho filhos, mas entendo a lógica dele e não a quero contrariar – apenas compatibilizar com a minha.

dezassete

feliz ano novo, em primeiro lugar.

por aqui, 2017 começa de um jeito que meu pai classificaria como mudanças desnecessárias: basicamente, para conseguir o que quero (e que não mudou), o negócio é sair da zona de conforto. parar de viver num ambiente mais apropriado para pessoas com a vida ganha, naquele sentido de não precisarem mais de mudanças, apenas de ajustes.

umas mudanças circunstanciais (para pior) ao meu redor fizeram com que aceitasse as mudanças que desejo como imperativas e inevitáveis. e, em consonância com o que disse ali em cima, são desconfortáveis. perco em conforto e espero, por meio de uma fuga para frente, ganhar em paz de espírito. enfim, nem toda a mudança está certa; saberei de tudo, e escreverei aqui, dentro de um mês. mas posso adiantar que, ontem, consegui uma pequena vitória dentro desses planos.