mitos alimentares

depois de passar um bom tempo fora do Brasil, eis-me de volta a essa republiqueta sem-vergonha. a maior parte desse período foi vivida em França, onde descobri dois mitos alimentares sobre os locais:

– “francês não gosta de hambúrguer” – mentira. em Lyon, há dezenas de ótimas lanchonetes que fazem hambúrgueres deliciosos. metade deles costuma ser montada à americana, com queijo cheddar, bacon, molhos clássicos e coisas do tipo; a outra metade tem toques franceses (queijo chèvre ou reblochon, molhos locais etc).

– “francês não gosta de churrasco” – mentira. meu professor de francês e ídolo, mestre Jean-Jacques Chatelard, disse-me, certa vez, que os franceses não nutriam simpatia por esse “hábito bárbaro”, tanto que usam a palavra inglesa “barbecue”, ao invés de terem uma própria. pode até ser que JJC não curta churrasco, e ele tem crédito de sobra para ter esse tipo de opinião, mas a verdade é que os conterrâneos adoram um churrasco: minha despedida de Lyon e minha chegada em Nice foram, ambas, marcadas por churrascos. o que francês não gosta, na real, é do preço da carne (o quilo do contrafilé custa, em média, 22 euros num açougue lionês).

gatorade

o corpo e a cabeça já estão pedindo arrego. a todo momento. mas agora é que entro na fase de maior esforço, da qual, com sorte, só me livrarei em outubro.

quatro meses de pura neurose e falhas físicas como a de ontem à noite. que Deus me proteja.

matraca

meses atrás, em alguma conversa aleatória, o Alexandre me disse que sou responsável por alguns autores portugueses, notadamente o Pedro Mexia e o João Pereira Coutinho, serem lidos no Brasil. não acho que seja verdade, mas na hora fiquei envaidecido: comecei a ler os dois na “Coluna infame”, em 2002 ou 2003, matando aula de direito civil na sala de informática da faculdade. e descobri o blogue deles porque recém havia sido atualizado e o Blogger avisava das páginas que haviam acabado de receber posts novos. o conteúdo era tão bom que eles passaram a ser citados nesse modesto blogue, que, desidratado, já vai para quinze anos de vida. alguns amigos passaram a lê-los, JPC virou colunista da Folha online em 2005 ou 2006 (e, depois, passou para o jornal impresso), enquanto o Mexia continuou a publicar (inclusive no Brasil) e virou assessor do presidente português.

então, será que sou mesmo o responsável por eles serem lidos no Brasil? creio que não. mas, dentro de mim, gostaria que essa história fosse verdade, porque é algo que me daria algum orgulho genuíno (aquele que os franceses chamam fier, em oposição ao orgueil). de qualquer jeito, torço para que eles (e para outros portugueses) publiquem cada vez mais e que sejam cada vez mais conhecidos no Brasil – diminuindo, assim, nossa distância dessa cultura irmã que, à exceção dos clássicos, tão pouco conhecemos.

Roger Moore

essa semana, Roger Moore morreu. não é meu James Bond favorito (alguns leitores daqui sabem que é o Daniel Craig), mas nem por isso o Moore era ruim; ao contrário. Marc Haynes, roteirista em uma produtora de audiovisual, contou uma história fantástica, sobre quando encontrou Moore duas vezes; uma, em 1983, no aeroporto de Nice; a outra, em 2006, trabalhando para o UNICEF. tão boa que foi ilustrada pelo cartunista Alex Paterson, conforme abaixo.

(se precisar, amplie para ler; vale a pena)

ainda estou aqui

é só que ando vivendo um pouco, então sobra pouco para escrever. a memória está, como dizia André Malraux, gravando tudo. uma hora, escrevo sobre. a câmera do celular também está registrando coisas.

como é bom ter outra vida, pouco ligada à vida “normal”, pelo menos de vez em quando.