afogador

desde 2011, uso óculos o tempo todo: meio grau já é suficiente para sentir o astigmatismo incomodando. nunca tive problemas com óculos e até acho legal. mas, ultimamente, percebi que usar óculos me impede de fazer um facepalm caprichado. assim sendo, o jeito é apelar para o princípio de que a ignorância é uma bênção e tentar não ter muito contato com a vergonha alheia.

mas a gente é gente, né?

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Salamanca

hoje, eu estava usando uma camisa vermelho-vinho. quando cheguei em casa, ao tirá-la, percebi que Julieta Nibelunga, a minha gata, estava por perto. tirei a camisa e resolvi chacoalhá-la bem lentamente, para saber se é possível tourear um gato.

Julieta deve ter achado tudo isso um saco e saiu correndo.

bandeira branca

tenho preguiça de quem usa aquela linha para se descrever a sério em alguma rede social. acabei de ver uma foto bonita no Instagram; cliquei no perfil da fotógrafa e lá estava ela se definindo como globe-trotter. que preguiça que me deu. sim, é rabugice de um senhor de 36 anos, mas, se vejo dez fotos de lugares distantes no Instagram de alguém, já presumo que se trata de alguém que gosta de viajar.

outra preguiça do mundo digital: nesses aplicativos de dating (que as meninas não usam para achar alguém), vejo que elas postam um monte de fotos em lugares que não são o Plano Piloto, além de fotos voando de asa delta, pulando de paraquedas, mergulhando. zzzzzzzzzzz.

mas qualquer coisa que eu escreva aqui sobre isso é pouco perto da precisão cirúrgica do mestre Joaquin Teixeira, conforme se depreende desse tuíte aqui.

jantar

na sexta-feira passada, fui convidado para um almoço no quartel-general de Bacco & Bocca. mal imaginava que comeria, naquela tarde algumas das maiores delícias da cozinha piemontesa e que tomaria vinhos espetaculares – inclusive os quatro melhores brancos da minha vida.

sim, eu bebi os quatro melhores vinhos brancos da minha vida em uma só tarde, praticamente um após o outro.

na culinária, foi uma surra: alcachofras, bagna cauda, carne cruda, risoto. na enologia, idem: a cada garrafa aberta, sentia vontade de dar pulos, de tanta surpresa. levei um Saint-Véran básico e uma champanhe rosé (Devaux Œil de Perdrix, caso interesse). bebi meu primeiro grand cru da Borgonha, um lindo Corton-Charlemagne, o melhor Gavi da minha vida (Minaia, do Nicola Bergaglio), um Puligny-Montrachet perfeito, um Chassagne-Montrachet delicioso. e aquele milagre chamado Tondonia Reserva Blanco. e dois Barolo, ainda por cima.

cheguei no almoço ao meio-dia e vinte, saí de lá perto das cinco da tarde, em êxtase. o Puligny-Montrachet me ficou na boca até o dia seguinte, apesar dos litros de água para rebater e de ter escovado os dentes umas três vezes nesse período.

demorei a escrever sobre esse dia porque fiquei desnorteado com o almoço. na verdade, ainda estou um pouco assim. papo bom, comida e vinho à altura: não precisamos de muito mais coisas na vida.