dimanche

domingo à noite, sensação de tédio, desânimo, pânico, coisas em vão. quase não vejo mais tevê, então meu problema não é com o que está passando ou deixando de passar por lá.

nessas horas, é bom lembrar do meu amigo Éric, que foi meu anfitrião do Airbnb em Nice: num domingo de verão, às dez da noite, ele e a esposa, Sandrine, pegaram os capacetes, passaram em frente à porta de vidro do meu quarto, que dava para o jardim, e me avisaram: “estamos indo dar uma volta de lambreta”.

que belo jeito de encerrar um domingo: passeando de lambreta com a patroa à beira do Mediterrâneo.

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sed fugit interea fugit irreparabile tempus

depois que fui a Sochi, em outubro de 2017, a Rússia não saiu mais da minha cabeça.

tenho feito aulas de russo, na Yu Idiomas, desde setembro do ano passado. é uma língua totalmente diferente de todas as outras que já estudei, apesar de ter algumas familiaridades, como um verbo “to be” (que, no entanto, não existe no presente) e o esquema sujeito-verbo-complemento. mas para por aí: a origem da maioria das palavras é própria e eu dou graças a Deus quando encontro alguma palavra de etimologia grega ou importada do inglês ou do francês. é isso, e não as declinações ou as estruturas diferentes – como dizer “em torno de mim tem carro” quando se quer dizer “eu tenho um carro”- que é o pior.

com isso, e ainda sem entender quase nada da língua (os níveis A1 e A2 concentram 70% da gramática, segundo o meu livro didático), virei um russófilo viciado: assisto à TV russa no Youtube, assino vários canais de vídeos sobre a cultura do país, planejo viagens por lá, aproveitando uma vantagem no trabalho que poderei desfrutar no futuro. talvez leve mais de cinco anos para aprender russo em um nível razoável, como foi com o francês, mas vai valer a pena: é um universo apaixonante. e ainda tem as meninas de lá, que merecem um outro post.

that was the week that was

essa foi uma semana movimentada e que, em seus momentos menos cinéticos, foi de bastante reflexão.

houve uma perda, não diretamente próxima, mas que, pela segunda vez no ano, me fez pensar em como as coisas acabam.

houve um começo retardado por anos, todo por culpa minha, e que me deixou feliz. qualquer hora falo sobre ele.

e também houve uma constatação: cinco anos atrás, eu não falava nada de francês, e pouco entendia. nas últimas duas semanas, percebi que meu francês, se não faz de mim um novo Balzac, já me permite ler bem e falar alguma coisa, ainda que o emprego do condicional e o uso de certas estruturas me confundam deveras. entre 2014 e 2016, engatinhei no idioma; de 2016 em diante, as aulas começaram a fazer efeito e, em 2017, morar um tempo em Lyon ajudou a dar um salto. agora, estudando o idioma sem pressão, vejo que deu certo.