mitologia e intuição

a seleção russa de 2018 é superior à seleção brasileira de 1982 – que, aliás, não ganhou nada.

Brasil depois dos dois primeiros jogos de 1982: 2 vitórias, 6 gols marcados, 2 sofridos.
Rússia depois dos dois primeiros jogos de 2018: 2 vitórias, 8 gols marcados, 1 sofrido.

se alguém disser que os dois primeiros adversários do Brasil de 1982 (a URSS no auge do anabolizante e a Escócia) eram mais difíceis, é caô. a Escócia nunca passou da primeira fase em mundiais e só teve quatro vitórias em sua trajetória nas copas (em quatro copas diferentes, diga-se). a URSS venceu a Eurocopa de 1960 – mas isso não tem nenhum efeito nas derrotas que se seguiram até 1982.

e por que idealizam tanto a seleção de 1982? metade é culpa dos flamenguistas, porque é um momento em que o Zico estava na seleção (e não que fosse o melhor jogador do time, o que, sinceramente, não sei). metade é culpa do Juca Kfouri. mas, objetivamente, a Rússia de 2018, sem nenhuma tradição de futebol, já fez mais que o Brasil de 1982. se ganhar de um a zero do Uruguai na terceira rodada, terá feito mais ainda.

alguém falará do Brasil vs Argentina de 1982, única partida em que a seleção venceu quando minimamente demandada. de fato, de fato. mas não é esse jogo que põe o time no patamar da equipe de 1994. nem no da de 2002 ou no da de 1998 – que, se ficou com o vice, teve o triplo de grandes jogos (Chile, Dinamarca e Holanda).

enfim, dá para começar uma flame war com essa tese minha – que, lamento dizer, procede.

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O trecho mais impiedoso sobre os brasileiros reproduzido pelos pesquisadores no livro 1964 – O elo perdido coube ao agente Václav Bubenícek (codinome Bakalár): “Um brasileiro, ao contatar com um estrangeiro, possui uma tendência em fazer uma grande quantidade de promessas, já supondo que não cumprirá nenhuma delas”. Referindo-se à classe média urbana, ele diz que “são pessoas preguiçosas e bem levianas, com as quais não se pode contar”. “Os brasileiros de classe média frequentemente surpreendem um europeu com uma longa lista de faculdades e cursos que terminaram; mas, na verdade, o conhecimento adquirido por eles é muito superficial, o que significa que no Brasil, por regra, encontramos pessoas ignorantes, que, mesmo com numerosos títulos científicos, não chegam aos pés da nossa gente com formação primária”, finaliza.

o serviço secreto checoslovaco definiu os brasileiros como preguiçosos e levianos. quem pode censurá-los?