sete galo

dia bissexto só no calendário: me ferrei hoje como me ferro em um dia normal. dormi uma hora a menos, o que, se não fez diferença na hora de puxar ferro, me deixou em modo zumbi depois disso. zzzzz.

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não pensei que fosse ver, um dia, o velocímetro de um carro ter escala até 500 km/h. aconteceu, e é culpa do Chiron, o novo modelo da Bugatti. ele vai até 420, e, a essa velocidade, o tanque se esvazia em nove minutos. e ainda tem gente que prefere heroína, pó, essas coisas.

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apesar dessa sina de me ferrar, tenho conseguido dar conta daquilo a que me proponho. sempre aos 45 do segundo tempo, mas tem rolado. o lance é que sempre quero mais. não necessariamente dinheiro, mas algo mais. como se fosse um vício, talvez. como se fosse a minha pressa em virar certas páginas da minha vida, como se fosse a pressa em ver o sol nascer no meu primeiro dia bem longe daqui.

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Pedro Passos, o ex-primeiro-ministro português, disse que, se estivesse no governo (do qual saiu por conta de uma crocodilagem de coalizão), diria que “o país está a bombar”. estranho ouvir um português a usar a essa expressão, não?

tá de brinks

na Popbitch, mais um sinal do fim dos tempos e da crise da imprensa:

The state of modern media

It’s been all hands on deck at BBC Three in advance of the great shift online.

In order to feed the troops and boost morale, one of the team decided they would stock everyone up on the usual beer, pizza and Haribo to help them through some of the brutal all-night sessions.

The offer was rejected. They only wanted water and gluten-free pizza.

What a time to be alive!

primário

Isadora, minha irmã, manda esse bilhete, que não foi escrito pela minha irmã Lorena (para quem ainda faltam uns quatro anos para chegar à quarta série). como disse a Elisa, essa Lorena do bilhete sabe mais que muito adulto por aí.

vazio

poupança

um dos maiores desafios deste ano, se não o maior, é desenvolver a capacidade de me poupar. não gastar energias com as coisas erradas, saber quando falar, brigar, explodir. é uma coisa que foi bastante complicada nos últimos seis anos, e que precisa melhorar – entre vários outros aspectos que também precisam.

até agora, as sinalizações foram boas. não resolvi tudo, mas estou, aos poucos, descobrindo onde e quando gastar as reservas mentais e corporais.

o último romântico II

meses atrás, em uma liquidação de cds feita por um amigo do Cláudio Bull, trouxe para casa uns discos bem interessantes. um deles foi o “Emmerdale”, primeiro disco dos Cardigans. não tenho falado tanto de música pop, comecei a achar ridículo fazer isso, mas às vezes ainda vale a pena.

de volta aos Cardigans: se você conhece apenas “My favourite game” e “Lovefool”, ótimo. o lance é que a banda fez, entre 1994 e 1996, três discos excelentes: “Emmerdale”, “Life” e “First band on the moon”. cinco suecos, na faixa dos 22 anos, misturando bossa nova com pop chiclete e, por cima de tudo isso, letras desesperadas, românticas, suicidas… falando de masoquismo, tédio e gente falando sozinha.

não é o que se imagina quando se pensa em Suécia, aquele país desenvolvido, próspero e cheio de meninas bonitas (como a Nina Persson, que canta essas loucuras). mas era o que rolava. enfim: já conhecia várias músicas do “Emmerdale”, mas não sabia de “Cloudy sky”, cuja letra é romantismo puro e simples.

eu pegaria algumas estrelas para ti
e apenas para ti
eu pintaria o céu cinza de azul
apenas para ti
então não me digas que queres chuva
de um céu nublado

para levar embora a dor que te provoquei de novo
sempre tentei descobrir o que te satisfaz
mas nunca saberei para onde vais
mas eu quero saber
queres um anel dourado? eu te compraria qualquer coisa

eu leria uns poemas para ti
apenas para ti
espero que eles não te deixem triste
como costumavam deixar
então me digas que eles são como chuva
de um céu nublado

simples, direto, romântico. lembra “Quase um segundo”, dos Paralamas, mas a dos Cardigans tem um arranjo delicadíssimo, com quarteto de cordas e vibrafone. curioso é que, não satisfeitos em falar em ler poemas em “Cloudy sky”, outra música do “Emmerdale”, “Celia inside”, também fala de poesia. isso em pleno 1994, no auge do cinismo na cultura (auge que já dura vinte e tantos anos…).

“Cloudy sky” foi a trilha sonora de um toco que tomei, dias atrás, e que envolve esse cinismo pós-moderno. mas aí é outro papo.

o último romântico I

já tem uns anos – oito, para ser mais exato – que qualquer resquício de romantismo que eu tinha acabou. tornei-me uma pessoa mais cética, rancorosa, fria. mas é o que a vida tinha para mim e eu aprendi a viver com isso.

mas hoje li essa história e, do alto de minha insensibilidade, chorei um pouco.

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Un vétéran de la seconde guerre mondiale retrouve son amour de jeunesse, 70 ans plus tard

Norwood Thomas, 93 ans, a retrouvé en Australie Joyce Morris, 88 ans, qu’il avait connue à Londres quelques mois avant le Débarquement. Une campagne de dons en ligne a permis aux deux anciens amants de se prendre dans les bras une nouvelle fois.

Il s’apprête à passer la Saint-Valentin avec son amour de jeunesse, perdu de vue il y a… 70 ans. Norwood Thomas, un Américain aujourd’hui âgé de 93 ans, est arrivé ce mercredi à Adélaïde, au sud-est de l’Australie, pour retrouver celle qui avait fait chavirer son cœur sept décennies plus tôt, Joyce Morris, âgée de 88 ans, rapporte The Guardian. Devant les caméras de la chaîne australienne Channel 10, les deux amoureux se sont enlacés, comme s’ils ne s’étaient jamais quittés, tendrement, les regards complices répondant à des sourires sincères. «C’est la plus belle chose qui pouvait m’arriver», a commenté Norwood Thomas. En réaction, Joyce Morris s’est exclamée: «Nous allons passer quinze jours merveilleux».

Les deux anciens amants se sont rencontrés à Londres durant la Seconde guerre mondiale. Alors âgé de 21 ans, le jeune parachutiste est en poste en Grande-Bretagne peu avant le Débarquement. Joyce Morris est alors une très belle Londonienne de 17 ans. Durant une permission, Norwood Thomas et un autre soldat profitaient d’une permission pour se promener sur les bords de la Tamise. Ils voient alors deux jeunes femmes louer une barque, et n’hésitent pas à les aborder afin de leur proposer de monter à bord. Norwood Thomas se retrouve ainsi dans la barque de Joyce. La magie a fait le reste.

Ils se recontactent grâce à Skype

Malheureusement, leur histoire n’est pas destinée à durer. Après la fin de la guerre, Norwood Thomas repart aux États-Unis. Ils s’écrivent régulièrement des lettres enflammées, et le soldat demande même à Joyce Morris de le rejoindre outre-Atlantique afin d’officialiser leur union. Mais la belle Londonienne ne comprend pas la missive, pour une raison qu’elle ignore aujourd’hui, et pense qu’il s’était déjà marié et qu’il voulait quitter sa femme pour elle. Joyce ne souhaite pas briser un couple. Elle ne répondra jamais. Son silence durera 70 ans.
Joyce et Norwood. Capture d’écran de Channel 10.

Mais l’an dernier, Joyce, divorcée après 30 ans de mariage, a demandé l’aide de son fils pour retrouver Norwood sur internet. Elle se souvient du nom de son ancien compagnon, et son fils tombe rapidement sur un article traitant du D-Day dans un journal local de Virginie, aux États-Unis, où vit désormais l’ancien soldat. Le fils de Joyce contacte alors le journaliste. Ce dernier prend immédiatement contact avec Norwood Thomas, veuf depuis 2001, afin de lui demander s’il connaît une certaine Joyce Durrant – son nom de jeune fille. Sa réponse est lapidaire: «Oh my God!» («Oh mon Dieu»). Après 70 ans de silence, ils décident de se recontacter par Skype.

Leur histoire devient rapidement publique, et des centaines de personnes se sont cotisées sur internet pour payer le voyage de Norwood Thomas en Australie, où vit désormais son ancien amour. Près de 7.500 dollars (soit 6.600 euros) ont été récoltés, et la compagnie Air New Zealand s’était engagée à payer le reste du voyage. Ils ont déjà prévu de passer la Saint-Valentin ensemble.