item 1

17 de dezembro, marca o calendário: 2016 está logo ali na esquina. esse ano, de final, não foi um ano fácil. em certos aspectos, foi horrível, mas a culpa não é exclusiva: muitas das coisas ruins eram, na verdade, sequências de anos anteriores. atiremos as pedras, mas não por aquilo que veio de outrora.

mesmo o time tendo auferido mais derrotas que vitórias nessa temporada, houve uma conquista: dei a cara a tapa, sistematicamente, ao longo de 2015. briguei pelo que queria. colecionei fiascos na certeza de ter dado tudo de mim em todos os jogos de que participei, poupei o time quando deveria apenas cumprir tabela, não fui Valdivia de ficar no banco na maior parte da temporada. não disputei algumas pelejas, claro, mas nem todas as brigas devem ser compradas. nesse ponto, saio satisfeito.

negligenciei o corpo e terminei o ano com o espírito em parafuso. comecei coisas que não terminei, mas que realmente quero levar até o fim. os encontros foram maiores que os desencontros, e isso é bom demais. não viajei ao estrangeiro, como vinha fazendo, mas passei dois dias no Rio de Janeiro e me mandei de lá querendo mais. já estou a engendrar algumas mudanças para 2016, na esperança de que seja um ano de ruptura; não de revoluções, nas quais descreio, mas de evoluções que permitam as devidas transições.

apesar do tom de balanço, esse não é o último post do ano; apenas me senti com vontade de tratar disso.

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fogo

aqui vão umas previsões políticas para 2016. não aposte dinheiro nelas; no máximo, leve-nas ao debate da mesa do bar:

– a czarina cai entre julho e setembro
– o nove dedos será preso entre março e abril
– o PSDB continuará uma penca de bananas de pijamas, descendo as escadas da política brasileira, e não terá nada a acrescentar ao governo Temer;
– nenhum dos presidentes das casas legislativas federais chegará ao final dos respectivos mandatos;
– no primeiro trimestre, mais empresários, políticos e laranjas serão presos; nesse período, as chances de o Delcídio Amaral acertar delação premiada são de 10 a 20%
– o presidente da Odebrecht pegará uns 20 anos de cana
– o PIB brasileiro cairá 2% em 2016, e o primeiro semestre de 2017 ainda terá recessão
– ainda aposto que, no acerto entre PMDB e PSDB, Michel Temer será candidato ao governo de SP em 2018

sem nome

names, secret names
but never in my favor
but when all is said and done
it’s you I love

(Morrissey, “Whatever happens, I love you”, 1995)

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domingo teve show do Morrissey em Brasília e eu não fui: já vi um, quinze anos atrás, e acho triste que ele esteja há trinta anos reclamando das mesmas coisas. não pegou ninguém, continua a sentir-se vítima. já há nove anos, em 2006, escrevi que “outros artistas amadureceram, mudaram seus pontos de vista, viveram outras coisas – têm, portanto, mais a ver com a mobilidade de nossas vidas, ao passo que o topetudo parece preso ao passado – se não na forma, ao menos no conteúdo”. mantenho o que disse. é o mesmo nome, a mesma choradeira; esse é um post sobre nomes.

*

há muitas garotas por aí. poucas, contudo, são as que me fazem mover qualquer palha para ir atrás delas. é preguiça mesmo. dia desses, apareceu uma com prenome diferente – comum num outro país aí, mas raro no bananão. mas o dela tem uma letra diferente, não sei se por culpa dos pais ou do cartório. ela não é única, mas foi a única coisa em que pensei naquela noite. provavelmente, eu a verei novamente, não a abordarei e ficará por isso. e será a única menina com esse nome, ou ao menos com essa grafia, que conhecerei.

*

não sabia, mas meu avô materno, que tinha um nome diferente, o deve a um santo: Santo Hegésipo (110-180), teólogo cujos textos foram, em sua maioria, perdidos. fiquei interessado em saber mais sobre essa figura e vou atrás, ainda que a ignição tenha sido algo tão banal quanto um nome. queria saber se meu avô, falecido há quase trinta anos, conheceu algo sobre o inspirador de seu nome.