4,1e+8

comecei esse blógue há exatos treze anos. entre meus projetos, é aquele ao qual me dedico há mais tempo, descontados hábitos pessoais – assistir F1, por exemplo. todo ano, de uns cinco para cá, reclamo que tenho escrito pouco. é uma ladainha, mas uma ladainha que procede: queria ter disposição (85%) e assunto (15%) para um post por dia, pelo menos. e sei que, um dia, terei; por enquanto, só me resta escrever o quanto posso… e, por ora, isso não é muito. tenho motivos para isso, mas não é nada que mereça grande preocupação de quem passa por aqui.

nessas horas, gosto de lembrar daquela música do Leonard Cohen que diz que “muitos homens estão caindo / onde você prometeu manter guarda”. grandes amigos já deixaram de ter blógues, o meu continua. não sou melhor que eles, mas fico feliz de constatar que algo do que fiz (e continuo a fazer) durou (e continua a durar). em tempos de manifestações, pautas e relacionamentos efêmeros, chega a ser um alento ver algo sobreviver por mais de uma semana.

*

é tentador falar sobre o futuro, mas só tenho um breve comentário sobre ele: este blógue aqui não morrerá tão cedo. preciso dele. ainda que seja para manter silêncio por umas semanas, porque é bom ter para onde correr. não é muito, mas não preciso de muito mais.

não tendo muito o que falar sobre o futuro, falemos sobre o presente: sinto falta de ler mais sobre ciência. é outra coisa na qual sempre penso durante os dias, e à qual gostaria de dedicar-me por mais tempo. assim que possível, farei isso. gosto de saber que a medicina, a astronomia, as ciências relacionadas ao processo nuclear, a matemática e a química inorgânica seguem com descobertas, ainda que pequenas. não vamos redescobrir a roda, o átomo, os números; mas a simples possibilidade de usá-los de um jeito melhor é algo fantástico.

falei de ciência porque falei do tempo: a nossa relação com a dimensão temporal da vida é a coisa mais misteriosa do mundo. saber que os processos começam, terminam e se alteram, que tudo pode mudar em segundos. desde que esse blógue foi criado, já lá vão cerca de 4,1e+8 segundos, ou mais de seis milhões e meio de minutos. uma eternidade, mas uma eternidade que empalidece diante do tempo em que existe uma história escrita, por exemplo – não precisamos nem falar do tempo até a última era glacial ou coisa pior. que venham mais eternidades por aí, cada uma a seu tempo (sem trocadilho).

*

hoje o blógue faz treze, amanhã faço 34. dito isso, adiante: acabou o tempo para escrever esse post.

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