ilha

a Amazon brasileira não é, por ora, uma amostra representativa do mercado literário brasileiro. mas analisar a lista dos mais vendidos da loja virtual, como acabei de fazer, revela algum alento:

– o segundo livro mais vendido é “Sapiens”, de Yuval Noah Harari, uma bela dica do Luiz Felipe Pondé (e endossada pelo mestre JR). dias atrás, era o pole position – e, veja bem, esse post fala da classificação GERAL
– a quarta colocação cabe a “Pare de acreditar no governo”, do Bruno Garschagen, um libelo contra o inchaço desse leviatã
– o novo do Houellebecq está em 35º, mas não vou dar muito destaque a esse. melhor abrir um sorriso de lado a lado por “A revolta de atlas”, da grande Ayn Rand, ser o 41º
– outro sorriso no 44º posto: Milton Friedman está seis posições à frente de “Grey”, a versão peniana de “50 tons de cinza”

fora isso, ainda dá para celebrar Miá Couto, Anthony Burgess, George Orwell, Aldous Huxley, Oliver Sacks e “O pequeno príncipe” no top 100.

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RIP

um minuto de silêncio pela morte do grande Alcides Ghigghia, centroavante uruguaio que era o Klose, o Schürrle, o Khedira, o Schweinsteiger e outros da época. e que fez a minha alegria, mesmo eu tendo nascido depois que pendurou as chuteiras.

7×1 na língua que você quiser

quer relembrar esse grande momento da história brasileira que foi ver uma seleção de mascarados, sob o beneplácito de uma entidade corrupta, tomando, em casa, uma naba dos alemães? quer ver como narraram esse épico em outras paragens? por aqui, por favor:

alemão

árabe

chinês: clique aqui (deu um trabalhão para achar, porque a maioria dos vídeos só pode ser acessada de dentro da China)

coreano

inglês (BBC)

espanhol: para a narração argentina, clique aqui. no México foi assim:

francês

hebraico

italiano

russo (o texto e a apresentação são vietnamitas, mas a narração é em russo)

servo-croata

tailandês

tentei achar em amárico, em cingalês e em algumas das línguas mais faladas da Índia (urdu, hindi, tamil, marati, gujarati, telugu e punjabi). infelizmente, não tive êxito.

comemoração

amanhã, 8 de julho, um dos dois melhores jogos de futebol que já vi* – Brasil 1×7 Alemanha – completa um ano.

já estou com saudades de ver a canarinha se ferrando de novo, mas em nível de humilhação. porque ver o Brasil perder para o Paraguai nos pênaltis é gostoso, mas ver um time sensacional enfiar quatro gols nos pamonhas conterrâneos, em apenas sete minutos, é delicioso.

(o outro grande jogo de futebol que vi: Corinthians 2×3 Santos, o segundo jogo da final do Brasileiro 2002)

bambuzal

terça-feira, indo à Câmara dos Deputados, ouvi a “coluna” de vinhos da CBN, com um dos especialistas mais conhecidos do país. um ouvinte escreveu e disse que viajaria à França, por isso pediu dicas sobre os vinhos do país. e o colunista respondeu-lhe algo como “ah, eu recebi um email de uma menina, brasileira, que dá cursos em português numa enoteca de Paris. eu não a conheço e só estou repassando, mas a loja é boa e eles não devem chamar gente ruim”.

ou seja: não falou dos brancos da Alsácia, ou que os tintos do Loire e do Ródano têm benefício x custo bom. também não falou que dá para achar um monte de Premier Cru da Borgonha e de champanhes de pequenos produtores por algo entre 20 e 25 euros, ou que Bandol é onde se produz o melhor rosado do país. tampouco deu dicas de ir direto aos viticultores, ou de lojas com bom sortimento e menos armadilhas para turistas.

na outra ponta, também não falou dos grandes (e caros) Bordeaux ou de regiões menos badaladas, como a Savoia. ou seja: o cara não deu dica nenhuma, só falou de um curso que nem conhece. sei que o figurão entende bastante, mas, nesse dia, de que valeu o espaço dele?

*

horas depois, quando acabou a reunião da Câmara que devia acompanhar, fui ao Senado, visitar um amigo. quando passei nas imediações do Plenário, vi, pela parede de vidro, uma galera de Goiás, uniformizada, buzinando, apitando e gritando, do lado de fora do Congresso, por um aumento salarial. do lado de dentro, seguranças fitavam a turba, e quem não conhecesse as coisas pensaria ser um grupo de famélicos doido para conseguir bolachas.

terminada a minha visita, voltei à Câmara, para chegar ao estacionamento onde parei o carro. era o dia da primeira votação da PEC dos Pivetes, a que foi derrotada. no salão verde, um segurança imobilizava um moleque e perguntava, educadamente, onde ele queria ir. cheio de si, e do alto daquela empáfia que a adolescência nos dá, ele disse que queria entrar no Plenário “para ensinar os deputados a votar”.

continuei meu caminho reto e constatei que a entrada do anexo 2, por onde costumo sair, estava fechada e guardada por policiais com capacetes e escudos, enquanto uma horda de adolescentes gritava palavras de ordem contra a redução da maioridade. mantidos a uma certa distância, queriam atirar coisas nos guardas; depois, soube que tomaram jatinhos de pimenta. por causa dessa molecada picante, tive de dar uma volta muito maior até sair do Congresso e buscar meu carro. somada ao povo que queria mais dinheiro, do outro lado, dava a impressão de que estamos à beira de uma guerra civil. porra nenhuma: na hora de espoliar o Estado e falar de cláusulas pétreas e direitos adquiridos, todo mundo aparece. quando é hora dos deveres – escolares ou burocráticos -, ninguém está nem aí, e ainda reclamam da vida boa dos parlamentares que elegeram.

*

na sessão seguinte, a PEC dos Pivetes passou. a crise política – essa que, a cada enxadada, revela cinquenta minhocas -, contudo, não passará. pior de tudo, a czarina não completará seu mandato, já que chegamos à ímpar situação de três possibilidades diferentes de queda, por três irregularidades diferentes. a dúvida, agora, parece ser quantos meses serão necessários para derrubar a eleita.

aposto, particularmente, que essa jiripoca pie no primeiro semestre do ano que vem.

Syriza

o futuro está incerto demais, a economia anda uma porcaria e você não sabe o que fazer? sugestão minha e do Eugênio: vire X9. como as últimas semanas demonstram, a alcaguetagem tem um futuro promissor por aqui. tem gente no Planalto que não respeita, mas é da boca para fora. tanto respeita que não recusou um dinheirinho de quem hoje colocou a boca no trombone e assopra o ritmo que a banda toca.

por algum motivo, acho que a sugestão acima poderia estar num Machado de Assis. não estou a comparar-me com o mestre, mas acho que é o tipo de conselho que uma de suas personagens daria. sei lá.

*

enquanto isso, na Grécia, o país se prepara para receber, em nome do orgulho do projeto europeu, mais um socorro. que não adiantará: essa grana toda irá pelo ralo e, depois de alguns anos, lá pela sexta ou sétima ajuda, finalmente os gregos estarão livres para adotar o dracma e fazerem o que bem entendem.

o problema é que eles não têm a menor ideia do que fazer, e não terão quando a “liberdade” chegar. resultado: a sociedade pedirá mais Estado, o Estado crescerá, em resposta a esse anseio… e não fará nada. aguardará, provavelmente, instruções da troika, como um ex-escravo a bater à porta do ex-escravocrata, pedindo emprego.

*

mas a preocupação, agora, é outra: manter a cabeça. nunca se usou a guilhotina por aqui, mas é como se houvesse o risco. Freud não explica – Robespierre e Marat, talvez.