Deus é brasileiro

deusbr

(via Fábio)

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churras

está em Brasília e não tem programa para o domingo? que tal comer bem e de graça e ter a chance, logo depois, de entrar numa fria? é o que esse folheto que me foi distribuído há pouco promete…

churras

partiu churrascão gourmet na obra?

vencido

o Jerivá, conhecida lanchonete às margens da BR-060 (que liga Goiânia à civilização, segundo alguns), em Alexânia, abriu uma segunda loja na estrada, a quatro quilômetros da primeira. fica num outlet à americana, embora não tenha, evidentemente, o mesmo tamanho. geralmente, outlets vendem, com polpudo desconto, roupas da coleção anterior e utilidades domésticas que, em alguns casos, já foram retiradas de linha.

ontem, ao regressar de Goiânia, entrei no Jerivá outlet esperando pamonhas vencidas, feitas há mais de ano, pastéis (jerês) mofados e sucos de laranja extraídos em fevereiro, na expectativa de pagar centavos por toda essa comida vencida. que nada: tudo fresquinho e pelo mesmo preço da matriz do Jerivá, nem um centavo a menos. que absurdo.

anarfa

apenas três em dez brasileiros gostam de ler no tempo livre. dos dez livros mais vendidos da categoria que exclui ficção e auto-ajuda, seis são “livros de colorir para adultos”. daí vem um cidadão e diz que nunca se leu tanto. mas ler o quê? posts no Facebook? só de ler o português terrível dos anúncios de carros antigos na OLX, eu já tenho calafrios, imagine se eu tivesse conta no FB? não que lá fora esteja muito melhor. leio uns fóruns de discussão em inglês e não é raro detectar nativos da língua confundindo, por exemplo, “wear”, “where”, “were” e “we’re”. coisas bem básicas. nunca se leu tanto, nunca se comunicou tanto e tão mal.

tenho um pouco de esperanças, como na galera que descobriu a leitura pela série Harry Potter ou por alguma das séries que vieram depois. não é erudito, mas é capaz de criar o hábito e isso já seria legal demais. até porque preciso de leitores para a obra que escreverei com o Otto, “Zen e a arte da manutenção de importados usados”. em breve, na livraria mais próxima.

paraquedismo

segunda de manhã, dia de pouco agito na Telerj, o telefone da secretária toca. ela não está, puxo a ligação e vejo que é do Paraná. do outro lado da linha, alguém de uma empresa que tem relacionamento muito próximo com aqui se identifica.

“oi, aqui é fulano da *****, estou atualizando um cadastro, gostaria que você me informasse alguns dados”
“pois não?”
“preciso de uns dados como endereço, telefone, CNPJ…”
“… que não mudam desde que a Telerj foi criada, nos anos noventa”
“… pois é, é que eu não tenho”
“então você não está atualizando nada, você está criando”
“isso, isso”
“o endereço é *****”
“agora preciso de um email de contato”
“mas QUEM você quer contatar, afinal?”
“preciso de um contato de alguém aí”
“mas você quer falar com quem?”
“pode ser alguém do financeiro”
“da parte que arrecada tributos, da que faz compras ou o quê?”
“isso, da parte que faz compras. ou então do departamento de vendas”
“VENDAS?” [aqui é órgão público]
“pois é, acho que não tem vendas aí, né…”
“o telefone da responsável pela administração interna é ****, o email dela é ****”

o cara ficou com vergonha, mandou um “ok, obrigado” e desligou, constrangido. poderia, pelo menos, ter-se informado sobre o que tinha de fazer – e saber que, lá dentro, todo mundo sabe o que é aqui e já tem as informações de que precisa. coitado.