crescente

em julho, dirigindo pela autoestrada A1, em Portugal, eu ia de Lisboa a Fátima. descobri que a velocidade máxima do meu carro, um Fiat Panda, era de 177 km/h. qualquer um que já dirigiu por lá sabe como é delicioso e não foi diferente comigo. o rádio ia ligado numa emissora qualquer, e, a certo momento, tocou uma música que eu não ouvia há mais de dez anos: “The whole of the moon”, dos Waterboys.

é datada, como tudo da década de 1980. é épica, tem trompetes mal gravados, o clipe tem cortes de cabelo e figurinos que não sobreviveram à década. mas é linda, e a letra é linda. de volta ao Brasil, li que foi inspirada em uns escritos do escritor irlandês C. S. Lewis e saquei que é escrita sob uma perspectiva de admiração por alguém que você sabe que está num outro nível… um lance meio Salieri e Mozart, de constantes comparações. o verso com o título da letra resume esse sentimento: “eu vi o crescente / tu viste a lua toda”. lua toda ou lua cheia, como você preferir.

fui feliz naqueles cinco minutos em que “The whole of the moon” tocou na estrada lusitana… eu subi na escada / com o vento em minhas velas / fui como um cometa / demarcando minha trilha / alto demais, longe demais, cedo demais

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