etimologia do troço

Troço é uma palavra brasileira informal que – como negócio, coisa e, no mineirês, trem – pode ser empregada em lugar de uma infinidade de coisas, sejam elas concretas ou abstratas. Dá-se a vocábulos de sentido tão abrangente e difuso o nome de palavras-ônibus.

O curioso é que o popular troço (pronuncia-se tróço) surgiu como variante de troço (trôço), uma palavra portuguesa antiga e respeitável, prima do espanhol trozo, de onde tiramos o verbo destroçar e o substantivo destroço – que nada têm de informal e podem frequentar os discursos mais elegantes sem contraindicações.

Esse troço (trôço), de sentidos variados, caiu em desuso na acepção militar de “cada uma das divisões de uma tropa”, que o espanhol trozo conserva, mas permanece vivo como nome de certa peça de canhão. Também pode ser encontrado em Portugal para designar “trecho de caminho”, entre outras acepções.

Já se vê que a ideia comum por trás de tudo isso é a de pedaço, trecho, fragmento de um todo. O filólogo catalão Joan Corominas diz em seu Breve Diccionario Etimológico de la Lengua Castellana que a matriz de trozo e troço é o catalão tròs, “pedaço”, ligado ao francês antigo trous, “fragmento de lança ou tronco”. Todas essas palavras são descendentes do substantivo latino thyrsus (“haste, talo das plantas”).

(visto aqui)

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menos, gente

Islândia não renova passaporte de menina de 10 anos por causa do nome

Você pode ser Aagot, Arney ou Ásfríður; Baldey, Bebba ou Brá. Dögg, Dimmblá, Etna e Eybjört são opções aceitas, assim como Frigg, Glódís, Hörn e Ingunn. Jórlaug funciona bem, Obba, Sigurfljóð, Úranía, também, e, se você quiser, até Vagna. Mas, se você é menina na Islândia, não pode se chamar Harriet.

“A situação toda é um pouco absurda”, disse Tristan Cardew, atenuando os fatos de maneira tipicamente britânica. Ele e sua mulher, a islandesa Kristin, estão recorrendo contra a decisão tomada pelo Registro Nacional em Reykjavík de não renovar o passaporte da filha deles, Harriet, 10 anos, com o argumento de que não reconhece seu nome.

Como o registro tampouco reconhece o nome do irmão de Harriet, Duncan, 12, até este ano as duas crianças sempre viajaram com passaportes que os identificam como Stúlka e Drengur Cardew: Menina e Menino Cardew. “Desta vez as autoridades decidiram aplicar a lei à risca”, contou ao “Guardian” Tristan Cardew, cozinheiro britânico que se mudou para a Islândia 14 anos atrás. “E a lei diz que nenhum documento oficial será dado a pessoas que não tenham um nome islandês aprovado”.

Devido ao impasse, a família Cardew, que vive em Kópavogur, correu o risco de perder suas férias na França, na próxima semana, até que pediu à embaixada britânica um passaporte britânico de emergência, que deve permitir que deixem o país. Os nomes são importantes na Islândia, país de apenas 320 mil habitantes cuja lista telefônica identifica os assinantes por seus primeiros nomes, pela razão muito sensata de que a grande maioria dos sobrenomes islandeses simplesmente registra o ato de eles serem filhos de seu pai ou sua mãe. Por exemplo, os filhos de Jón Einarsson podem se chamar Ólafur Jónsson e Sigríður Jónsdóttir.

A lei determina que, exceto nos casos em que pai e mãe são estrangeiros, os nomes das crianças nascidas sejam apresentadas ao Registro Nacional em até seis meses após o nascimento. Se o nome não constar de uma lista de 1.853 nomes femininos e 1.712 nomes masculinos reconhecidos, os pais precisam pedir a aprovação do Comitê Islandês de Nomes. Para cerca de 5.000 crianças que nascem anualmente na Islândia, o comitê recebe por volta de cem pedidos de autorização, dos quais rejeita metade sob os termos de uma lei de 1996 que visa principalmente preservação a língua das sagas.

Entre os requisitos da lei está o de que os nomes devem ser “capazes de ter terminações gramaticais islandesas”, que não “conflitem com a estrutura linguística da Islândia” e que sejam “escritos de acordo com as normas comuns da ortografia islandesa”. O que isso significa na prática, segundo o site Reykjavik Grapevine, é que nomes que contenham letras que não existem oficialmente no alfabeto islandês de 32 letras, como o “c”, não são aceitos. Também são rejeitados nomes que não possam acomodar as terminações exigidas pelos casos nominativo, acusativo, genitivo e dativo usados na língua islandesa. “Esse era o problema com ‘Harriet’: não pode ser conjugado em islandês”, disse Cardew.

As leis islandesas relativas a nomes vêm sendo mais e mais criticadas. No ano passado, Blær ("Brisa Leve") Bjarkardóttir Rúnarsdottir ganhou o direito de ser conhecida oficialmente por seu nome, em oposição a "Menina", quando um tribunal decidiu que negar-lhe esse direito seria uma violação da Constituição islandesa. Um ex-prefeito de Reykjavík, Jón Gnarr, também descreveu a lei nacional de nomes como “injusta, estúpida e contrária à criatividade”. A família Cardew poderia resolver o problema de Harriet, dando a ela um nome do meio islandês. “Mas é um pouco tarde para isso e é muito absurdo”, disse Cardew. “Estão dizendo que não nos querem aqui?”

dureza

não são tempos fáceis para a Espanha: a crise econômica que assola o país já há mais de cinco anos não tem uma saída, e a seleção do país foi eliminada com apenas dois jogos, num vexame de proporções sinistras.

mas é preciso saudar a chegada ao trono de Felipe VI, coroado rei nesta quinta-feira. ele não tem todas as respostas que seu povo precisa. mas pode ajudar na renovação e no ânimo do país, de modo a levantá-lo, sacudir a poeira e dar a volta por cima. não sou um cara que acredita em revoluções, quanto menos na forma republicana de governo (exceto para EUA e França, mas são exceções e isso é coisa pra outro dia). mas a chegada do novo rei, espero, será uma evolução. VIVA FELIPE VI!