terapia zero

sentado numa cadeira desconfortável, brincando de apertar o porta-copos como se bolinha fosse, eu era o centro de um pequeno experimento.

“- é justo?”
“- não sei.”
“- o que eu lhe propus lhe parece justo?”
“- em termos. não tenho certeza, na verdade.”

eu dava respostas evasivas, mas não é que quisesse fugir.

“- desculpe se estou sendo incisivo demais.”
“- eu gosto quando são incisivos comigo. por favor, continue assim.”
“- ok.”

uma hora depois, aquilo havia acabado. acabado comigo, na verdade. e semana que vem tem mais.

*

em casa, depois de correr por aí feito barata, encosto as costas doloridas no sofá, que me parece tão desconfortável quanto a cadeira do experimento. decido retomar uma outra coisa, e acesso uma página. surgem gráficos sobre o que eu disse e sobre o que eu não disse, mas não consigo chegar à conclusão que se impõe: isso é bom ou é ruim?

cinco barras para um lado, três para outro. é assim, é assim, não é assim. terapia de resultados, mas cujos resultados não se consegue entender. ah não.

*

à noite, fazendo um balanço das coisas que aconteceram, desenho um poço. desenho o fundo dele, traço uma seta e escrevo VOCÊ ESTÁ AQUI. mas a corda foi jogada e dei o primeiro passo no caminho da subida. é longa, é lenta: the major fall, the minor lift. mas vou fazer isso quantas vezes for necessário.

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