mediana

domingo aconteceu a confraternização de fim-de-ano dos amigos do Instituto Carl Menger, um think tank criado há alguns meses em Brasília para discutir economia sob uma perspectiva liberal (no sentido austríaco da coisa). não sou economista, mas, do alto da minha ignorância, compartilho do gosto pelas soluções desse grupo. com vários amigos tocando o barco, virei um agregado da turma e até colaboro de forma indireta, se ainda não com textos. o evento aconteceu no Outback, restaurante goiano especializado em comidas “com um toque australiano”, o que quer que isso seja. é tipo um Jerivá de luxo, a julgar pelos frequentadores. a comida é bem boa, se não fantástica, o ambiente é legal, há chope gelado; com os amigos ali e uma tiração de sarro coletiva da esquerda, foi bem legal.

mas enquanto esperava por eles e por uma mesa (deixei meu nome lá vinte minutos depois que o restaurante abriu e tivemos de esperar por cerca de 1h), tive o prazer de dividir um banco na porta do Outback com algumas representantes da classe média brasileira – a classe média mesmo, não a dos critérios do governo. em pouco mais de 15 minutos de convivência, as três ou quatro mulheres, todas na faixa dos quarenta e poucos, sintetizaram o pensamento da galera:

– primeiro elas falaram da amiga que comprou, via Groupon, um almoço em algum restaurante brasiliense e “passou mal de vomitar sem parar” no dia seguinte;
– uma delas, então, falou que quer viajar no carnaval, mas com uma ressalva importante: “não quero ouvir música baiana”;
– pouco depois, foi a vez de reclamarem da fila do restaurante, entre elas mesmas. nada de encarar um Pobre Juan, um Galeto’s ou um Gero, todos a no máximo cem metros de distância e nenhum deles nem perto de lotado. como eu estava de galera e todos sabíamos que Outback é isso aí, topamos esperar e ficamos ali, animadamente – eu com uma caneca de chope em mãos;
– depois disso, as moças começaram a reclamar dos preços das coisas da sexta-feira negra, “totalmente sem noção”. porque, afinal, é consumir que deve dar sentido à vida mesmo. e, pior, esses papos delas não devem ser muito diferentes ao redor do mundo.

de toda forma, é isso: um estrato social caricato, interessado em torrar dinheiro e ser Gérson: farinha pouca, meu pirão primeiro. ai ai…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s