valete de copas

não tenho escrito aqui com a frequência que gostaria. é mais por estar sem cabeça para escrever do que por outra coisa, inclusive falta de assunto. vou tentar, aqui, desovar algumas coisas que aconteceram por aí. mas antes disso, gostaria de dizer que estou aqui torcendo pelo Schumacher, e acho que ele vai sair dessa. porque perder ele e o Reginaldo Rossi no mesmo mês é dureza.

banco

na noite de quarta-feira da semana passada parei tudo que estava rolando em minha vida para, depois do expediente, ir ao cinema. sozinho mesmo, e num cinema que não é exatamente meu preferido, o do CasaPark. teve de ser lá porque queria pegar duas sessões, e os horários não se chocavam – o cinema do Liberty Mall, que prefiro, tinha os dois filmes, mas era ou um, ou o outro.

assim, comecei por assistir “Blue Jasmine”, o novo do Woody Allen. é um bom filme, nada extraordinário mas bom. extraordinário, mesmo, é o desempenho da Naomi Watts Cate Blanchett no papel principal: Oscar para a moça, ela merece. tem alguns momentos de muita vergonha alheia, outros em que você fica com pena da mulher, mas o grande negócio é o final: não vou contá-lo aqui, mas é do tipo de final que eu gosto, por ser factível.

ou talvez sejam as janelas do meu pessimismo, sei lá.

quase num ato contínuo, troquei de sala e fui ver “Trem noturno para Lisboa”. é a história de um professor de literatura suíço que um dia, a caminho do liceu, encontra uma dona prestes a pular de uma ponte. ele corre, agarra a doida e impede que ela se suicide. carente, ela pede para ir à escola com o professor, que a acomoda. no meio da aula ela vai embora, mas esquece o casaco, e no bolso dele há um livro em português, de nome “O ourives das palavras”.

como o professor ensina literatura, ele entende algo de línguas latinas e consegue ler em português: vai até o final do livrinho e se encanta. em meio às páginas, há uma passagem de trem para a capital portuguesa, e ele vai até lá – não estando claros, nesse momento, seus objetivos. e lá ele começa a ir atrás das pessoas que circundavam o autor, já falecido, e a descobrir mais sobre seu legado, suas ideias, suas ações.

tudo muito legal, mas tem um problema: o filme tenta ser profundo, mas é mais raso do que pretende ser. explicando melhor: as passagens do tal “O ourives das palavras” são meio que chavões, nada de grande filosofia ou de tocante como um “Livro do desassossego”, para ficarmos em Lisboa. se você abstrai isso e o leve viés esquerdinha, “Trem noturno para Lisboa” é um bom filme, que ganhou o título de melhor da noite por um nariz de vantagem, e exatamente onde o rival tinha seu ponto alto: no final.

porque o final de “Trem noturno para Lisboa”, especificamente a última cena e a última fala, e o corte logo em seguida, é mais profundo que todo o resto do filme.

atualização (19/12, 10h02): o mané aqui confundiu e escreveu Naomi Watts quando o certo é Cate Blanchett, e foi advertido pelo grande Thiago Raposo, ombudsman, cineasta, especialista em políticas públicas e centroavante do Raja Casablanca.

tômbola

uns meses atrás apareceu na Globo News uma notícia inusitada: a Sotheby’s estava promovendo uma rifa de uma gravura do Pablo Picasso, com números custando 100 euros, em prol da reconstrução das ruínas fenícias da cidade de Tiro, no Líbano. achei a iniciativa bem legal e, apesar do valor um pouco alto, comprei um número anteontem. a obra está avaliada em cerca de US$ 1 milhão, e a expectativa é de arrecadar cerca de US$ 6,5 milhões com a venda dos números. se alguém quiser, pode comprar hoje ou amanhã cedo – a rifa corre à tarde.

mas por que eu fiz isso? tenho alguns motivos: a já citada nobreza da destinação do dinheiro, um pouco de esperança de ganhar (na verdade é o famoso “vai que…”) e, subsidiariamente, a história para contar: gosto da ideia de contar aos amigos e aos meus filhos e netos que um dia concorri a uma coisa dessas, hahahahahaha…