imaterial

O que é terrível na chamada «empatia» é que não depende da nossa bondade, mas de uma «capacidade negativa» de sermos o que não somos, o que não conseguimos, por incapacidade, não por maldade. Em períodos muito difíceis, assisti pessoas a tentar a empatia e a falhar miseravelmente: não uma, não várias, mas todas, ou quase todas. E compreendi que isso não indiciava qualquer defeito ou fraqueza. Por isso, ainda hoje, poucas coisas me assustam mais do que a «empatia», que nos julga à luz de expectativas abstractas, compreensíveis mais quase imateriais, frágeis, impacientes, indignadas. É como se a «empatia» fosse um conceito calvinista: ou nos é reconhecida ou não é, independentemente das nossas acções e dos nossos corações. Ou nos salvamos, ou então estamos condenados.

Pedro Mexia, sempre ele, escrevendo sobre os (meus) sentimentos melhor do que eu jamais o faria.

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