dendrito

ontem voltei ao psiquiatra. ele é um cara legal. falei da minha vida desde julho, da situação atual, do que se foi, do que está, do que pode vir e do que quero que venha. falamos até de vinho, olha só, e ele disse que até meia garrafa por semana não interfere no remédio que estou tomando.

a uma certa altura falamos sobre o fato de que para algumas pessoas eu estou sempre com cara de irritado. é só aparência mesmo: não estou sempre assim. metade do tempo, talvez. daí ele falou que o fato de eu não rir muito (algo de que não gosto, mas não sei como mudar) se deve a um troço chamado distimia. até então, em oito meses de tratamento, ele não havia dado nome aos bois, e daí sugeriu que eu visse algo sobre isso na internet.

cinquenta por cento dos meus amigos são hipocondríacos da Wikipedia, e os outros 50, como diz o João Pereira Coutinho, não são hipocondríacos – apenas se recusam a acreditar que estão saudáveis. apesar disso, não foi lá que achei a melhor definição para a patologia, mas num blógue de alguém que a porta:

um tipo de depressão crônica, de moderada intensidade. a característica desse transtorno é o mau humor constante. as pessoas portadoras deste transtorno são de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica. estão sempre irritadas, reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas.

na mosca. não sei nem até que ponto o pragmatismo (que está, de certa forma, envolvido nisso) e o elevado senso de autocrítica são defeitos. de resto, acho que não tenho o relacionamento tão difícil assim: moderado, vai. não mordo ninguém, sou grosso em raríssimas ocasiões. mas enfim, a distimia (que tem fundo tanto físico-neurológico quanto emocional) é o que me caracteriza.

horas antes, a Ana Leila me disse que eu estou com uma cara bem melhor do que tinha uns meses atrás, e falou também que não se surpreenderia se eu não aguentasse (entenda como quiser). e que hoje não: ainda não estou alegre e sorridente como um cantor de ska (será que um dia eu fico assim?), mas já saí do cantinho do Slash – a beira do precipício, para você que não pegou o período histórico em que o Guns n’Roses foi a maior banda do mundo e o guitarrista tocava guitarra na beira do abismo em todos os clipes.

não há nada errado, tudo está errado: em algum ponto entre essas duas coisas eu um dia vou largar minha distimia e ficar bem. acredito nisso, de verdade… o copo pode estar meio vazio, mas a jarra está definitivamente meio cheia.

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