funilaria

faz tempo que não escrevo sobre música. continuo ouvindo… mas sem rigor nenhum. nos últimos tempos, tenho ouvido mais música clássica do que pop, tirando pelas férias. sempre deixo um disco do ciclo de sinfonias do Beethoven (presente de mestre Jonas) no carro, e ultimamente tem sido o terceiro, que contém a quinta e a sexta sinfonias.

a quinta pode ter sido banalizada pela quantidade de vezes que sua introdução tocou por aí. não tem problema: continua fantástica, e a introdução nem é o melhor momento – é o allegro. não conheço a fundo outras versões, mas essa do Karajan é sensacional. só que o disco tem a sexta sinfonia… que não é tão aclamada quanto a quinta, mas é minha preferida – ouvi no “Fantasia”, o desenho do Mickey, e nunca me esqueci.

parece que ela é chamada de “Pastoral” por evocar as sensações que se tem nos ambientes rurais. se for mesmo, desconfio que a roça austríaca de Beethoven seja um lugar idílico no qual quero morar pra sempre. porque olha, a obra é linda demais. no mais, comprei (barato) uma caixa de cds chamada Music & Painters, com trilhas sonoras de exposições de alguns artistas (Chagall, Courbet, Matisse, Picasso e o preferido da casa, Claude Monet). ainda não chegou, mas seis cds de clássico com um de jazz, inspirados nas obras dos caras, só pode dar em coisa boa – até no caso do Picasso, que não é dos meus preferidos.

outro que tenho ouvido é o John Coltrane, mais especificamente o “Blue train”. é cool, é animado, é bom para quando meu cérebro está mais acelerado. não tenho muito o que falar sobre ele, não conheço a fundo a obra do cara – mas o que ouvi, gostei.

passando para o pop, o disco da Melody’s Echo Chamber é um vício. pop francês com marcas de biquíni e distorção. a garota é namorada do Kevin Parker, do Tame Impala, que manda muito bem na bateria desse disco. o trabalho é irregular, tem várias coisas desnecessárias ou esquisitas demais – mas quando acerta, como em “I follow you” (melhor música do ano passado) e “Some time alone, alone“, é golaço. e se eu falar que a Melody Prochet ainda é linda…

também da França é o Nouvelle Vague, aquela banda com cantores convidados que faz covers fofinhas de músicas das antigas. baixei um disco deles de 2010, não me lembro do nome, e gostei. serve como chill-out sem eletrônica, para aqueles momentos em que você só queria estar à beira do lago, de bermuda, tomando um Chablis. algo assim é impossível no atual momento da minha vida (melhor não esticar essa parte), mas uma hora isso acaba.

e também tem uma coisa que estou ouvindo agora e que o Eduardo Palandi de quinze anos atrás me mandaria tomar naquele lugar se soubesse disso: progressivo. cresci punk para chegar aos trinta e descobrir coisas legais naquilo que abominava durante a adolescência. e não é nenhuma obviedade: ando ouvindo bastante o “Meddle”, do Pink Floyd, e o “Red”, do King Crimson. o primeiro é um disco bem dividido entre folk e pop (lado 1) e progressivo (“Echoes”, a suíte do lado 2), enquanto o segundo tem uma divisão bem parecida mas é mais coeso. a melhor música do “Red” tem 12 minutos e fecha o trabalho, “Starless“. conheci essa música porque o Brett Anderson disse numa entrevista que ela era fantástica; ouvi… e ele tem razão, mais uma vez.

mas que ninguém se engane: Pink Floyd, para mim, acabou em 1975, no “Wish you were here”. do “Animals” em diante, com o corno do Roger Waters à frente da banda, quero distância.

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