divã

Preciso me refestelar neste divã e me perguntar o motivo de gostar tanto de carros. Era para ser o contrário, pois a cada geração da minha família, os automóveis nos ferem de morte em acidentes traumatizantes.

Como arquiteto e urbanista, eu deveria liderar uma cruzada contra os carros, em prol da mobilidade urbana repensada nas grandes cidades e do transporte coletivo de massa.

Mas a verdade é que sou refém de um belo carro. Este carro nem precisa ser muito veloz, não precisa frear bem, não precisa fazer curvas feito um bólido de autorama, cravado numa fenda eletrificada. Basta me trazer a sensação de estar vivo.

Guiar um conversível numa estrada perdida é tão bom quanto cheirar uma taça de vinho e imaginar o sabor do elixir da juventude inundando as papilas gustativas. É tão bom quanto sentir o calor do molho pardo profanando a massa ao dente idealizada pelos italianos para ser servida com alho e óleo. Guiar um carro nestas condições, só não é tão bom quanto amar uma mulher.

E aqui com as minhas trocas de marcha, será que essa turma que lota o Congresso Nacional gosta mesmo de mulher? Eles deveriam arranjar um tempo maior para elas, ao invés de dedicarem suas vidas à busca incessante do poder pelo poder.

De todos os meus pecados, espero não ser condenado pelo fato de gostar tanto de carros.

um comentário de um leitor chamado JT, no AutoEntusiastas, fantástico. e isso porque o post em si já falava da ligação do desenho dos automóveis com a arte, uma associação real e de muito bom gosto.

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