rácio símio

nada como ler, entre os comentários do beyondbrics, blog do “Financial Times”, um que pega pesado:

Sometimes I wonder how much Brazil’s GDP would increase if the politicians and socialists/communists/environmentalists,etc. there were replaced by monkeys.

sem mais.

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conversa da treta

dediquei uma parte dos meus últimos domingos a ver filmes sobre vinho, já que descobri que gosto do assunto e me interesso mais do que deveria pelo processo até a chegada às prateleiras. no domingo retrasado baixei e assisti “Mondovino”, documentário de 2004 que ataca a pasteurização da bebida em prol de vendas. o filme pega pesado com gente graúda, como o produtor Robert Mondavi (que se dedica a um tipo específico de vinho, independente das uvas, porque sabe que é o preferido da crítica), o enólogo Michel Rolland (que percorre o mundo fazendo vinhos aos gostos da crítica), o crítico Robert Parker (que não é um cara pedante, mas que inventou um critério absurdo de dar notas de 0 a 100).

explicando um pouco mais: os críticos, liderados por Parker, começaram a ditar moda nos EUA e no resto do mundo, dando preferência a algumas uvas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz e Malbec, nos tintos; Chardonnay e Sauvignon Blanc, nos brancos) e a coisas como o envelhecimento do vinho em barris de carvalho (para pegar gosto de madeira), e em muitos casos isso significou a redução do plantio de uvas locais ou no abandono de métodos tradicionais de fazer vinho.

o filme mostra ainda algumas resistências a esse “gosto internacional”, especialmente na Borgonha. como é documentário, não tem um caráter muito refinado, mas mostra bem que a globalização teve um efeito colateral ruim na vinicultura.

no último domingo foi a vez de finalmente assistir “Sideways” do início ao fim. já tinha visto o filme uma vez, no Lago Norte, de madrugada, mas dormi durante metade dele. todo mundo conhece a história: um professor, na pior, embarca numa viagem com um amigo que se casa em uma semana, visitando vinícolas, jogando golfe e mexendo com mulher. filmaço. sem contar que o Miles, personagem principal, não bebe Malbec e adora Pinot Noir – uma uva também globalizada, mas menos difamada que as que citei acima, que crescem em qualquer lugar. o filme tem umas ponderações importantes sobre a vida, e deve ser legal morar perto de uma região vinícola de verdade (tchau, gaúchos). e a cena do resgate da carteira do Jack, o amigo que vai se casar, é hilária.

espero que eu ache mais uns filmes legais sobre vinho, o assunto rende. tenho até a ideia para dois documentários sobre, só falta descobrir quando rola de fazer…

funilaria

faz tempo que não escrevo sobre música. continuo ouvindo… mas sem rigor nenhum. nos últimos tempos, tenho ouvido mais música clássica do que pop, tirando pelas férias. sempre deixo um disco do ciclo de sinfonias do Beethoven (presente de mestre Jonas) no carro, e ultimamente tem sido o terceiro, que contém a quinta e a sexta sinfonias.

a quinta pode ter sido banalizada pela quantidade de vezes que sua introdução tocou por aí. não tem problema: continua fantástica, e a introdução nem é o melhor momento – é o allegro. não conheço a fundo outras versões, mas essa do Karajan é sensacional. só que o disco tem a sexta sinfonia… que não é tão aclamada quanto a quinta, mas é minha preferida – ouvi no “Fantasia”, o desenho do Mickey, e nunca me esqueci.

parece que ela é chamada de “Pastoral” por evocar as sensações que se tem nos ambientes rurais. se for mesmo, desconfio que a roça austríaca de Beethoven seja um lugar idílico no qual quero morar pra sempre. porque olha, a obra é linda demais. no mais, comprei (barato) uma caixa de cds chamada Music & Painters, com trilhas sonoras de exposições de alguns artistas (Chagall, Courbet, Matisse, Picasso e o preferido da casa, Claude Monet). ainda não chegou, mas seis cds de clássico com um de jazz, inspirados nas obras dos caras, só pode dar em coisa boa – até no caso do Picasso, que não é dos meus preferidos.

outro que tenho ouvido é o John Coltrane, mais especificamente o “Blue train”. é cool, é animado, é bom para quando meu cérebro está mais acelerado. não tenho muito o que falar sobre ele, não conheço a fundo a obra do cara – mas o que ouvi, gostei.

passando para o pop, o disco da Melody’s Echo Chamber é um vício. pop francês com marcas de biquíni e distorção. a garota é namorada do Kevin Parker, do Tame Impala, que manda muito bem na bateria desse disco. o trabalho é irregular, tem várias coisas desnecessárias ou esquisitas demais – mas quando acerta, como em “I follow you” (melhor música do ano passado) e “Some time alone, alone“, é golaço. e se eu falar que a Melody Prochet ainda é linda…

também da França é o Nouvelle Vague, aquela banda com cantores convidados que faz covers fofinhas de músicas das antigas. baixei um disco deles de 2010, não me lembro do nome, e gostei. serve como chill-out sem eletrônica, para aqueles momentos em que você só queria estar à beira do lago, de bermuda, tomando um Chablis. algo assim é impossível no atual momento da minha vida (melhor não esticar essa parte), mas uma hora isso acaba.

e também tem uma coisa que estou ouvindo agora e que o Eduardo Palandi de quinze anos atrás me mandaria tomar naquele lugar se soubesse disso: progressivo. cresci punk para chegar aos trinta e descobrir coisas legais naquilo que abominava durante a adolescência. e não é nenhuma obviedade: ando ouvindo bastante o “Meddle”, do Pink Floyd, e o “Red”, do King Crimson. o primeiro é um disco bem dividido entre folk e pop (lado 1) e progressivo (“Echoes”, a suíte do lado 2), enquanto o segundo tem uma divisão bem parecida mas é mais coeso. a melhor música do “Red” tem 12 minutos e fecha o trabalho, “Starless“. conheci essa música porque o Brett Anderson disse numa entrevista que ela era fantástica; ouvi… e ele tem razão, mais uma vez.

mas que ninguém se engane: Pink Floyd, para mim, acabou em 1975, no “Wish you were here”. do “Animals” em diante, com o corno do Roger Waters à frente da banda, quero distância.

divã

Preciso me refestelar neste divã e me perguntar o motivo de gostar tanto de carros. Era para ser o contrário, pois a cada geração da minha família, os automóveis nos ferem de morte em acidentes traumatizantes.

Como arquiteto e urbanista, eu deveria liderar uma cruzada contra os carros, em prol da mobilidade urbana repensada nas grandes cidades e do transporte coletivo de massa.

Mas a verdade é que sou refém de um belo carro. Este carro nem precisa ser muito veloz, não precisa frear bem, não precisa fazer curvas feito um bólido de autorama, cravado numa fenda eletrificada. Basta me trazer a sensação de estar vivo.

Guiar um conversível numa estrada perdida é tão bom quanto cheirar uma taça de vinho e imaginar o sabor do elixir da juventude inundando as papilas gustativas. É tão bom quanto sentir o calor do molho pardo profanando a massa ao dente idealizada pelos italianos para ser servida com alho e óleo. Guiar um carro nestas condições, só não é tão bom quanto amar uma mulher.

E aqui com as minhas trocas de marcha, será que essa turma que lota o Congresso Nacional gosta mesmo de mulher? Eles deveriam arranjar um tempo maior para elas, ao invés de dedicarem suas vidas à busca incessante do poder pelo poder.

De todos os meus pecados, espero não ser condenado pelo fato de gostar tanto de carros.

um comentário de um leitor chamado JT, no AutoEntusiastas, fantástico. e isso porque o post em si já falava da ligação do desenho dos automóveis com a arte, uma associação real e de muito bom gosto.

sabor

parece impossível, mas achei uma Nutella (creme de avelãs) mais gostosa que… a Nutella original. já tinha provado algumas deliciosas, como a da Godiva e a da Ovomaltine, duas belgas fantásticas, mas esse achado é recente.

trata-se da Nocciolino, feita por uma empresa italiana chamada Menz & Gasser. é o Trentino (região da Itália em que o alemão é a língua predominante) batendo o Piemonte, onde a receita da Nutella surgiu no pós-guerra, para fazer render o pouco cacau disponível ao misturá-lo com as avelãs. comprei no Oba da 109 Sul, por menos de 10 reais, e me surpreendeu.