relativo

na véspera de voltar da roça para Brasília, meu amigo Renan e sua namorada me visitaram em casa. ficamos conversando à porta, olhando para a rua, já alta madrugada. perto da casa da minha mãe foi feito um bairro inteiro, de população bem pobre, e que se interliga por meio de uma passarela que corta a rodovia Presidente Dutra. com isso, além das pessoas de bem que vão e voltam por ali, a rua passou a ser ponto de trânsito de noinhas, aqueles zumbis engatados em drogas que vagam por aí.

a uma certa hora da conversa subiu um cidadão, com blusa de frio e capuz, rumo a esse bairro. nada de errado, tirando pelo fato de que estava um calor abafado e que ninguém em sã consciência estaria de agasalho. mas sã consciência é algo que não está na mesma frase de um noinha. e o Renan disse “cara, tá vendo aquele ali de capuz? é o Caio”. só conheço um Caio em toda Deprelândia, e quis saber se era ele. “sim, é o Caio da GHD”.

cabe aqui um parênteses: GHD é a sigla para “gangue do hot dog” ou “garotos do hot dog”, nunca soube ao certo, uma gangue que se organizava perto de um carrinho de cachorro-quente na praça de baixo, mas que tinha ramificações fora do centro da cidade. cheguei a andar com o Caio quando tínhamos uns 10 anos, antes de ele entrar para a gangue. nunca tive notícias dele depois de uns 13 ou 14 anos, e aí está ele: engatado no crack, vagando pelas ruas deprelandenses. deu-me um desconforto ver o que aconteceu com ele… nem sei o que dizer sobre isso.

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