miau

a patroa tinha me falado que a Pietra faz anos hoje, dia 31, e eu tinha pensado em colocar hoje um vídeo dela, para comemorar o sétimo aniversário. mas aí a Lu pegou a certidão de nascimento da persa, e a data lá é 27 de outubro, que foi há quatro dias.

bom, o que vale é a intenção. parabéns, Pietra!

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esclarecido

gostei da coluna do JPC hoje, como quase sempre. e a ideia defendida é melhor ainda…

O tamanho não conta

Sérgio Dávila escreveu nesta Folha a favor da polarização em política. Será que o sistema brasileiro, com seus 30 partidos, é mais desejável do que o sistema bipartidário norte-americano, onde republicanos e democratas se alternam no poder? Dávila pensa que não – e pensa muito bem. Há anos que, em Portugal, travo a mesma batalha: a democracia lusa estaria melhor servida se existissem dois grandes partidos – um de esquerda, outro de direita – capazes de deterem maiorias sólidas e de serem solidamente responsabilizados por seus atos.

Não é uma batalha fácil: sempre que alguém levanta a bandeira do bipartidarismo, chovem acusações de fechamento democrático e de horror ao pluralismo. Em minha defesa, só posso invocar o nome de um dos maiores apologistas da “sociedade aberta”: o filósofo Karl Popper.

Em 1987, Popper, então com 85 anos, esteve em Lisboa para uma notável conferência sobre a sua vida e, em especial, a sua teoria da democracia. Sobre a vida, os fatos são conhecidos: nascido em Viena em 1902, Popper atravessou a Primeira Guerra Mundial; encantou-se com o comunismo; desencantou-se logo a seguir; assistiu, horrorizado, à ascensão do nazismo; e construiu uma impressionante obra filosófica no exílio.

Mas nesse encontro em Lisboa, o velho filósofo concentrou-se sobretudo na sua teoria da democracia. Para Popper, a democracia é um problema eminentemente prático e técnico. Ela procura saber como remover os maus governantes sem derramamento de sangue. Naturalmente que cabe ao povo, pela força do voto, essa punição exemplar. Mas Popper sublinhava que essa punição só é verdadeiramente exemplar –um “dia do juízo final”, dizia ele– em sistemas tendencialmente bipartidários.

A afirmação pode soar bizarra: o aumento do número de partidos deveria significar mais escolha, mais ideias em circulação, melhor distribuição de poder e influência. Um erro, avisava Popper. Para começar, a existência de muitos partidos traz dificuldades acrescidas à formação de governos coesos – para não falar do funcionamento e da duração desses governos.

Em Portugal, esse aviso é uma evidência empírica: desde a instauração da democracia, há mais de 35 anos, o país teve oito governos de coalização. Nenhum deles –repito: nem um– chegou ao fim do seu mandato. Só governos de um único partido o conseguiram. Aliás, o atual governo de coalização ilustra o ponto: eleito há pouco mais de um ano, as fissuras são já gritantes. Poucos creem na sua sobrevivência a curto prazo.

Mas há mais: sistemas pluripartidários tendem a conceder aos pequenos partidos um poder que pode revelar-se, ironicamente, antidemocrático. Se a democracia significa a escolha da maioria, não cabe a uma minoria determinar a vontade livremente expressa das maiorias. Os pequenos partidos, explicava Popper, acabam por adquirir um poder desproporcionado na formação de governos e no processo decisório desses governos.

Finalmente, o argumento de peso: enganam-se os que pensam que sistemas bipartidários têm menor flexibilidade ideológica. Os dois grandes partidos americanos, por exemplo, apresentam uma capacidade de reforma e autocrítica internas sem paralelo com qualquer outro sistema pluripartidário.

Essa capacidade – mais: esse imperativo de reforma e autocrítica – está diretamente ligada com a dimensão e o significado das derrotas eleitorais. Nos Estados Unidos, quem perde, perde a sério. A derrota não é apenas um prejuízo facilmente dissolúvel em dezenas de pequenos partidos. É uma derrota clara que exige uma resposta clara de explicação para essa derrota; e de busca de novas ideias para regressar ao poder.

Como dizia Popper, nas democracias bipartidárias os partidos vivem “em alerta permanente”. O que significa uma atenção redobrada (e permanente) às necessidades reais do país e, claro, ao comportamento do partido rival na forma como governa e nas decisões que toma enquanto está no poder. Bipartidarismo é maturidade, escrevia Dávila. Acrescento: maturidade e qualidade. Quem disse que o tamanho não conta estava só a pensar na quantidade das siglas partidárias.

tchau

Toda essa louvação apaixonada da proeminência da ação governamental não passa de um pobre disfarce para a autodeificação do intervencionista. O grande deus estado só é assim considerado porque se espera que faça exclusivamente aquilo que o defensor do intervencionismo gostaria que fosse feito. O único plano genuíno é aquele aprovado pessoalmente pelo próprio planejador. Todos os outros planos são meras falsificações. Ao se referir a “plano”, o que o autor de um livro sobre os benefícios do planejamento tem em mente é, sem dúvida, o seu próprio plano. Não lhe ocorre a possibilidade de que o plano implementado pelo governo possa ser diferente do seu. Os vários planejadores só concordam num ponto: na sua rejeição ao laissez-faire, isto é, a que o indivíduo possa escolher e agir. O desacordo entre eles é total, quando se trata de definir o plano a ser adotado.

Sempre que se lhes mostram os manifestos e incontáveis defeitos das políticas intervencionistas, reagem dizendo que essas falhas são o resultado de um intervencionismo espúrio; o que nós defendemos, dizem eles, é o bom intervencionismo e não o mau intervencionismo. E, é claro, bom intervencionismo é o preconizado por quem assim o qualifica.

Laissez-faire significa: deixem o homem comum escolher e agir; não o forcem a se submeter a um tirano.

(Ludwig von Mises, “Ação Humana”)

alface

não ando com vontade de escrever, tampouco assunto. é estranho, mas é assim. uma coisa não leva necessariamente à outra, mas entrei num círculo de não ter a menor vontade de escrever aqui.

dizem que gente feliz não escreve. eu não tenho nada a reclamar de muito forte na minha vida atualmente, só coisinhas pequenas. pode ser uma explicação. tenho poucas novidades: arrumei uma missão bem espinhenta para a vida profissional, a Kim precisa urgentemente de um banho por dentro e por fora, estou num nível de alienação tão grande que nem sei mais quando (e se) o Santos joga, tampouco os placares.

por uma coincidência, ontem vi meu Bayer Leverkusen tirar a invencibilidade do Bayern de Munique, mas é só.