jabuti

na semana passada um parlamentar ligou na Telerj, querendo uma audiência com o chefe supremo. ao contrário do que normalmente fazem, deram o bypass na minha área e ligou direto para a secretária do braço-direito dele, marcou o negócio e ficou por isso. não sabíamos da agenda, até que um belo dia o braço-direito do chefão nos ligou e disse que queria a presença de alguém da área na reunião; não só isso, ainda mandou que ligássemos no gabinete do figura e descobríssemos que diabos ele queria – porque, atenção, a audiência foi agendada sem que o solicitante dissesse o que queria.

liguei na secretária do chefe, que me informou que o encontro não era no dia 1º mas no dia 3, em horário também diferente. ela me informou o contato do outro lado e liguei lá. a secretária já começou dizendo “que bom que vocês ligaram, preciso remarcar de volta para o dia 1º”.

ahn?

tudo bem, tudo bem: a gente remarca. mas eu precisava saber o propósito da reunião. preguiçosamente, ela consultou a caixa de entrada de seu email e falou “é em relação à notificação XXXXXXXX”. perguntei qual era a área ou a questão reclamada, e nem isso a secretária sabia. pedi para que ela verificasse com o chefe ou com algum aspone por dentro do assunto, deixei meus contatos e desliguei. daí liguei para as duas secretárias (a do chefe e a do braço-direito) para botá-las a par do pedido para voltar a reunião à data original, e surpresa: a do braço-direito nem sabia que ela tinha sido remarcada. sincronizei as duas, confirmei a reunião e comuniquei à secretária do parlamentar, indagando se já havia alguma resposta sobre o propósito da reunião: nada.

ai ai.

dias se passaram, e descobrimos que o número da notificação era relacionado a uma área meio outsider, porque não tratava de serviços, mas de coisas tributárias. achei os responsáveis pela área e pedi-lhes que me explicassem do que se tratava o documento, e o que poderia ser que não um calotezinho? levantando dados sobre a empresa caloteira, vimos tratar-se de uma emissora de tevê. mas não uma qualquer, e sim um canal que vende espaço na programação para quem quiser comprar – inclusive grupos religiosos que elegem seus membros para cargos políticos.

comuniquei isso à chefe e manifestei a suspeita: estão vindo aqui pedir para aliviar ou para simplesmente deixar disso. ficou acertado que ela e eu iríamos representar nossa quitanda na reunião, fiz a barba, vesti o terno pela primeira vez no ano… para, horas antes da reunião, a secretária do solicitante dizer que a audiência estava cancelada, que o cara nem estava aqui no DF, que ele SEQUER SABIA do agendamento e que FOMOS NÓS QUE O PEDIMOS.

diz aí, é de lascar, não?

analisando friamente a questão, era de se esperar o no show: como bem sabe muita gente esperta, como o Daniel Chipotle, a sessão legislativa começa no dia 2/2, amanhã. sendo assim, por que ele estaria em Brasília no dia 1º? e, se o dia 2/2 começa numa quinta-feira, por que não enforcar tudo e só aparecer na terça-feira da semana seguinte?

tudo bem, é um post burocrático. mas é só para falar um pouco da vida, o que tem faltado por aqui. e para falar da prática anciã da simpatia com o chapéu dos outros, uma comum por essas bandas (e por tantas outras, claro).

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