inóspito

como católico e conservador que sou, não gosto da revista Vice, mas não posso deixar de recomendar um documentário, em três partes, produzido por eles: na verdade, é o guia de viagens à Coreia do Norte. produzido em 2008, o programa dá novos ares ao que se entende por bizarro, e vale a pena ser assistido até o final. até porque a parte 3 é a melhor: bêbado, o narrador canta no caraoquê nada mais nada menos que “Anarchy in the UK”, dos Sex Pistols, e em outro momento ele assiste, na tribuna de honra, a um show feito por 120 mil pessoas, contando a história da “revolução coreana”.

sério: bizarro e surreal é pouco.

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espetinho

já que estou em Deprelândia, curtindo os 53 graus à sombra (e sem vento) que faz por aqui, resolvi que era hora de combater essa tal depressão que me foi diagnosticada. acordei cedo para uma consulta médica, com uma doutora chegada em decorações indianas. apesar disso, o diploma dela não é da Universidade Federal de Bombaim ou coisa do tipo, mas enfim… ela escreveu uma folha inteira do que eu ia contando (nada de mais) e me colocou numa maca; acupunturista, aplicou-me 50 agulhas de sua terapia e me deixou lá, curtindo os furos. na volta, prescreveu-me dois fitoterápicos para ansiedade, ambos da Weleda, e me disse para voltar amanhã cedo, para nova sessão de acupuntura e a prescrição de exames.

na saída, Otto me mandou a notícia de que o infame concurso do Senado acontecerá em março, contra o prognóstico inicial que dava a prova para agosto. não quero isso da minha vida, mas se é para fazer algo que me deixa mal (como o trabalho atual), que seja com o maior salário possível, então é preciso tentar. a patroa gostou do fato de a prova ser tão antes, já que considera dois meses e meio o tempo necessário para decorar tudo e não ficar se perdendo nos estudos.

de volta em casa, tomei os fitoterápicos, almocei… e desmaiei na cama, mesmo com os 55 graus à sombra (e sem vento) do quarto onde estou. só emergi de lá três horas depois, mole e me sentindo bem descansado, e espero que isso ajude a recuperar minha concentração, minha memória e meu ânimo – e que me ajude a pensar num desfecho melhor para as coisas que andam me deixando mal.

parente

quatro anos atrás, como alguns aí podem se lembrar, conheci meu avô paterno, João. forte como um touro, e arredio ao convívio social como sempre foi ao longo da vida. é estranho lembrar que venho dele, já que nosso contato ao longo da vida foi tão pouco. essa semana voltei lá e o vi mais uma vez: ele viu meu tio entrando, olhou para mim e logo perguntou “quem é você?”.

e olha, ele não tem Alzheimer. estranho ouvir isso de um avô que não tem isso, mas é a vida. conversamos sobre o reboco do telhado, o papelão do Santos perante o Barcelona (ele também é santista), sobre Brasília, sobre o dedo quebrado dele – em um acidente durante a reforma da casa, e o dedo, inchado que só, não foi sequer imobilizado com aquelas tipoias metálicas. na saída, disse a ele que quero chegar à idade dele (86 anos completados em 1º de setembro último) com a mesma saúde, e ele assim desejou e me deu a bênção.

é, vô… o senhor é o tipo da pessoa sobre a qual não sei o que pensar.