let’s go

umas coisas legais…

– em Toronto, brechó virou mainstream. de verdade, a ponto de trazer gente de outros lugares;
– por aqui, descubro, extasiado, que o mestre Juca Chaves já teve um Lancia Flaminia. sim, ele já teve setenta e tantos carros fantásticos, mas ele é o único brasileiro que sei que teve minha viatura preferida de todos os tempos;
mais uma página legal sobre moda para homens;
como sobreviver um mês à deriva, igual dois caras de Kiribati conseguiram.

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geral

O argumento adulto é que a felicidade depende da estabilidade. Percebo essa identificação, reconheço que faz algum sentido. Mas não é a minha experiência. Só fui feliz quando estava instável, e sempre que encontrei a felicidade encontrei-a na vizinhança da infelicidade, entre enigmas e perigos. Longos períodos estáveis, por opção ou cansaço, nunca me trouxeram felicidade alguma. A estabilidade gera estabilidade, que gera tédio. E o tédio não é vida. Só me senti vivo em momentos instáveis, nos quais era me impossível separar a infelicidade e a felicidade, o medo e a glória. O argumento adulto não me serve de nada.

Pedro Mexia, O CARA.

curau

I visited Iggy [Pop] in the studio. Somebody showed us a clipping with a personal ad, a young woman looking for “a man with the mind of Leonard Cohen and the body of Iggy Pop”.

We wrote a polite letter suggesting we meet sometime, both signed it and placed my telephone number under it.

The girl answered. Unfortunately, her only interest was in leading profound conversations.

Leonard Cohen, o gênio. fazia tempo que eu procurava essa história, só hoje achei uma página que contasse como foi.

berimbau

peguei (de graça, na portaria do meu prédio) um exemplar da nova revista do shopping Iguatemi. na capa, um grupo de famosos, todos vestidos de branco. inclusive a Bebel Gilberto, que vi ontem, no programa do Amaury Jr., com ambos bebaços e cheiradaços. muito engraçado:

mas não basta isso para uma capa ser vacilo. tem que ter algo mais constrangedor, e tem mesmo: citação da Clarice Lispector, a escritora mais chata de todos os tempos da língua portuguesa. o que torna ainda mais atual a campanha que o Bruno me enviou:

o Rogério Ceni da literatura brasileira, diria Milton Leite

massa

no sábado passado, depois de acordar feliz com a ida ao Bar Secreto, eu e a patroa ficamos enrolando no hotel e não saímos para tomar café da manhã (não estava incluso na diária). mas como havia a Casa do Brownie bem defronte ao hotel, foi nossa primeira escala assim que descemos, no final da manhã. se o brownie da Boulangerie da 306 Sul é ortodoxo, os dessa casa especializada são de todo tipo que se pode imaginar: com massa crua por cima, com recheio de doce de leite, com brigadeiro, para comer de colher… é absurdo. e é muito bom: não comemos muito, já que estava perto da hora do almoço, mas o suficiente para nos manter enquanto dávamos um rolê pelas imediações da Oscar Freire.

é, Oscar Freire, aquele nome que virou sinônimo de coisas bonitas e que geralmente vem associado a esnobismo, gente diferenciada, ostentação. muito disso procede, mas dá para gostar dessas coisas sem ser afetado. uma parada na Livraria da Vila, cuja loja na Alameda Lorena é um prodígio de arquitetura e de conteúdo, depois uma galeria com algumas barracas, tipo um BSB Mix, e a sucessão de lojas fantásticas. terminou com um almoço no Santo Grão (meu picadinho estava bem… ahn, “exótico”) e a Cláudia Ohana almoçando junto a um cover do Breno a umas três mesas.

cabe aqui um parênteses: a patroa tem feito com que eu beba café. “tem feito” é jeito de dizer, eu acabo tomando sem ser coagido, e é bom que seja assim: acho um saco tomar café no trabalho, junto com os funcionários públicos, por melhor que seja o café (e não é grande coisa).

voltando, passamos na Casa Santa Luzia e saímos de lá com vários chocolates e água; a essa altura, a Lu não estava se sentindo muito bem e voltamos para o hotel. à noite, com ela recuperada, fomos encontrar Jonas e Elisa no Conjunto Nacional e de lá fomos ao La Tartine, um bistrô bem gostoso perto da Consolação. não os via desde o show do Radiohead e ficamos falando de intrigas editoriais, corporate bitching, estantes cheias, questões judaicas (nenhum de nós é judeu, mas e daí?). ganhei deles um exemplar da última Dicta & Contradicta, e de lá voltamos para o hotel antes de sair de novo.

isso foi um erro grave, já que normalmente a gente apaga se fizer isso – e foi o que aconteceu. não fomos ao Alley, já que apagamos enquanto assistíamos a RAI – nessa ocasião, descobrimos que o “Fantasia”, aquele programa que o SBT passava, foi inspirado num programa italiano chamado “50 mulheres”, do qual vi umas imagens de arquivo no canal.

no dia seguinte, nada muito profundo: café da manhã na Benjamin Abrahão (de onde a Pão Dourado, de Brasília, retirou sua logomarca) e almoço com meu cunhado e sua senhora no Ritz. o chefe, que come lá pelo menos uma vez por semana, sugeriu os clássicos bolinhos de arroz e o filé à milanesa com creme de espinafre e fritas, o que segui. a patroa foi de agnolotti de muçarela de búfala ao sugo, que tinha um toque de laranja.

minha escolha foi boa, mas a dela dava de dez. não, de vinte. pqp, que massa deliciosa.

não quis a sobremesa (mas tomei outro café) e de lá fomos ao aeroporto de Guarulhos, já que no sábado a Avianca havia cancelado nosso voo alegando motivos técnicos – eles devem querer que acreditemos que o avião quebrou com um dia e meio de antecedência. no caminho, passando em frente ao CT da Molambada. numa das paredes do lugar lia-se a frase “PROPRIEDADE DA NAÇÃO CORINTHIANA”, em letras suficientemente grandes para que qualquer um na rodovia Ayrton Senna lesse.

chegando mais perto de Cumbica, ao ver os dois presídios daquela região, disse à patroa que esses dois prédios também eram propriedade da nação corinthiana. minha cunhada, ingênua que só, perguntou ao marido se o Corinthians tem presídio, e no banco de trás eu consegui me segurar para não explodir de rir da coitada. uma piada involuntária para encerrar com chave de ouro o final de semana em São Paulo…

bupropiona

Quando Quintana tinha cinco anos, seus pais chegaram em casa certa noite para descobrir que ela havia chamado um psiquiatra de uma clínica das redondezas para perguntar a ele o que deveria fazer se estivesse ficando louca. Cerca de um ano depois, perplexo, o casal descobriu que ela havia ligado para a 20th Century Fox para perguntar o que era preciso para se tornar uma estrela de cinema.

isso aí é de um texto do “Valor Econômico” sobre o novo livro da Joan Didion – Quintana é a falecida filha dela. uau.