ítrio

na madrugada de sábado para domingo, provavelmente às quatro ou cinco, escutei um barulho forte de freada, seguido por um estrondo. depois ouvi uma buzina, duas, e uma terceira… que durou cerca de dez minutos.

esparrado de sono, blasfemei uns palavrões contra o autor de tamanha perturbação à ordem pública (acordar os outros é contra o amor cristão) durante todo o tempo em que escutei a maldita buzina. curioso com o que teria acontecido, perguntei hoje ao porteiro o que era aquilo, e uma suspeita que desenvolvi ao longo do domingo se confirmou: o imbecil do condutor conseguiu subir no balão entre a 306 e a 307 sul e foi parar numa árvore. saiu ileso, mas o carro pegou fogo. não havia nenhum outro veículo, tampouco a pista estava lisa a ponto de aquaplanar.

explicação para isso? álcool, muito álcool… e, provavelmente, uma péssima educação de auto-escola. tá difícil…

Anúncios

boca-de-urna

a conexão do indie com a política foi ainda mais longe no Reino Unido, mês passado, durante as convenções dos partidos. O primeiro-ministro conservador David Cameron chegou para fazer seu discurso na convenção dos Tories ao som de “All These Things That I’ve Done”, do Killers. Cameron, que também é fã de Radiohead, REM e Smiths, chegou a ser “desautorizado” por Morrissey e Johnny Marr a gostar da banda, anos atrás.

na Popload, o rrrróque no poder.

semana

quando cheguei de Paraibuna, na segunda-feira à noite, constatei que a despensa estava vazia. fiz um inventário do que precisaria comprar, peguei a chave da Kim e desci para botá-la em marcha até o supermercado. apertei o botão para destravar as portas… e nada. tentei duas, três, seis vezes… e nada.

eram 21 horas e chovia leve. tirei o ferrinho de dentro da chave por infravermelho, coloquei-o na porta e consegui entrar. recoloquei-o na chave, inseri-a no contato… e nada. não se mexia. um problema na ignição sugere bateria fraca. mas como? não me lembrava de ter deixado nada ligado nela, como o som, por exemplo.

olhei do lado para ver se achava alguma pista. atrás do banco do carona, senti o chão todo molhado. foi o suficiente para entrar em pânico: meus dois grandes medos com a Kim envolvem problemas de lubrificação (o óleo fora trocado duas semanas antes, então sem problemas) e o piso brasiliense destruir a suspensão – o que incluía, por exemplo, rachar o assoalho e permitir a infiltração de água.

sem ter como sair para comprar comida saudável e sem conseguir o telefone do Sushi Loko (a página na internet nada fala sobre entregas), pedi uma pizza e constatei que a terça-feira seria um longo dia.

bem cedo, liguei para o seguro e solicitei que enviassem alguém para dar uma carga na bateria, enquanto enfrentava a chuva fina e ia à pé na 109 Sul comprar comida. mal subi com as sacolas e o motoboy do serviço elétrico automotivo chegou. abrimos o porta-malas, onde a bateria se esconde, ele pegou um amperímetro e constatou que estava sem carga; conectou os cabos e fez o serviço rapidamente.

então ele disse para que usasse a Kim durante pelo menos meia hora, que era o tempo de a bateria carregar. sem ter onde ir ou o que fazer (eu estava de férias, certo?), só pensei em levá-la à Clínica do Carro, onde faço a manutenção. lá chegando, contei meu drama a um dos donos da oficina, que levou-a para dentro e tratou de me tranquilizar: não era o assoalho nem qualquer outra coisa na suspensão.

o problema era na porta direita, que estava desalinhada com a carroceria, e isso permitia a entrada de água por uma fresta. ele então abriu a porta, apertou-a e deixou-a totalmente alinhada com o resto do carro. colocou, ainda, jornais no lado direito do carpete, inundado, instruindo-me a trocá-los sempre que o noticiário se encharcasse. e não cobrou nada por isso.

na terça-feira, se bem me lembro, troquei os jornais por seis vezes, aproveitando umas velhas edições de “O Estado de S. Paulo” guardadas – não compro o “Correio Braziliense”, que de tão ruim só serve para que a Pietra, gata da patroa, faça xixi em cima (ela adora a gramatura do papel em que é impresso o periódico candango). na quarta-feira, mais umas quatro vezes, e mais umas três na quinta e na sexta.

mas a água estava longe de acabar.

jantando com Otto e Carol, eles me sugeriram levar a Kim a uma lavagem completa naquelas empresas que ficam em estacionamentos de shoppings, o que fiz sábado, na Restaucar do Brasília Shopping. como teria, cedo ou tarde, de hidratar os bancos, pedi que isso também fosse feito. deixei o carro lá, peguei um baú para casa e voltei depois de quatro horas, sendo esfolado em R$ 200.

mas nunca vi a Kim tão limpa. sério. melhor de tudo, ela estava seca, e embora o dono da Restauracar tenha me dito que poderia haver ainda mais água se acumulando (e que eu poderia voltar lá para aspirá-la), até agora muito pouco apareceu. felizmente.

daí foi só encher o tanque e me divertir de novo. e eu continuo não me arrependendo de ter escolhido um carro de 12 anos ao invés de um Fiat 500 zero-quilômetro – aliás, em nenhum momento desta guerra hidráulica eu me arrependi :)

um dia

levei três dias (a noite de quinta, a noite de sexta e toda a tarde de hoje) para ler “One Day”, do David Nicholls, o primeiro livro que leio em inglês – apesar de me considerar fluente na língua há uns dez anos e de assinar duas revistas em inglês, além de ler na internet uma porrada de material na língua de Shakespeare, São Thomas More, Churchill e Brett Anderson, dentre outros grandes nomes.

levei três dias para chegar agora, domingo à noite, e, com os olhos vermelhos, ter ficado com ÓDIO (em maiúsculas) do final do livro. ÓDIO. li rápido assim porque o filme já vai estrear e porque o livro é excepcional, é muito bom, você não consegue parar de ler (li 220 das 435 páginas hoje)… mas o final dá ÓDIO.

que merda.