nove

é, aguentei quase nove anos neste blógue sem colocar aqui um dos grandes clichês de blógues de gente que gosta de rock e de filmes de fora do circuito. você sabe, todos os blógues já colocaram algo sobre “Trainspotting”, “Clube da luta” e “Pulp Fiction”. todos. por isso mesmo não coloquei no meu.

mas, do jeito que a minha vida anda, nada é melhor para ilustrar o momento do que o monólogo de abertura do “Trainspotting”. troque a heroína pelo serviço público (dificilmente alguém abandona), Edimburgo por Brasília, o traficante por um dos seus chefes (ou por todos eles, de repente) e “Lust for life” por um email com um Powerpoint anexo, com Kenny G e reflexões sobre a vida, enviado por alguma secretária de outro andar que só bateu o ponto hoje porque pensa em quando se aposentar, daqui a longínquos seis anos.

é mais próximo do que parece.

tópico

tinha algumas esperanças para a reunião de hoje, transformada em almoço. falei o que precisava falar, ouvi algo aquém do que queria, mas algumas sugestões bem úteis. difíceis de operacionalizar, é verdade, mas que de alguma forma eu preciso acertar.

bem que tentei conter as expectativas. não consegui, talvez pela aflição que me dá na hora de voltar… e ver que está tudo ali, tudo aquilo que tanto desprezo e que me promete uma morte burocraticamente dolorosa. alguém vai dizer que é drama da minha parte e que não há nada de errado ali, mas trata-se de uma bomba de efeito diferido, um cenário inofensivo para quem passa dias ou algumas semanas, mas uma Chernobyl cujo efeito torna-se exponencial ao longo do tempo para quem fica.

eu estou falando do meu trabalho.