ontem

a primeira semana depois de ter voltado das férias foi bastante movimentada no trabalho, para os padrões da Telerj. mas na sexta-feira eu já estava achando pouco, e querendo mais.

a semana passada, por causa do feriado, foi morta. e ontem à tarde, sabendo que as coisas tinham voltado ao normal, com quase nada para fazer, me bateu um desespero.

demorou quinze dias, mas eu me lembrei de uma coisa: preciso sair daqui urgentemente.

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bacio

Adolescente faz estranho desistir de suicídio com um beijo

Bastou um beijo para que um homem que estava prestes a se suicidar mudasse da ideia. A história aconteceu em um shopping center em Shenzhen, na província de Guang, na China.

O jovem, não identificado, tinha uma faca, e parecia realmente disposto a fazer uma besteira. Mas aí surgiu Liu Wenxiu. De acordo com o site Orange News, ela não conhecia o sujeito, mas decidiu que iria fazer alguma coisa quando viu que ele estava escalando uma barreira para chegar ao andar mais alto do prédio. E pensou rápido.

“Ele estava do lado de fora da barreira e segurava uma faca contra seu peito, mas ninguém parecia estar tentando falar com ele. Eu queria ajudar, mas sabia que a polícia não ia me deixar passar, então eu menti e disse que ele era meu namorado e que queria se matar por minha causa”, contou a chinesa.

O truque deu certo e ela conseguiu se aproximar. Ela então conversou com o rapaz e descobriu que ele estava deprimido porque fazia parte de uma família despedaçada. “Eu também sou de uma família assim e o entendi perfeitamente. A história dele me tocou e eu me senti como se realmente fosse sua namorada e pudesse ajudá-lo”, disse Wenxiu.

E, pelo jeito, tocou mesmo. Tanto que ela abraçou e tascou um beijão na boca do suicida, o que fez com que ele se distraísse, dando tempo para que os policiais tomassem a faca de suas mãos e o tirassem da área de risco.

Se depois disso os dois realmente viraram namorados, porém, o site não informa.

tábua

ando com pouca vontade de escrever ou de falar. só de ouvir, de preferência em volume baixo. não aconteceu nada, não há com que se preocupar. o final de semana foi dedicado ao social, ou melhor, a fazer a social. é bom, mas o corpo pede descanso, estou me sentindo um pouco zumbi. se eu abrir a boca hoje, pode ter certeza, é para bocejar.

quebra-pau

essa aqui saiu ontem no Estadão…

O “falklander” argentino

Os biógrafos de Willem de Kooning, artista holandês que migrou para os EUA, mas vivia com a alma dividida entre Europa e América, escreveram que “todo imigrante se quebra; magnificamente, às vezes”. Não se sabe o que o pintor britânico James Peck pensa do mestre do expressionismo abstrato, mas ele acabou de ganhar cidadania argentina e, de quebra, quase provocou um conflito diplomático.

A história de Peck seria uma das mais cotidianas, mas – por um mero acidente geográfico, potencializado por feridas históricas e ambições eleitorais – ela acabou tomando proporções internacionais, quase trágicas. Peck casou-se com uma argentina, de quem se separou há 18 meses. Hoje, ambos moram em Buenos Aires; Peck em uma casa e sua ex-mulher e os dois filhos do casal, em outra. Até aí, nada demais.

O problema é que Peck nasceu nas Ilhas Malvinas – ou Falklands, como preferem os britânicos -, aquele pedaço de nada no Atlântico Sul que foi pivô da brevíssima e inglória guerra entre Grã-Bretanha e Argentina, em 1982. O conflito acabou em apenas dez semanas, mas a guerra, ainda não. Com o casamento desfeito, Peck vinha enfrentando obstáculos para permanecer em solo argentino, mesmo sendo pai de filhos com cidadania binacional. Para não abrir mão da convivência com os filhos, o jeito foi abrir mão de parte da sua identidade.

Semana passada, Peck tornou-se cidadão argentino. Nada demais, em um mundo globalizado, onde milhões de pessoas cruzam fronteiras e trocam de pátria. Mas o feito ganhou tintas políticas quando a presidente Cristina Kirchner subiu ao palanque no aniversário da Guerra das Malvinas para apresentar pessoalmente a carteira de identidade de Peck. O pintor ainda posou ao lado de Cristina e o retratos dos dois – ela de sorriso soberbo, ele boquiaberto e com ar de fadiga – correu o mundo.

Pegou mal. Especialmente em Port Stanley, cidade natal de Peck e capital das Malvinas, das quais Argentina jamais desistiu e insiste em reaver. Logo: “Traição!”, bradaram os “falklanders”, como se chamam os nativos da ilha desde o tempo da rainha Vitória. Os mais exaltados até o ameaçaram de morte, segundo Peck. “As Falklands são da Grã-Bretanha”, afirmou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e “ponto final”. “Estupidez!”, retrucou Cristina. “No século 21, a Grã-Bretanha continua um poder colonial tosco em decadência, pois o colonialismo está fora de época além de injusto”, declarou.

Para piorar, Peck não é um falklander qualquer. É filho de Terrence John Peck, ex-policial e espião de guerra, herói eterno dos habitantes das ilhas – que o condecoraram por sua resistência aos latinos. Logo, Peck, que se desdobrava para evitar uma tragédia pessoal, se achou o “inocente útil” de um imbróglio intercontinental, à mercê de ranços políticos, demagogia eleitoral e vaidade. As relações entre Argentina e as Malvinas foram normalizadas há mais de uma década, mas “repatriar” as ilhas é ponto de honra na Argentina, ainda mais em campanhas eleitorais. E, embora Cristina esteja bem colocada para conquistar a reeleição na próxima votação, em outubro, empunhar a bandeira azul celeste contra um império invasor não faz mal.

O que o herói de guerra acharia de tudo isso? Terry Peck morreu em 2006, mas não antes de ver decolar a carreira de seu filho, prestigiado por seus retratos comoventes dos combatentes da Guerra das Malvinas.

Não acompanhou James em sua exposição de estreia, em Buenos Aires, mas, por causa do filho, acabou amigo do peito de outro veterano da guerra, o argentino Miguel Savage.

Até o fim de sua vida, o herói das Falklands sofreu com as sequelas da guerra, mas conseguiu vencer os demônios pessoais e políticos e até abraçar o inimigo. Quem dera agora, 29 anos depois, os governantes fizessem o mesmo.

afterglow

oi, tudo bem? estou mais leve hoje, depois de uma semana de tensão por causa do jogo do meu Santos, decidindo a Libertadores desse ano. não foi a primeira vez que vi meu time ser campeão (foram três outras oportunidades nos últimos dez anos), mas foi apenas a segunda vez que fiquei tão tenso por causa de futebol.

a outra vez tinha sido em 2003, quando não deu para bater o Boca Juniors na final do mesmo torneio. mas agora, que bom, o final da história foi diferente.

antes do jogo, liguei para o meu pai e disse que estava tenso. ele me falou para relaxar, que o time era bem superior ao Peñarol e que, se o juiz não roubasse acintosamente para o time da terra do Fabiano, o Santos ganharia. e quem sou eu para contrariar meu pai nessas horas? o jogo começou, o Thiago veio para casa e assistimos a um primeiro tempo feio e sem muito futebol.

no intervalo, de saco cheio da atuação santista no primeiro tempo e mandei a dieta às favas, comendo um pouco de chocolate e bebendo uma dose de uísque (o Reinaldo Azevedo foi quem falou da combinação, e eu gostei). aí meu decodificador da Net resolveu que era hora de atualizar software, bem no intervalo da final da Libertadores, e ficamos uns cinco minutos aguardando a belezinha. quando o sinal voltou, faltava um minuto para acabar o intervalo.

e um minuto depois o Santos abriu o placar.

empolgado, bebi logo o destilado e fiquei ali, com o coração na mão. quando saiu o segundo gol, um alívio começou a tomar conta de mim, embora o gol contra (autogolo, se você está do outro lado do Atlântico) tenha voltado a me deixar tenso. o Santos era superior, mas jogando com dez fica difícil – sinto muito, mas o Zé Eduardo, que agora vai perder gols em Gênova, só era escalado porque provavelmente era o churrasqueiro do time e não deixava a picanha passar do ponto.

quando acabou, veio a paz. só para mim, porque aí começou o UFC Pacaembu e, enquanto falava ao telefone com o meu pai (“eu falei para você não esquentar a cabeça”), assistia ao panqueide. é até engraçado, hoje, ler o The Sun e entender como um jornal da terra dos hooligans finge tão bem estar chocado com uma treta dessas.

daqui a seis meses o Santos vai ao Mundial de clubes, onde pode enfrentar o Barcelona (há um jogo antes, ao contrário do que alguns gaúchos pensam). mesmo se não ganhar, já está de ótimo tamanho – mas é claro que eu quero que ganhe. prepara-te, Iocoama!

lol

my father, a retired college professor, is responsible for one-liners, which are about one-third hilarious, one-third predictable and one-third groaner. Here’s one from this week:

In a small-town cafe, an upbeat pop song in Croatian comes on the radio.

Me: This is a kind of catchy tune.
Dad: I love the lyrics.

Seth Kugel, colunista de viagens do “New York Times”, falando sobre o senso de humor de seu pai, em visita à Croácia.