cesta

continua o declínio do cd, e eu continuo comprando cds. os últimos a chegarem foram:

esse é um clássico: “Melody AM”, do Röyksopp (2001), é um dos dez melhores discos da década passada – quaisquer que sejam os outros. já falei dele várias vezes e ainda devo um texto completo, mas quem falar em lounge contagiante sabe que é por aí. na Amazon Marketplace UK, paguei 1 pence (UM PENCE!) mais £ 3,58 de frete, o que perfaz aí uns 11 reais.

como tenho meu lado corno cromático, nada melhor que o “Forever Blue”, do Chris Isaak (1995), um tratado de fossa. quem me ensinou a gostar desse disco, dez anos atrás, foi dona Lucia Sano, que não tem blog. aliás, cadê a moça? o disco custou 13 reais, também na Amazon Marketplace UK.

outro exemplo de tratado para cornos cromáticos é esse aqui: “The Red Thread”, do Arab Strap. saiu em 2001 e tem letras extremamente pesadas, pervertidas, quase descambando para o nojento. paciência… infelizmente alguns relacionamentos são assim. esse saiu por R$ 17 no eBay.

ah, desses aqui eu adoro falar. ontem, no carro, Lúcio disse que acha o “Whatever people say I am, that’s what I’m not”, estreia dos Arctic Monkeys, o melhor disco da década. eu não acho, mas os dois discos seguintes podem facilmente entrar no top 10 dos anos 2000. então ele me mandou comprar o primeiro, mas fui até a loja hoje e não tinha. em compensação, uns dias atrás peguei o compacto de “Leave before the lights come on”, música que não saiu em disco e marca o momento em que o Alex Turner aprendeu a cantar. mas vou dar mais uma chance ao primeiro disco, quando o encontrar. esse compacto saiu a R$ 14 no eBay inglês.

então: fui até a Livraria Cultura do Lago Norte buscar o primeiro dos Arctic Monkeys e não tinha. mas sair dali com as mãos abanando? não. na sexta, no hotel, o Lúcio me perguntou se já tinha ouvido o novo do Kills. não tinha, ele me mostrou umas músicas… e eu gostei bastante. a ponto de achar que vale os R$ 27,20 que me cobraram.

janeiro

como não podia ser diferente, o chefe mandou muito bem na discotecagem ontem à noite. populista, mas cheio de novidades, e capaz de encher a pista. e os outros DJs da Play!, antes e depois, só repetiam clichê atrás de clichê…

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assisti um pedaço desse episódio do programa do Jamie Oliver e senti vontade de fazer essa receita em casa. é linda, mas eu demoraria no mínimo uma hora para fazer tudo, apesar do programa afirmar que as duas, mais a de salada de beterraba e a de cogumelos, ficam prontas em 30 minutos.

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o primeiro dia da dieta de desintoxicação está correndo bem, apesar de a tentação parecer ainda maior. ela está por aí, e me lembra disso a todo momento. mas estou sendo forte e sobreviverei até segunda – apenas para descobrir que quarta tem de novo. nhé.

FAQ life in slow motion

já que ultimamente meus posts andam sendo muito descritivos e/ou objetivos, vou voltar à fase antiga e falar um pouco de sentimentos. deu vontade de escrever enquanto eu dirigia de volta para casa. se alguém quiser fazer alguma pergunta, deixe nos comentários. só não responderei às que me fizerem corar, afinal de contas eu tenho pudor.

1. de onde surgiu o nome “life in slow motion”?
da última música do último disco do Suede, minha banda preferida.

2. Suede? não tem vergonha de gostar de uma banda “série B” do britpop?
– não. primeiro, porque o Suede tem mais discos antológicos que o Oasis (4×2). segundo, porque qualquer música da coletânea de lados B deles detona qualquer música da carreira do Blur. o Pulp é uma ótima banda, eu adoro, mas não rola a mesma identificação – eu sei do que o Brett Anderson está falando quando ele canta “Still life ” ou “Another no-one “, por exemplo.

3. qual é a deste blógue?
– essencialmente, registrar o que acontece (pode ser útil para uma autobiografia) e exorcizar sentimentos – os bons, os ruins, as indiferenças.

4. e não cansa, depois de quase nove anos?
– eu não tenho muito assunto mas, por incrível que pareça, não cansa.

5. “não tenho muito assunto”? explique-se.
– é, oras: minha vida é bem previsível. a graça está em buscar as instabilidades, quando elas valem a pena.

6. e quando vale a pena trocar o certo pelo duvidoso?
– cada caso é um caso, não há uma regra para isso. vem cá, cadê o seu bom senso?

7. qual é a história com Brasília e Deprelândia?
– eu morava em Deprelândia. no dia 7 de julho de 2000 pisei em Brasília pela primeira vez, me apaixonei pela cidade ainda naquele balão (“rotunda”, para os portugueses) que desce do aeroporto para o Eixão, o Lago Sul ou o Parkway. depois de passar férias no Distrito Federal em todos os anos, moro aqui desde 14 de abril de 2005. é quando minha vida realmente começou.

8. qual o motivo desse FAQ?
– deu vontade. ainda que tudo que eu diga um dia seja usado contra mim, anote aí.

9. tudo?
– tudo. sem exceções.

10. então você já deve ter se arrependido de ter escrito alguma coisa…
– provavelmente, mas não me lembro (juro). ou então o estrago foi tão pequeno, se é que houve, e não percebi.

11. e se arrepende de algo que fez?
– de algumas coisas. menos do que imaginava, mais do que gostaria.

12. qual a sua profissão?
– se eu for preencher uma ficha cadastral que envolva dinheiro, “funcionário público”. se for para algo do tipo currículo ou para me apresentar aos outros, “cientista político”. é que talvez não acreditem que dê para ganhar dinheiro com isso…

13. e dá?
– dá.

14. que história é essa de Telerj?
– próxima pergunta, por favor.

15. depois de “Como John Lennon pode mudar sua vida “, algum plano para um novo livro?
– eu e o Alexandre já fizemos vários, nenhum saiu. muito por minha culpa. mas a real é que, depois de ganhar muito mais dinheiro, a minha grande ambição é escrever the great Brazilian novel. mesmo que eu me ache sueco de vez em quando.

16. sueco?
– admiro essa galera. suecos e neurocirurgiões, por razões diferentes. voltando ao “grande romance brasileiro”, provavelmente quem o escreverá é o Jonas.

17. você é estranho.
– todos somos estranhos, inclusive você. o negócio é que algumas coisas absurdas me interessam.

18. mas você não é previsível e sem assunto?
– sim, e o interesse pelo absurdo casa à perfeição com isso!

19. bom, deixa para lá. no que você está pensando agora?
– que o Lúcio chega amanhã e que vou passar o final de semana em uma dieta à base de acelga.

20. ACELGA? e que raio de dieta é essa?
– o chefe manda, eu obedeço. meu nutricionista diz o que tenho de comer, vou lá e como. de vez em quando tenho o dia livre, daí como o que quiser. mas nesse final de semana rola um iogurte, por exemplo.

21. essas dietas esquisitas parecem uma mania, mesmo tendo acompanhamento. você tem outras manias?
– a dieta não é uma mania. mas eu tenho umas sim: de levantar para fazer uma saudação à minha chefe, quando ela chega; de cometer pequenas trolagens (a última foi com a Mayara, hoje à tarde); de me preocupar demais com coisas que já acabaram – ou que nem começaram… e a lista segue.

22. é, não parece ser fácil conviver com você.
– mas é, de verdade. a regra básica de convivência comigo é: nunca me ofereça algo que não pedi. o resto decorre disso.

23. ah, corta essa.
– não, é sério: nada me incomoda mais do que ter de fazer algo que não quero, porque vou passar o resto da vida brigando comigo mesmo por ter feito aquilo – daí a importância exagerada de coisas que já acabaram ou nem começaram. mais importante do que fazer o que quero, para mim, é não fazer o que não quero.

24. faz sentido.
– né?

25. há alguma coisa que você queira dizer mas não te perguntaram até agora?
– algumas, mas basicamente: que eu sou muito tímido com as meninas; que eu pretendo nunca mais comprar um carro feito no Brasil; que eu gosto mais dos Arctic Monkeys do que dos Rolling Stones; e que sempre que vejo uma panqueca eu vejo, na verdade, um pano de prato sujo – e por causa dessa aparência acabo não comendo.