“a seleção natural é cruel no Plano Piloto”

meses atrás, Ximeninho e eu discutimos a velha doença brasiliense de achar que a cidade não tem nada, ou que já deu o que tinha que dar. de vez em quando ela até bate em mim, especialmente quando lembro do mercado imobiliário, do governo que foi eleito em outubro ou da altura da grama das quadras da Asa Sul, mas isso invariavelmente passa.

mas essa semana um amigo, dos maiores fãs do DF e que mora na cidade praticamente desde que nasceu, veio com uma ideia no MSN: mandar a real (seja lá o que isso queira dizer) em 2011 e ir embora em 2012. parece até que queria se mandar para Paris.

no meio disso eu lembro de gente daqui que está em Paris, em Tóquio, em Nova Iorque, ou até em São Paulo. uns por períodos determinados, outros sine die, uns tantos que detestam Brasília e que, se pudessem, nunca mais voltariam à cidade. conversando sobre isso com o João Paulo, veio à cabeça a frase que batiza esse post: “a seleção natural é cruel no Plano Piloto”, como se houvesse aí um mecanismo de seleção dos organismos que vão ficar no DF e aqueles que acertarão seus rumos fora da cidade – ou então que morrerão tentando, para além do quadradinho goiano.

lembro também daqueles que chegam à cidade e que nela ficam sem qualquer comprometimento (quanto menos amor), um lance bem asséptico. acho uma pena, e para falar a verdade me dá até um certo ódio, que contenho. em vez disso, da minha parte, prometo: Brasília será ainda mais f*** em 2011 do que foi em 2010.

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p.s.: provavelmente reutilizarei a frase sobre a seleção natural no Plano Piloto mais para frente, talvez num conto.

valeu

oi, tudo bem? continuo em Deprelândia, fico até a próxima quarta-feira. quase não tenho saído de casa, já que não há muito o que fazer e o calor lá fora tem sido implacável. então não há muito assunto, e com algum esforço dá para dizer o seguinte:

– li dois livros em seis dias. o primeiro foi o “Cozinha confidencial“, do Anthony Bourdain. foi esse que o transformou de cozinheiro a celebridade, já que hoje em dia ele só quer saber de televisão e coisas do tipo. trata-se de um mergulho nos bastidores da cena gastronômica de Nova Iorque, obviamente contado através da trajetória do chef, com alguns grandes momentos no meio. obviamente ele não tem pretensões eruditas, mas tem um grande mérito: escreve muito bem, de forma que você fica curioso para saber o que vem pela frente. e um dos últimos capítulos, que descreve uma viagem de Bourdain ao Japão, é simplesmente antológico.

– o segundo livro, que terminei agora há pouco, foi “Zazie no metrô“, do Raymond Queneau. esse é um romance levemente surrealista e no qual a construção dos personagens é feita de um jeito completamente diferente de qualquer outro livro que li. conta o que acontece com a Zazie do título, uma menina de uns dez anos, quando vai passar uns dois dias na Paris da década de 1950 (ela é do interior da França). é uma bela mistura de surrealismo com absurdo, embora você nem sempre se dê conta do absurdo – essa é uma das graças do livro. curiosamente, eu achei que a forma como o narrador descreve a Zazie é igualzinha à forma como um petista descreve o atual presidente da República – esse que, graças a Deus, tá vazando hoje. leiam e me digam – o livro é muito bom.

– ontem à noite fui ao Paestum, que era meu restaurante preferido quando ainda morava em Deprelândia. as bruschettas da entrada encolheram, mas continuam deliciosas; meu filé recheado com tomate seco e a excelente muçarela de búfala da casa estava delicioso, mas o risoto de alcachofra que o acompanhava não tinha sido reduzido do jeito certo e mais parecia uma canja – inclusive porque o sabor se diluíra. de sobremesa, um sorvete de limão siciliano, sem leite, que era puro frescor – como se tivessem refeito a soda limonada na hora, uma delícia.

bem, ainda tenho algumas aventuras literárias e gastronômicas por aqui. ainda hoje devo começar o “Histórias fantásticas“, do Adolfo Bioy Casares (oi, Jonas), e já tenho em mente alguns lugares onde quero comer durante a semana…

salsa

João Guilherme me deu ontem uma excelente ideia para uma experiência profissional, que pretendo realizar em 2012. vai me custar um tempinho, mas vai valer a pena demais – se não pelos resultados que serão trazidos de imediato, pela capacidade de análise que será exigida.

quando a coisa estiver mais próxima eu falo com ele.

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dirigindo o carro do meu pai, no sábado, fiz o trecho da via Dutra entre Pindamonhangaba e Taubaté a uma velocidade média de 160 km/h, sem o menor risco. a estrada estava tranquila e não haviam domingueiros franqueando a faixa da esquerda – mesmo a da direita era um oásis.

em uma descida, enfio o pé direito na jaca no acelerador e leio por dois segundos no velocímetro digital: 200 km/h. é, duzentos… entrei para o clube. segundo a Car & Driver norte-americana, é exatamente essa a velocidade máxima do carro, que a Honda brasileira não divulga. foi tenso, mas foi necessário.

só por curiosidade: até 170 km/h o Civic viaja na maior tranquilidade, você pode ficar na penúltima pista de uma autobahn sem maiores problemas. acima disso, no entanto, o carro vira a Christina Aguilera – ou seja, ele treme, mas não chega a ser uma Beyoncé.

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não estou chutando o balde aqui, tampouco estou seguindo a dieta. estou num meio termo de comer pouco, intercalando pequenas besteiras com 80% dos itens da dieta. quando fui comer x-salada, meu prato preferido, acordei no outro dia sentindo uma gastrite violenta, que só diminuiu depois de um pouco de melão. também estão sendo tempos de pouco álcool, com um copo e meio na noite de ontem e outros tantos na companhia dos meus amigos da tevê.

parece até que meu corpo tá na zorra comigo.

longe

oi, tudo bem? estou escrevendo esse post da longínqua Deprelândia, onde moram meus pais. cheguei aqui na sexta e fico por uns tantos dias, desafiando o tédio e o que ele traz. apesar de eu ir para a academia e continuar atualizando o Geólogo por aqui, o principal objetivo é descansar, claro – até porque, fora o recesso da Telerj, tenho uma semana de férias não-desfrutadas.

mas fazendo 46 graus Celsius à sombra fica difícil pregar os olhos.

do meu lado

olha que coisa: em um mês, fiz tantos cursos de capacitação na Telerj quanto em quatro anos de casa. não tinha feito nada durante um ano e meio acreditando que o curso da escola de lobistas fosse ser considerado, mas não foi – e tive de correr atrás.

no final das contas, deu tempo de estudar bastante e adiantar umas coisas que me tomariam tempo precioso no ano que vem – como diz uma música dos Rolling Stones, já quase cinquentona, o tempo está do meu lado. a angústia que tinha ontem foi-se quase toda embora, e tudo está em ordem.

2011 começou hoje, de acordo com a prioridade para o ano. então ergamos as taças de champanha e façamos um brinde… :)