sabedoria

Don’t approach women. Just have something to say when something should be said — and only then. You can consider this something carefully, but don’t compose. A simple idea will do. With failure — honest failure — the lesson alters vision and vision becomes instinct, a means of navigating your way through any conversation.

Don Draper, o protagonista de Mad Men, ensinando a mexer com mulher.

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tardia

Você tem medo da vida, de crescer, de virar um ser adulto, de tomar as rédeas da sua própria existência, da comandar sua própria vida, de assumir responsabilidades, de pagar suas próprias contas? Bem vinda ao clube! Enfrente esse medo. (Aliás, enfrente qualquer tipo de medo que lhe paralisar. Não deixe que nenhum deles assuma o controle. Nunca. Contra ataque.) E lembre-se, acima de tudo, de que o caminho é sempre longo. E que o jeito de se avançar por ele é um passo de cada vez. Uma degrau depois do outro. Uma pequena vitória colocada sobre outra.

uma mulher escreve para o cara da Exame, dizendo que quer se matar. e ele responde a ela.

parsec

vai abaixo uma matéria originalmente publicada no “New York Times” e que ganhou tradução na “Folha de S. Paulo” de hoje (via Bruno):

Moscou 360° – Jovens russos invadem prédios apenas para apreciar a vista da cidade lá do alto

Um jovem aperta vários botões num interfone. Ao ouvir o som da tranca da porta se abrir, ele desaparece nas sombras do lobby do prédio. Após alguns minutos, ele pisa no telhado do edifício, olhando Moscou de cima. “É isso o que os “roofers” querem”, disse Dmitri Yermakov, 18, que integra a nova subcultura jovem dessa cidade de construções baixas.

Seus integrantes, chamados de “roofers” (“telhadeiros”, na tradução livre do inglês), gostam de invadir prédios, não para cometer nenhum roubo ou crime, mas para chegar aos telhados e observar a cidade lá do alto. Eles são como uma sociedade secreta que descobriu algo novo e extraordinário.

A maior parte dos prédios de Moscou tem fechaduras controladas por códigos. Essas senhas foram quebradas por “roofers” que experimentaram várias combinações entre os botões mais gastos de seus painéis. Outras vezes, os “roofers” enganam algum morador pelo interfone: fingem que são carteiros ou um vizinho que esqueceu as chaves.

Seja como for, eles evitam dividir a senha do acesso a um prédio com outros “roofers”: o afluxo de “visitantes” poderia atrair a atenção dos moradores. A polícia é outra preocupação: invasão é considerado um tipo de vandalismo e está sujeito a multa. “Subir nos telhados é algo que ajuda a quebrar a rotina”, afirmou Yermakov, que aprecia a solidão dos telhados porque eles ficam longe do agito das ruas de Moscou – cidade com mais de 10 milhões de habitantes.

Outro “roofer”, Oleg Muravlyov, 17, classifica a atmosfera dos telhados como algo quase espiritual. “É ruim que estejam nos confundindo com vândalos. Nós não danificamos os prédios”, defendeu. “Somos guiados pelo desejo de pensar no que é importante em nossas vidas, fora do tumulto.” Uma vez que a prática de subir em telhados é ilegal, não há números precisos sobre o fenômeno. A maioria das invasões de telhados acontece em grupos pequenos de dois ou três.

Desde os tempos dos czares, a altura dos prédio de Moscou é restrita. No século 18, uma norma informal bania qualquer construção de ser mais alta do que as torres do Kremlin. Restrições informais continuaram durante o regime soviético e permanecem até hoje. Alguns “roofers” transformaram a aventura em dinheiro: levam estrangeiros para turnês nos melhores telhados da cidade. Para Kseniya Nesterova, 19, ser “roofer” é um dom. “Você tem de ter algo de explorador, como Cristóvão Colombo”, exagera.

eu fui um roofer em Deprelândia, quinze anos atrás. subia até o último andar de um dos poucos edifícios residenciais da cidade e ficava lá por horas, olhando tudo de cima.

volante

acabou o arroz e o cream cheese? não tem problema, vamos fazer compras. mas, ao invés de ir à pé ao Pão de Açúcar da 304 sul, quem gosta de carros pode querer fazer algo diferente. peguei o meu, coloquei o “Dots and loops” do Stereolab, atravessei a W3 até o final da Asa Norte e peguei a ponte do Bragueto rumo ao principado do Lago Norte.

lá chegando, fiquei entrando e saindo das pistas dos CAs, até achar algo interessante: uma reta, enorme e sem pardais, com duas pistas mais acostamento. e que, ainda por cima, termina em uma curva cega em declive… perfeita para acelerar um pouco, o que não fiz desta vez. na próxima vai ter de rolar um pé embaixo, ô se vai.

já ao som do segundo disco da minha coletânea da Françoise Hardy, peguei a estrada que contorna por fora o Lago Paranoá, que criminosamente é coalhada de pardais. quando o carro chegava em 130, 135, já é hora de desacelerar. de vez em quando um carro de manés emparelhava comigo, mas era só jogar uma quarta e deixá-los comendo poeira. e assim cruzei para o outro lado do Plano Piloto, descendo pelo Lago Sul em velocidade de cruzeiro, coisa tipo 70 km/h.

parei no Carrefour da QI 25 e comprei o que precisava: arroz integral em saquinhos, cream cheese, desodorante… e uma Amstel Pulse para beber num sábado à noite. andando calmamente pelo bairro mais gostoso da cidade, não resisti a dar uma pescoçada na Modena Motors e ver o que tinha por lá.

ah, que tentação: mal eu miro os importados em exposição e encontro uma Mercedes-Benz CLS, preta, daquelas que serão minhas em cinco anos. apesar de carros pretos não serem grande coisa, a CLS foi feita para essa cor, e essa ainda não era qualquer uma: tratava-se de um exemplar de CLS 63 AMG, o cúmulo da moderna engenharia alemã.

e como se não bastasse eu estar diante do cúmulo da moderna engenharia alemã, ainda havia uma raríssima S 600 C, beige, estacionada logo abaixo, sem que eu pudesse ter certeza se está à venda ou não. tem uns quinze anos de uso, mas é absolutamente relevante por alguns motivos:

– foi o primeiro carro do mundo a trazer controle de estabilidade eletrônico (ESP);
– se a produção dela já foi pequena, as unidades que vieram para o Brasil possivelmente são contadas nos dedos das mãos – e sobrarão dedos;
– quantos carros com motor de 12 cilindros você viu hoje?

absurdo. e mais absurdo ainda foi que, continuando meu trajeto, vi uma classe S da atual geração (o carro que Miranda Priestley usa quando está na França em “O diabo veste Prada”), também beige (!!!), em frente ao Gilberto Salomão. e o mais curioso é que ela estava com placas cinzas normais – geralmente esse veículo é adquirido por representações diplomáticas. não consegui ver qual o motor que sopra essa uma, já que virei à direita para pegar a ponte das Garças.

aproximando-me da ponte pela pista da direita, de repente um Ford Fusion veio embalado pela pista da esquerda e, pouco antes da barreira eletrônica de 50 km/h, emparelhou comigo e botou o nariz à minha frente. segundos depois, ele registrou passagem na barreira a 50 km/h, cravados… e eu também. sem sair da quinta marcha, pisei no acelerador e o ultrapassei de volta, disparando de forma surpreendente até para mim mesmo. ele tentou me acompanhar… e desistiu pouco depois, haha.

mas o que valeu mesmo foi ver esses raros exemplares de Mercedes-Benz, minha atual obsessão. vamos lá, essa fase Peugeot 307 há de passar rápido…