brimo

hoje conheci uma das grandes figuras da minha infância: ninguém mais, ninguém menos que Paulo Salim Maluf. o folclórico homem público que governou o estado de São Paulo, foi prefeito da capital, presidente da Caixa Econômica Federal e hoje é deputado. estava numa reunião que não começava nunca, e de repente o brimo chega na apertada sala, assina a lista de presença e fica bem do meu lado marcando bobeira. não pensei nem meia vez, levantei-me e fui falar com ele.

aos setenta e oito anos, ele continua sendo um exemplo de desenvoltura. tem um pouco de dificuldades de audição, mas fala daquele jeito claro, articulado e extremamente gentil com o qual sempre falou – ainda que você discorde da posição política ou dos métodos, admita: o cara é um gênio da retórica. como dizem por aí, te venderia um copo d’água salgada no meio do oceano. disse que sempre lia o twitter dele, e agradeci por ele ter feito duas coisas importantes por Deprelândia, quando governador: asfaltou metade da cidade e levou para lá uma agência da Nossa Caixa, em 1982. quando disse que era deprelandense, ele disse que gosta muito de lá, e eu disse-lhe uma verdade: Deprelândia igualmente o adora.

como o Craudio também é grande fã do Salim, perguntei ao deputado se ele não faria a gentileza de dar um alô ao meu amigo, no telefone. liguei para ele, que ficou surpreso e no começo achou que se tratava de pegadinha – certamente a eloquência do Maluf mostrou que sim, era o próprio.

por aí não falta gente para lembrar da velha frase associada ao deputado, a de que ele “rouba mas faz”. indeed, mas e o Roriz? até onde eu sei, metade dessa frase não se aplica a ele, por exemplo. e o que o Maluf fez por Deprelândia, por menor que seja, foi importantíssimo para a cidade: pense em uma estância turística sem pavimento e sem uma rede bancária mínima. depois que ele desligou o telefone, agradeci pela gentileza e fiquei observando-o conversar com os colegas – inclusive um do PT, que tanto o combateu durante décadas, até que hoje Salim e seu partido engrossam a maioria que apoia o governo.

mas esse tipo de aliança de certa forma faz parte da política brasileira, por mais que lembremos como o PDS e o PT eram antagonistas no início da Nova República. e por mais que não concorde com várias de suas posições e projetos (Paulipetro?), admito: Paulo Maluf é cool.

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