nacional

esse esforço para ver a Saab viva e produzindo carros nas mãos de outro grupo, ao invés de ser fechada, continua sendo a coisa mais apaixonante do mundo. como vocês podem saber, só vieram uns poucos Saabs para o Brasil, acho que 20 ou 30, no final de 1991. nunca vi um pessoalmente por aqui, só na Europa, e no entanto me sinto completamente envolvido e torcendo para que a fabricante sueca sobreviva.

sintoma

talvez você se lembre do que escrevi aqui, um mês atrás, quando comecei a preparar uma vingança. não quis dar detalhes à época, para não prejudicar o andamento da coisa.

aconteceu o seguinte: já fiz, até agora, cinco trabalhos em grupo na escola de lobistas. em quatro deles eu me responsabilizei por mais da metade da execução, acompanhei de perto cada etapa – em dois eu fi-lo todo, só botei os nomes dos colegas junto e entreguei.

aí no quinto, com uma dessas colegas, eu travei. não tinha a mínima inspiração, não conseguia fazer, tava de matar. pedi para que ela tomasse a frente, levantasse uma bibliografia, e começasse a escrever, para quem sabe depois eu poder ajudar mais. ela conseguiu umas coisas, eu fiz umas poucas revisões no texto, que estava muito bom, e o trabalho foi entregue.

alguns dias depois, o professor pediu para que a monitora nos informasse que havia sido detectado plágio no trabalho. sim, plágio: havia cópia descarada de períodos do texto vindo de páginas na internet, e a bibliografia que a colega havia colocado não batia. desesperei-me, e fui perguntar quais seriam as saídas. a monitora informou que o professor determinou que, se não provássemos onde foi usada cada referência bibliográfica do texto, teríamos de fazer um novo trabalho – e a nota máxima seria a média.

liguei para a colega, exigindo explicações, ela disse que trataria disso com o professor. uns dias depois eles conversaram, e ela não conseguiu mostrar UMA citação relacionada sequer. resultado: um novo trabalho pela frente, podendo no máximo passar na matéria. ela pediu desculpas algumas vezes, eu disse que ela tinha f***** tudo – lembre-se, eu a carreguei quando ela não pôde participar, e ela me retribuiu com plágio. falei que até perdoaria, mas que nunca mais confiaria nela.

daí ela se emputeceu e falou que eu estava fazendo drama demais, porque não era um problema de saúde, não havia uma morte. e eu respondi que se eu tivesse plagiado alguém, teria a decência de ter-me dado um tiro no peito logo depois. até hoje ela diz que eu estou “estranho” com ela, e na primeira vez que eu ouvir isso em 2010 vou responder apenas “não estou estranho, só parei de confiar em você”.

fiz o trabalho sozinho, sobre outro assunto (com o consentimento do professor) dentro da disciplina. e a parte vingança mesmo. a vingança desse caso foi coisa limpa, limpíssima: era apenas fazer o melhor trabalho que ele leria em toda a turma. pesquisei, baixei o texto do autor (as “Confissões” e a “Cidade de Deus” de Santo Agostinho) em inglês para ler e, tivesse eu algum conhecimento de latim, língua original dos escritos, tê-lo-ia lido no original. puxei análises de teólogos, de cientistas políticos e até de gente que mexe com aquela coisa desprezível chamada direito. reescrevi tudo quatro vezes, até ficar um negócio de sete páginas que em breve pretendo disponibilizar aqui.

enfim, não foi uma vingança má, e eu consegui o que queria: hoje soube que obtive a nota máxima, que se transformou na média mínima para aprovação, como ele havia dito. estou completamente aliviado e aprendi a lição: assim como Santo Agostinho defendia a imperfeição da política terrena e que a vida perfeita só seria atingida na Cidade de Deus, eu defendo que você considere a imperfeição dos seus colegas vagabundos e só conte com Deus na hora de fazer trabalhos acadêmicos…

azulão

de volta à civilização, morrendo de sono, acabadaço. parece que a última vez que dormi foi de 13 para 14 de setembro, alguém me confirma isso?

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ainda não peguei o carro na revisão, vou fazê-lo daqui a pouco. janeiro será um mês longo para ele: a nova bieleta no câmbio instalada, os pneus que serão trocadas, quem sabe alguma coisa a mais – que não vou colocar aqui senão serei cobrado. e já estou com vontade de dirigi-lo, mas muita vontade mesmo: por mais que o Civic do meu pai seja zero-quilômetro e infinitamente superior ao meu 307 em vários aspectos, ele não é meu número.

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como o carro não está aqui, vim trabalhar de metrô. é o caminho usado por gente civilizada em países desenvolvidos, mas aqui em Brasília a coisa beira o precário. mas foi legal, especialmente porque nessa época do ano a cidade está vazia e, por consequência, os vagões também. eu fui o único a embarcar na minha estação, e um dos três que desceram na da 102 sul, a mais próxima da Telerj.

mesmo com vontade de dirigir, é capaz de eu vir para cá de metrô nos próximos dias, deixando o carro para quando realmente for o caso de botar um sorriso no rosto levantando poças d’água ou dando 140 na zona rural do Lago Norte.

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as coisas estão vindo desordenadamente à minha cabeça. será pedir muito pedir para dividir tudo em vários posts?