poliestireno

meu disco preferido do Radiohead, de uns três anos para cá, é o “Pablo honey”, como já deixei claro algumas vezes. mas dia desses eu saí para passear ouvindo o “The bends” e me encantei por algumas músicas dele. de “Bulletproof… I wish I was” eu já tratei aqui, mas acabou que voltei a amar “Fake plastic trees”.

sempre gostei dessa música, em especial do verso “but I can’t help the feeling, I could blow through the ceiling”. além da sonoridade das palavras (note como você solta a primeira frase de forma bem esparrada e depois enche a boca para soltar a segunda), tem essa coisa da letra: “explodir pelo telhado”. é uma imagem forte, mas ao mesmo tempo um pouco artística, se você não pensar em pedreiros, lajes e coisas de construção civil em geral. quando eles tocaram em São Paulo, três meses atrás, morri de vontade de cantar esse verso como se fosse o último dia da minha vida, mas tive vergonha e abri a boca para cantá-lo apenas moderadamente. uma pena.

mas a coisa com “Fake plastic trees” não acaba por aí: logo depois o Thom Yorke canta “if I just turn and run it wears me out”, com uma pausa no meio do período. imagino que sejam takes diferentes de voz, mas o fato é que ele canta a segunda parte de forma diametralmente oposta à explosão de emoções dos versos anteriores: ele é frio, comedido, como se soubesse que de nada adianta gritar. e a forma como começa a dizer “it wears me out” diz que, além de saber de tudo isso, e que esse comportamento o cansaria e o desgastaria, ele já se adaptou à situação, num ritmo quase que bipolar.

e por fim tem outra frase que me martela a cabeça de vez em quando: “if I could be who you wanted, if I could be who you wanted all the time”. esse “o tempo todo” muda o sentido dela por completo e dá mais uma beleza à canção, mas nesse caso o fato é que as duas frases andam presentes na minha vida. eu não posso ser quem você queria, eu não posso ser quem você queria o tempo todo. e também não dá para falar mais do que isso.

(atualização em 2 de julho: Tomás escreve para dizer que o vocal é obra de um take só, o que torna a elasticidade do sr. Yorke uma coisa assustadora. e linda)

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ecoturismo

de ontem para hoje me ocorreu de escrever tudo, mas tudo mesmo, aquilo que precisava lembrar ou fazer. meu monitor virou um varal de post-its, minha lista de compras no supermercado, ontem à noite, tinha instruções para passar à dods hoje cedo, minha mesa está com um leque de cartões de visita de pessoas para quem preciso ligar, com as devidas instruções.

não que tenha parado de confiar na minha memória, mas algum motivo superior, que ainda desconheço, me compeliu a sair tomando notas… e até agora tá dando certo.