pink Martini

uma passada na dentista pela manhã, e o anúncio: vou precisar de tratamento. a conta é estendida, eu não reclamo, e ganho uma variável a mais para equacionar no orçamento. vamos lá, vamos lá, isso vai me fazer sorrir…

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passo rapidamente em casa para deixar o dinheiro pra dods, e peço para que ela tome cuidado ao lavar os colarinhos das camisas: mês que vem, inexoravelmente, será mês de conseguir mais camisas para usar em trabalho. e de procurar um novo lugar para cortar os cabelos, e de ir até o Wal-Mart comprar aquele chocolate belga vendido a preço de brasileiro.

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no final da tarde, uma bomba na Telerj: aconteceu algo que exigia uma ação de nossa parte, e nem ficamos sabendo. aviso a chefe e os colegas, e começa uma pequena maratona para entender o que houve. saio correndo rumo ao Senado, tento levantar umas informações, volto, desço e subo dois andares. a coisa já está feita mas, embora não seja um dano muito extenso, é de se preocupar. tentando me consolar, a chefe diz que também fez double check no ponto em questão, e que as coisas vêm sendo feitas na surdina sobre o assunto.

a culpa pode não ser nossa, mas nessas horas é o que menos importa.

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na volta do Senado, o trânsito engessado denuncia que é fim de expediente. mas denuncia também que mais um grupo está tomando a Esplanada para protestar, e vejo que é um bando de sem-terra que quer terra.

pela primeira vez na minha vida, fico comovido com aquilo e fico com vontade de dar-lhes um pouco de terra, suficiente para encherem-lhe a boca e tapar as vias respiratórias. como já pregava o Roberto Campos, eu não tenho um banco ou uma fabricante de automóveis e nem por isso estou enchendo o saco do governo pra conseguir uma. e lembro do que diz meu tio, sobre movimentos de massa: “a massa nunca vai a lugar nenhum”. assim espero, mas espero também que liberem as vias de Brasília para que eu possa pelo menos voltar pra casa.

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estaciono o carro embaixo do bloco e ouço gritos, vindo da direção do posto policial, a uns cem metros. não identifico os gritos como sendo dos polícias, mas como a única coisa que quero é estar longe dali, subo logo pra casa e não quero saber do que diabos está acontecendo ali embaixo. mas, apesar disso, ligo a tevê para ver se tem alguém transmitindo a coisa toda ao vivo (não, não tinha).

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montando todos os fragmentos do dia, agora, tenho a suave impressão de que está todo mundo doido… o que você acha? também sentiu isso durante o dia?

cobertor

As cartas estão em vias de extinção? Semanas atrás, escrevi que sim. Trocamos e-mails, “torpedos” e outras formas de comunicação que não deixam rastro. Mas a velha carta, redigida e enviada com tempo e dedicação, faz parte do passado. Hoje, quando muito, recebemos cartas do banco. Impessoais. Maquinais. E, no meu caso, nem essas: com a internet e suas infinitas possibilidades, passam-se meses sem correspondência pela manhã.

Pois bem: leitores desta Folha leram o meu texto e decidiram desmentir o cronista. Ou, no mínimo, consolá-lo. Até ao momento, recebi 73 cartas de todas as formas e feitios: sérias, divertidas, ternurentas, lacrimejantes, coloridas, perfumadas. E três pedidos de casamento, que irei ponderar com seriedade assim que a legislação portuguesa (ou brasileira) permitir a poligamia. Prometo responder a cada uma delas pelo meu próprio punho. Amor com amor se paga.

João Pereira Coutinho, na Folha de hoje.

rancho

foi falar em música country e em Wilco e aparece aqui: o Jay Bennett morreu. é uma daquelas perdas que podem não parecer grandes, mas basta lembrar que, enquanto ele esteve na banda, foram quatro obras-primas; assim que saiu, o Wilco virou uma banda bem menos interessante e bem mais disposta a fazer rock progressivo do que aquele pop com capim no canto da boca que eu tanto gosto.

e tem uma outra coisa: uma das músicas mais bonitas da banda, “My darling”, foi ele quem escreveu. só por essa ele já não precisava ter feito mais nada.

yee-ha!

eu sou um cara da roça. só falta a camisa xadrez vermelha e a Rural Willys embaixo do bloco. vira e mexe, estou procurando vídeos de congada no Youtube, passeando pela zona rural do Lago Norte, ou com vontade de comer o pernil lá do Trem da Serra.

mas meu deus, olhem que coisa insana uma versão bluegrass do Snoop Dogg:

como tudo no universo acaba se explicando, uma coisa: a banda aí, uma tal The Gourds, é o atual projeto do Max Johnston, que foi do Wilco no “AM” e no “Being there”. e se o simples fato de haver uma versão bluegrass do Snoop Dogg já não é insano, vejam só a mesma música tocada pelos Gourds em um casamento. yee-ha!

Asia miles

ontem à noite rolou uma entrevista do meu ídolo Eike Batista no programa da Marília Gabriela, e foi estranha: ele não parecia muito à vontade, embora não tenha se furtado a responder nada, e fazia digressões muito longas no meio das perguntas. do outro lado da bancada, a apresentadora, que é sensacional, estava irreconhecível: interrompia, fazia perguntas vãs, parecia que estava doida para levar o entrevistado para a cama. foi muito, muito bizarro.

mas se eu queria um incentivo para manter meu estilo de investimentos inalterado, consegui. agora é só levar a fórmula ao extremo.

oval

o Grande Prêmio de Mônaco, hoje cedo, foi legalzinho. mas as 500 milhas de Indianápolis, que acabaram agora há pouco, com mais uma vitória do Homem-Aranha, foram de arrupiar. assisti as últimas cem voltas, e as últimas cinquenta foram de uma tensão que só. e além do Hélio Castro Neves, quem merece uma salva de palmas é a Danica Patrick, que largou em décimo e chegou em terceiro lugar. confesso que estava torcendo pra ela, mas logo ela leva uma Indy 500 pra casa também.