disprósio

uma frase não me sai da cabeça: “estamos (estou?) trabalhando em algo maior”. não sei quem disse, não lembro sequer se ouvi ou se imaginei essas palavras, mas aí estão elas. e cá estou, em busca desse algo maior.

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presente

anteontem fui fazer compras em um dos supermercados próximo à nova quadra. achei uma droga, e preciso arrumar um plano B, que parece que fica a apenas uma quadra e meia da minha, mas não dá pra ir por dentro. peguei um pacote daquele biscoito goiabinha da Bauducco e estava lá na caixa: pague 4, leve 5. independente da promoção, eu só como um por dia, e só por causa daquela coisa de comer a cada três horas, para que sempre tenha trabalho para seu organismo e você no final das contas não fique velho, manco e gordo.

abri o pacote ontem e, além de comer o meu, descolei um goiabinha para um colega aqui da Telerj; hoje, quando fui comer mais um, constatei que haviam quatro no pacote. ou seja, paguei 4, levei 6.

não sei se isso foi proposital – tem cara de que não foi – mas estou me sentindo como se tivesse ganhado na Sena.

Györ

no final de novembro eu falei aqui sobre os erros na estratégia da Audi no Brasil. preços altos, divulgação ao público errado, burocracia nas decisões, coisas calamitosas. e essa semana saiu o resultado das vendas deles no país em 2008: foram 1.427 carros no ano todo, contra 2.258 no ano anterior. e isso mesmo tendo reduzido o preço do A3 no fim do ano, às custas de depená-lo de equipamentos, além de terem um produto novo: um A4 que tem R$ 70 mil em opcionais (!!!). foi só essa semana, quatro meses depois de o carro ter chegado ao Brasil, que vi o primeiro A4 desta nova geração. e nem tinha sido vendido ainda… era uma unidade de test-drive da Brasal.

nada indica que em 2009 a Audi vá ter dias melhores no país: as margens de lucro continuam irracionais, o fato de o A4 ter crescido em tamanho não vai ajudá-lo a tirar vendas do starlet da categoria, que é o Mercedes-Benz C200K Avantgarde (ou o Classic com a frente dele, o que tem rolado aos montes). o A6, em meia-vida, vai continuar apanhando do CLS, e não rola nem um roadster para desbancar o SLK como sonho da moçada. pior de tudo, quem é que compra um Q7 quando se pode pegar uma Range Rover Sport (menor, mais ágil, mais bonita e mais econômica) ou uma Cayenne (que é um Porsche)?

o pior de tudo é que eu sei uma boa tática para a Audi vender, digamos, o triplo do que vende. mas só falo se eles me pagarem.

Magadan

caiu na minha mão um projeto para que eu faça um parecer. normalmente nossos amados representantes no legislativo só fazem besteira, mas neste caso a proposta é muito boa e beneficiaria a todos, exceto uma pequena gentalha barulhenta. no entanto, veio a ordem de cima para que sejamos contrários, acompanhada de duas referências frívolas que não dão um argumento que preste, e eu fui conversar com a chefe para saber se não podemos mudar isso e sermos favoráveis: expus as minhas razões, apontei a fraqueza dos argumentos técnicos, comentei de uma assimetria absurda que a situação atual traz. ela entendeu e disse que concorda comigo, mas que infelizmente a proposta tem que mudar um dispositivo legal que todos aqui têm ojeriza de enfiar o dedo, por conta da enrolação que vem em seguida, e por isso eu teria de fazer um parecer contrário.

falei pra ela que não poderia fazer isso, que me sentiria mal enfiando meu nome em algo que vai totalmente contra o que penso. e ela disse que poderia até conversar com os superiores, mas que seria difícil. enquanto isso, já resolvi: não vou fazer o parecer negativo e, enquanto não acontecer alguma coisa que mude nosso posicionamento ou que mude a lei por uma via alternativa (e existem muitas), vou procrastinar. pela primeira vez desde que cheguei aqui, procrastinando com consciência, já que estou, neste caso, entre a cruz e a espada, entre a frigideira e a grelha.

agora sim

parece que acabei de chegar a Brasília: há movimento nos pilotis, há vida indo e voltando da comercial. há seis andares para cima, há apenas uma entrada e ela funciona como saída, há aquele clima totalmente local ao meu redor. faz apenas dois dias que moro na Asa Sul e já estou em casa, mas no sentido futuro da coisa, aquele que diz que é ali que quero ficar. ainda estranho o movimento das pessoas, a idade do prédio, a dinâmica da coisa, mas já sinto não respirar mais aquele ar de subúrbio dos quatro anos no Sudoeste – não me arrependo de ter morado lá, mas, principalmente, não me arrependo de ter saído.

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a comercial da quadra tem praticamente tudo o que preciso: dois fornecedores de marmitex, um pé-sujo de nome irônico, uma pizzaria Dom Bosco, duas farmácias, uma mercearia de produtos árabes (!!!). subindo reto até a W2 tem uma agência do banco e na comercial logo acima tem um supermercado. a boate mais legal de Brasília fica na quadra atrás da minha, onde também tem um Sky’s e seu gigantesco crepe de banana. viva o progresso, ainda mais quando vem acompanhado daquele charme vintage que as construtoras brasilienses liquidaram quando começaram a achar que era uma boa ideia imitar São Paulo.

ah, claro: falta eu achar uma academia, mas isso é fácil.

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ainda estou sem rede em casa. ela só deve rolar a partir de amanhã, com alguma sorte, mas confesso que não estou com pressa de ter rede. a essa altura, a instalação da TV por assinatura seria bem mais interessante. as coisas ainda estão no começo (20% delas ainda estão encaixotadas), mas tudo vai se encaixando e fazendo sentido na história, que vai ficando cada vez melhor.

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no meio das coisas desencaixotadas, uma surpresa: achei meu "Automatic for the people", aquele belo disco de quando o REM ainda era uma bela banda, o que durou até a saída do Bill Berry. lembro até hoje de quando o comprei: estava atrás dele fazia um bom tempo, e achei uma cópia no fundo do expositor de cds de uma loja num shopping centre recém-inaugurado em Deprelândia. na hora eu estava sem grana para ele, e voltei à pé até a minha casa (uns seis quilômetros) para pegar os dinheiros e voltar lá, de carro. mas valeu a pena: "Drive" é uma das poucas músicas que me arrancaram uma lágrima logo na primeira audição, "Nightswimming" marcou minha primeira viagem a Brasília, e parece que esse reencontro veio na data certa, já que "Find the river" é uma música perfeita para funerais, como o velório a que fui hoje pela manhã.

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eu só preciso dar um jeito nesse cansaço no corpo, agora.