delírio

à tarde consegui baixar, sem nenhuma dificuldade, o “Performance”, o melhor bootleg do Suede, bem aqui. quem é fã da banda e não conhece tem que ouvir agora mesmo: ele é de uma apresentação em fevereiro de 1994, a penúltima com o Bernard Butler na guitarra. na época, ele e o Brett Anderson já não se suportavam mais, então cada dia era uma tensão, cada concerto era uma prova de fogo.

neste aqui, a banda tocou quatro músicas do “Dog man star”, que só seria lançado oito meses e uma separação depois: “Trashy” teve parte da letra mudada e virou “This Hollywood life”; “We are the pigs” ficou quase igual; “My heroine” perdeu o pronome possessivo e “Losing myself” teve alguns trechos alterados e se tornou “New generation”. e o resto do show também é de arrepiar: inacreditavelmente, eles começam os trabalhos com “Pantomime horse”, uma balada que ficava no meio do set, e terminam com “Stay together”, o single de dia dos namorados que sairia três dias depois – uma semi-inédita, portanto.

passei boa parte do final da minha adolescência em busca desse disco, e ganhei uma cópia em cd-r dele no dia da apresentação do Belle & Sebastian no Free Jazz, em 2001; infelizmente o disquinho estava bem arranhado e não deu para ouvir tudo… mas o que consegui ouvir me deixou alucinado. se um dia aparecesse o cd prensado na minha frente, juro que eu pagaria trezentos reais por ele. enquanto isso, baixe aí as mp3 e ouça alto.

*

aí para completar resolvi baixar cinco discos de uma só vez, agora à noite: as estreias homônimas de Friendly Fires e Glasvegas, o novo do Franz Ferdinand, o novo do trio Peter, Björn & John e o “First impressions of Earth”, último dos Strokes. os quatro primeiros são para me atualizar, já que trabalhar com o seu Ribeiro tem dessas coisas e até agora eu não ouvi nenhum dos discos; já o dos Strokes, que eu ouvi na época e achei uma chatice, terá uma segunda chance.

e a partir da segunda-feira, todos os discos mencionados neste post, mais o “Wish you were here”, do Pink Floyd, estarão no computador da Telerj, para me acompanharem na neurose que vai ser voltar ao trabalho pesado menos leve.

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coisas que eu nunca te disse #43

do you believe that there’s someone up above?
and does he have a timetable directing acts of love?

why did I write this song on that one day?
why did you touched my hand and softly said,
“stop asking questions that don’t matter anyway,
just give us a kiss to celebrate here, today
something changed”

and when we woke up that morning
we’ve had no way of knowing
that in a matter of hours we’d change
the way we were going (…)

(Pulp, “Something changed”, 1995. porque se o chefe vai falar do Pulp na segunda-feira é melhor lembrar da mais bonita música de amor que eu conheço)

blasé

ano passado a Polaroid anunciou que todas as suas fábricas de filme para suas famosas câmaras instantâneas deixariam de produzir o material, fazendo com que os fotógrafos que ainda a utilizam ficassem na mão. aparentemente, ainda há uma galera que usa as polaróides, e eu mesmo tenho vontade de ter uma. mas como faríamos sem filme? começou uma campanha para que a companhia revisse os planos e mantivesse ao menos uma fábrica em produção, ou que algum outro interessado licenciasse da Polaroid os direitos de produção do filme. eu mesmo subscrevi uns três abaixo-assinados, embora soubesse das limitações desse tipo de iniciativa.

mas aí um austríaco chamado Florian Kaps comprou uma das fábricas da Polaroid, nas imediações de Amsterdã, e recontratou onze funcionários da planta. eles estão nesse momento desenvolvendo os protótipos de filmes que sirvam a duas séries de câmaras, e a previsão é a de que ganhe os mercados em dezembro – segundo algumas projeções, é justo em dezembro deste ano que os estoques dos filmes Polaroid originais acabarão. os novos serão vendidos sob a marca Impossible, um nome bem poético para um projeto desses. torço para que dê certo, já que inúmeras tentativas românticas de salvar ícones do passado acabaram naufragando mesmo depois que gente bem-intencionada aportou dinheiro e atraiu mídia para o projeto.

ampola

duas participações minhas no Scream & Yell:

a primeira, requentando um texto escrito em 2006 sobre o “Pablo honey” ser uma obra-prima perdida do Radiohead. não no sentido “OK Computer” e “Kid A” da coisa, mas no fato de que é um oceano de sinceridade, um disco confessional e verdadeiro, com umas guitarras deliciosamente desembestadas ao redor daquelas verdades.

a segunda é a minha lista de melhores do ano, na tradicional votação da página. como sempre, o mau gosto predomina, então eu nem vi o resultado de quem ganhou: vi só as listas do Jonas, do Rodrigo – que tá um pouco cheia de Doces Bárbaros mas é boa – e a minha própria.

cabe esclarecer que capa de disco boa é aquela que tem mulher bonita na capa, razão pela qual votei na Cláudia Leite, por exemplo. mais: que Axl Rose é brasileiro, por isso votei no “Chinese democracy” como melhor disco nacional. e que é uma pena que eu não tenha votado no Wagner & Beethoven como melhor blog, a lista só permitia cinco entradas.

tributo

e o homem do mês é meu grande amigo Felipe Chad, que voltou do Rio com a melhor notícia deste janeiro de 2009.


“- rapaz, tá vendo essas olheiras? eu não dormi desde que soube…”

por analogia, o título de homem do mês também é dos meus caríssimos Ivens Gasparotto e Thiago Guedes, também beneficiários da boa nova. dizer they make me proud é pouco.

conde

a quem interessar possa: o mais novo convidado do Menstyle para fazer sua lista de dez coisas indispensáveis é o Alex Kapranos, do Franz Ferdinand. e a lista dele é das boas: desde um Adidas clássico até a Fender Telecaster, passando por máquinas de costura e uma Mercedes-Benz 300TD da série W123 – aquela que é considerada “indestrutível” e pode até ser convertida para rodar com óleo de cozinha no tanque, ao invés de diesel.