go, trasher

passei ali na Livraria Cultura, atrás de um pouco de cultura (duh). voltei para casa com o disco do Last Shadow Puppets e com o DVD do “Ano passado em Marienbad“. o primeiro, como já disse aqui, era uma necessidade, já que algo tão doce e orquestrado não podia ficar de fora da minha coleção. o segundo, que alguns devem conhecer apenas como inspiração para o belo clipe de “To the end”, do Blur, é um filme que, confesso, me dava um certo medo de assistir.

mas medo por quê? bem, metade dos meus amigos odeiam o filme, que é francês e data de 1961. a outra metade mantém com ele uma relação de ódio… e amor. as duas coisas na mesma medida, e as duas coisas em grande medida. com um retrospecto desse, é de se assustar. pois levei-o e coloquei-o no tocador de DVD para saber logo qual era a do filme.

e agora, pouco depois de tê-lo visto, posso dizer: “Ano passado em Marienbad” tornou-se um dos meus filmes favoritos. à medida em que sua ação nada linear, sua chatice cênica e sua paranóia fazem com que se sinta vontade de abandoná-lo pela metade, as surpresas em cada corte, o belo trabalho de figurino e cenografia e a paranóia fazem com que você se apaixone, na mesma medida em que se quer largá-lo. e é aí que surge o divisor das coisas: todo mundo vê o lado ruim, e apenas alguns enxergam o lado bom junto. isso faz com que metade das pessoas o odeie e metade o ame, ainda que essas pessoas que o amam não saibam explicar o motivo.

para complicar ainda mais as coisas, percebe-se que o filme traz ligações com as idéias do movimento surrealista, por você não saber até que ponto aquilo é um sonho – se é que é um sonho – e a partir de onde aquilo é realidade. e com essa mistura do real com o surreal, “Ano passado em Marienbad” torna-se qualquer coisa de apaixonante. lindo mesmo. entrou para o meu top 10 de filmes em todos os tempos, e se alguém me perguntasse o motivo eu não saberia explicar.

a lamentar, apenas uma coisa: a edição brasileira do filme é muito mal-feita, com uma capa horrorosa, erros grosseiros de concordância na sinopse, uma breguice nos menus, enfim, triste mesmo. o problema é que um filme desse precisa ser visto com legendas em português, já que não é tão digerível de imediato.

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