Ingolstadt

já faz um tempo que repito aos meus amigos que a Audi no Brasil se tornou um grande fracasso. a “Exame” desta semana constatou isso e fez uma matéria a respeito, de onde se pode tirar que eles estão nadando e andando para o fato de que tudo está ruim.

vejamos: a marca ficou fora do Salão do Automóvel, um evento de 600 mil pessoas, para fazer uma exposição dos carros no subsolo da Bienal, para 7 mil. alguém há de ponderar que é proporcional à quantidade de gente que efetivamente poderia comprar um Audi… só que nem todos que vão à Bienal têm dinheiro: metade ali é gente afetada e mal sobrevive fazendo arte. outra parte significativa foi lá só pra poder ver o R8, o esportivo da marca. no final das contas, mal daria pra vender 100 carros para essas 7 mil pessoas – e dos 100 compradores em potencial, 80 já têm Land Rovers, BMWs, Mercedes.

depois você vê a outra “estratégia” do marketing da Audi Brasil: patrocinar feiras de iates, mostras de arte e desfiles de moda. o erro é o mesmo da Bienal, embora em proporções ligeiramente distintas. ao promover o carro num desfile de moda, por exemplo, o máximo que vai acontecer é que duas patricinhas vão pedir um A3 Sportback aos pais ou ao cônjuge. aí tem a frase do diretor-financeiro da empresa, que também é presidente interino: “A Audi prefere trabalhar com mais lucratividade, menos concessionárias e isso significa menor volume de vendas”.

traduzindo, percebe-se que esse tal Jan Ebersold fala merda: um Audi A4 3,2, que é um carro do segmento D, custa R$ 230 mil, enquanto um Volvo S80 3,2, um carro do segmento E (maior, mais luxuoso, mais espaçoso), custa… R$ 199 mil. não dá nem para botar a culpa no motor, porque os dois carros possuem limitador de velocidade a 250 km/h. não dá nem para comparar com Mercedes-Benz e BMW: para quem não tem dinheiro para comprar nenhuma das três marcas, elas estão no mesmo patamar. e qualquer pessoa com grana para um sabe que a Audi está um degrau abaixo de ambas, no nível da Volvo – uma é a VW de luxo, a outra é a Ford de luxo.

desse jeito, é claro que a Audi vai continuar vendendo pouco, seus carros usados vão depreciar como se coreanos fossem, sua manutenção será cada vez mais onerosa, e toda aquela aura dos tempos da Senna Import vai se perder – até porque agora que o Bruno Senna está com um pé e meio na Fórmula 1, sua família não está mais comandando as operações da marca das quatro argolas no Brasil.

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