mola

algumas impressões sobre “Day & age”, novo dos Killers:

– tem que ser comprado hoje e ouvido hoje. porque é delicioso hoje, mas já sei que daqui a um ano vai ser uma porcaria;
– parece uma coletânea “Back to the 80s”: cada momento lembra alguma coisa tipo Styx, Sade, Pet Shop Boys, Foreigner, “A night like this” do Cure… e até “La vie en rose”, da Grace Jones;
– a segunda música, “Human”, vai ser o centro do debate filosófico em 2009: centenas de filósofos de balada vão se perguntar, em ambientes escuros e movimentados: “are we human or are we dancer?”. desnecessário dizer que, quanto mais bêbados estiverem, menos human serão.

enfim, o disco é bem legal, merece uma nota 8 ou 9. mas tem prazo de validade e eu duvido que daqui a dois anos ele seja levado a sério…

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go, trasher

passei ali na Livraria Cultura, atrás de um pouco de cultura (duh). voltei para casa com o disco do Last Shadow Puppets e com o DVD do “Ano passado em Marienbad“. o primeiro, como já disse aqui, era uma necessidade, já que algo tão doce e orquestrado não podia ficar de fora da minha coleção. o segundo, que alguns devem conhecer apenas como inspiração para o belo clipe de “To the end”, do Blur, é um filme que, confesso, me dava um certo medo de assistir.

mas medo por quê? bem, metade dos meus amigos odeiam o filme, que é francês e data de 1961. a outra metade mantém com ele uma relação de ódio… e amor. as duas coisas na mesma medida, e as duas coisas em grande medida. com um retrospecto desse, é de se assustar. pois levei-o e coloquei-o no tocador de DVD para saber logo qual era a do filme.

e agora, pouco depois de tê-lo visto, posso dizer: “Ano passado em Marienbad” tornou-se um dos meus filmes favoritos. à medida em que sua ação nada linear, sua chatice cênica e sua paranóia fazem com que se sinta vontade de abandoná-lo pela metade, as surpresas em cada corte, o belo trabalho de figurino e cenografia e a paranóia fazem com que você se apaixone, na mesma medida em que se quer largá-lo. e é aí que surge o divisor das coisas: todo mundo vê o lado ruim, e apenas alguns enxergam o lado bom junto. isso faz com que metade das pessoas o odeie e metade o ame, ainda que essas pessoas que o amam não saibam explicar o motivo.

para complicar ainda mais as coisas, percebe-se que o filme traz ligações com as idéias do movimento surrealista, por você não saber até que ponto aquilo é um sonho – se é que é um sonho – e a partir de onde aquilo é realidade. e com essa mistura do real com o surreal, “Ano passado em Marienbad” torna-se qualquer coisa de apaixonante. lindo mesmo. entrou para o meu top 10 de filmes em todos os tempos, e se alguém me perguntasse o motivo eu não saberia explicar.

a lamentar, apenas uma coisa: a edição brasileira do filme é muito mal-feita, com uma capa horrorosa, erros grosseiros de concordância na sinopse, uma breguice nos menus, enfim, triste mesmo. o problema é que um filme desse precisa ser visto com legendas em português, já que não é tão digerível de imediato.

Ingolstadt

já faz um tempo que repito aos meus amigos que a Audi no Brasil se tornou um grande fracasso. a “Exame” desta semana constatou isso e fez uma matéria a respeito, de onde se pode tirar que eles estão nadando e andando para o fato de que tudo está ruim.

vejamos: a marca ficou fora do Salão do Automóvel, um evento de 600 mil pessoas, para fazer uma exposição dos carros no subsolo da Bienal, para 7 mil. alguém há de ponderar que é proporcional à quantidade de gente que efetivamente poderia comprar um Audi… só que nem todos que vão à Bienal têm dinheiro: metade ali é gente afetada e mal sobrevive fazendo arte. outra parte significativa foi lá só pra poder ver o R8, o esportivo da marca. no final das contas, mal daria pra vender 100 carros para essas 7 mil pessoas – e dos 100 compradores em potencial, 80 já têm Land Rovers, BMWs, Mercedes.

depois você vê a outra “estratégia” do marketing da Audi Brasil: patrocinar feiras de iates, mostras de arte e desfiles de moda. o erro é o mesmo da Bienal, embora em proporções ligeiramente distintas. ao promover o carro num desfile de moda, por exemplo, o máximo que vai acontecer é que duas patricinhas vão pedir um A3 Sportback aos pais ou ao cônjuge. aí tem a frase do diretor-financeiro da empresa, que também é presidente interino: “A Audi prefere trabalhar com mais lucratividade, menos concessionárias e isso significa menor volume de vendas”.

traduzindo, percebe-se que esse tal Jan Ebersold fala merda: um Audi A4 3,2, que é um carro do segmento D, custa R$ 230 mil, enquanto um Volvo S80 3,2, um carro do segmento E (maior, mais luxuoso, mais espaçoso), custa… R$ 199 mil. não dá nem para botar a culpa no motor, porque os dois carros possuem limitador de velocidade a 250 km/h. não dá nem para comparar com Mercedes-Benz e BMW: para quem não tem dinheiro para comprar nenhuma das três marcas, elas estão no mesmo patamar. e qualquer pessoa com grana para um sabe que a Audi está um degrau abaixo de ambas, no nível da Volvo – uma é a VW de luxo, a outra é a Ford de luxo.

desse jeito, é claro que a Audi vai continuar vendendo pouco, seus carros usados vão depreciar como se coreanos fossem, sua manutenção será cada vez mais onerosa, e toda aquela aura dos tempos da Senna Import vai se perder – até porque agora que o Bruno Senna está com um pé e meio na Fórmula 1, sua família não está mais comandando as operações da marca das quatro argolas no Brasil.

paládio

um dia de alguma movimentação
algumas mãos apertadas
o surgimento de uma questão vetorial a respeito de algumas esperanças
tempo bem aproveitado
um texto que surgiu a partir de nada, e que sexta-feira vai se tornar alguma coisa
chocolate em doses homeopáticas
as solas do sapatos gastas no corredor
e a vontade de voltar para Vênus, ou pelo menos ir até depois do Plano Piloto.

Rostov-on-Don

a Lisa me disse que ela fica um pouco frustrada de ter nascido para ser acadêmica e dar aulas, ao invés de para ser empresária. eu me sinto assim também, com a diferença de que nasci para ser assessor. o tragicômico da história, mais do que não ter nascido para isso, é saber dessa condição. mesmo assim, ela acredita que vai ser feliz, e eu tenho essa certeza – tanto para a vida dela quanto para a minha.

daí ela me falou da vontade que tem de, depois de encher as burras de grana com tecnologia, de investir em um determinado setor e, com o tempo, abrir um banco de microcrédito na Ásia. pelo sim, pelo não, já estou mandando meu currículo para ela, caso o banco abra filial em alguma república russa.

*

aniversário do Victor hoje: liguei para dar os parabéns e ele soube em primeira mão da minha dor no braço esquerdo, fruto de algum exercício mal-feito na academia durante a sessão de ontem. a resposta dele foi, de certa forma, um consolo: no pain, no gain, disse ele, evocando o Arnold Schwarzenegger em “Pumping iron”. espero que a situação do braço melhore de verdade até o final da tarde, para que eu esteja lá cumprindo isso à risca.

se não der para o braço, paciência: há uma esteira ergométrica ali para isso. e, voltando ao assunto original, parabéns ao Victor.