dígrafo

(para o Marcio)

a notícia do dia. deve ter sido igual à Carolina Dieckmann: um dia acordou e pensou “epa, eu sou gata, o que eu tô fazendo com esse cara?”.

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Tinseltown

viver no Brasil e não ter negócios com estatais é difícil. para quem acha que o Estado deveria tirar o bedelho da cadeia produtiva e se concentrar nas políticas públicas, como é meu caso, é grande a tentação de um boicote completo. tento fazer um, só remunerando esses cabides de emprego com o mínimo necessário caso seja preciso. depois que o Marcio sugeriu (e começou) um boicote à Petrobras, decidi fazer o mesmo. como a Ipiranga foi adquirida pela empresa, em parceria com outros dois grupos, vou esperar para ver se terei de boicotá-la também. e essa semana ficou pronta a minha conta no Citi, para que logo logo eu nunca mais pise numa agência do Banco do Brasil.

berlinda

não consegui pensar em uma introdução suave para esse post, como ele precisava, por isso já vou logo dizendo: ele se inicia de forma abrupta.

espero ter diminuído o impacto avisando.

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a mora, amora, aroma, amaro, arame, arruma. fico pensando em voz baixa, nessas e noutras palavras, e em dar um rumo a elas. que não seja um poema concretista ou o esquecimento, que eu possa ficá-las mastigando por mais e mais tempo, expirando algum produto dessa ruma toda. delirante, não? mas estou meio nas nuvens por esses dias, e a metade que ali está só consegue pensar nessas coisas leves.

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falando nas nuvens: então era só isso de chuva que tinham reservado para Brasília? pois eu quero mais. mandei o trench-coat pro conserto, para lhe melhorarem o caimento; vou trocar as palhetas de chuva do meu carro para a semana, quando tiver de fazer uns servicinhos nele; penso em um novo guarda-chuva, já que o meu, coitado, não sobreviveu ao meu esquecimento e hoje está perdido por aí. a minha parte estou fazendo… resta apenas torcer pelos torós.

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ontem o Pedro Mexia deixou mais um daqueles posts desconcertantes, que só ele sabe fazer. e já é bem previsível que ele ainda me surpreenda.

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esse post começou de forma abrupta, então creio que um final inesperado não será tão chocante. e aqui ele acaba.

xilol

para quem perguntou aí do sorvete de Ouro Branco: apesar de ser bonzinho, ele é uma decepção. explico: é um sorvete de Laka com um pouco daquela cobertura genérica, no sabor de chocolate preto, misturada. não tem nenhum elemento crocante, e a parte branca, que é minoria no bombom, é quase 80% do sorvete.

quer dizer: se você gosta de Laka e quer variar um pouco, é uma boa opção. mas se você quer algo fiel ao melhor bombom do Brasil, melhor esquecer e procurar o Haagen-Dazs de damasco. não é chocolate, mas é bom demais e é tendência.

milho

aniversário do meu pai, e lá vou eu ligar para ele. pergunta se estou na Telerj, e começa a falar de lá para mim, como se ele trabalhasse lá e eu fosse um interessado em ir para lá. meu pai é uma figura, mas parece que ele sempre toca no assunto para evitar que eu largue tudo e vá, sei lá, morar na Austrália, ou arrumar um emprego diferente. e que o presente de aniversário perfeito é, no final das contas, um stay the same.

do meu lado, só sei que posso dar esse presente por mais alguns anos. depois já não garanto nada.

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revi “Casino Royale” ontem à noite. pelas minhas contas, é a quinta vez que assisto esse filme, e continua muito bom. reparei em alguns detalhes, como o fato de que a parte do Dimitrios é, além de uma parte interessante do enredo, uma enorme seqüência de merchandising: do Ford Mondeo do aeroporto das Bahamas até o estande da Persol onde o lacaio do Le Chiffre compra um par de óculos escuros, passando pelo gim Mount Gay, pela garrafa de champanha Bollinger – que também patrocina o filme – e por todo o falecido Premier Automotive Group.

mas pelo menos ele tem bom gosto, não?

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hoje comecei a escrever uma matéria que estava adiando há meses. por sorte, continua atual, com algumas pequenas modificações. não costumo sofrer de preguiça, mas esse foi um caso crônico: eu não tinha motivos para adiar por tanto tempo assim. por outro lado, ter esperado tanto me rendeu a melhor oportunidade para escrevê-la. deve ficar pronta em uma semana, e ser publicada em três meses. mais Dorival Caymmi do que isso, impossível.