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um final de semana daqueles lindos. caramba, foi bom demais. no sábado, apesar de ter sido acordado por brasileiros comemorando a medalha de ouro no vôlei feminino, o passeio pela exposição de carros antigos, no Pontão, foi bom demais. um monte de carros legais à beira do lago – que continua sendo meu cartão-postal preferido de Brasília – umas meninas com roupas de época fazendo figuração, um picolé de goiaba e um dia bonito: não precisava de mais nada. mas ainda tinham dois rabos-de-peixe vindos de cinco décadas atrás: um Cadillac De Ville e um Ford Thunderbird. uou.

à noite, uma festa no Lago Norte, na casa do Davi Barranco. a festa em si tava muito ruim (não deixem a Clarissa dar som, por favor. gosto muito dela, mas como DJ não dá. e nem deixem o Cochlar também), não tinha nem uma Coca-Cola pra beber. mas a companhia dos amigos era boa… e o desfecho da noite foi ainda melhor, nota dez mesmo. chegando em casa, constatei que o Brasil era prata no vôlei e fui dormir. eram quatro da manhã e fui acordar… às quatro da tarde.

com o domingo todo perdido na cama, fui assistir "O procurado" e gostei do filme e de tudo o que rolou em volta. como tinha comido bem pouco durante o dia, dei-me ao luxo de provar esse China Burger do McDonald’s: é bom, mas o gosto chinês do sanduíche era apenas um gergelim pouco pronunciado no molho. tá bom, McDonald’s é como o acústico do Capital Inicial, feito pra não ofender ninguém… mas esperava um pouco mais. só que foi pouco pra macular o final de semana. e você, como foi de sábado e domingo? conta aí nos comentários.

geito

(é, com “g” mesmo)

o Brasil acabou de ser campeão olímpico de vôlei feminino. ótimo, parabéns, eu só torço contra no futebol. mas aí o repórter da Globo, querendo falar com as campeãs, diz ao narrador “vamos falar com elas, mesmo que seja proibido”. o narrador responde: “se cassarem sua credencial não tem problema, porque amanhã você já não tem mais que trabalhar”. depois, vendo a algazarra das moças – dentro dos limites impostos pela organização, diga-se – o narrador, que é esse mesmo que você está pensando, manda um “é bom quando o Brasil ganha porque quebra o protocolo”.

do orgulho à vergonha (por causa desse maldito jeitinho brasileiro) em dois minutos. é um novo recorde olímpico.

vazando

(…) eu nunca precisei de motivos para ir embora de onde quer que me encontrasse. ir embora sempre me pareceu imensamente mais proveitoso do que permanecer. ir embora de uma cidade. ir embora de um jantar. ir embora de um espetáculo. ir embora da praia. eu gosto da praia. eu gosto de mergulhar no mar (…) mas muito melhor do que tudo isso é pagar os dez reais à barraqueira e voltar correndo para casa.

que eu sempre gostei do Diogo Mainardi, seja em colunas, seja no Manhattan Connection, seja nos podcasts, não é segredo; até comprei uma briga por ele na semana passada. coincidência ou não, a edição desta semana do podcast dele fala de algo que sempre achei que só eu sentia: o gosto por ir embora. na verdade, eu e a Sarah Nixey, da Black Box Recorder, cantando “I ran all the way home”. mas não… existe mais gente que sente o mesmo.

se você sente o mesmo, entre aqui e ouça o texto “tapar as vergonhas”, do dia 20 de agosto (ontem). é tão curto e tão bom que não dá vontade de ir embora antes do fim.

uai

eu costumava ser um renegado, costumava me enganar
mas não podia aceitar a punição, e tive que baixar a bola
agora eu sou careta, e sim, eu corto meu cabelo
você pode me achar louco, mas não estou nem aí
e te digo o que está acontecendo:
é moda ser quadrado

eu gosto das bandas usando ternos, vejo-os na tevê
estou trabalhando todo dia e prestando atenção no que como
eles dizem que é bom pra mim, mas não estou nem aí
eu sei que é loucura
eu sei que não dá em nada
mas não vou negar que
é moda ser quadrado

não é difícil imaginar, você vê isso todo dia
e aqueles que não são assim já se mandaram
você os vê na estrada, não parece muito divertido
mas não tente brigar: é uma idéia cuja hora chegou

não diga que sou louco
não diga que estou perdido
adote essa minha idéia:
é moda ser quadrado.

é moda ser conservador. como era em 1986, auge da era Reagan, quando "Hip to be square", do Huey Lewis & the News, saiu. cool.