mania

The team of designers working on the 2001 MINI had finished the full-sized clay mock-up of the MINI in plenty of time for a presentation for the board of directors. Chief designer Frank Stephenson realized that the model did not have an exhaust pipe. His short-term solution was to pick up an empty beer can, punch a hole in it, strip off the paint and pushed it into the clay at the back of the car, which took just a few minutes. The overall design for the mock-up was so good that the board members told him not to change a thing, resulting in the distinctive exhaust tip seen in production cars.

silogismo

terminei “O afeto que se encerra”, e ainda dá tempo de ler mais um livro na estada deprelandense. até agora foram seis revistas e um livro. numa das revistas, justo na mais frívola de todas, saiu uma matéria sobre o casal Gerald e Sara Murphy, dois americanos endinheirados que moraram na França da década de 1920, sendo os pontas-de-lança da invasão de célebres estadunidenses que por lá aportaram (Hemingway, Fitzgerald, Dorothy Parker), além de ligados aos grandes nomes das vanguardas modernistas de então. depois vou passar para o computador e disponibilizar aqui.

esperando 4

ging voor een het drinken avond en, daar wat een grote verrassing, zij uit was. enkel zo mooi zoals de laatste tijd die ik, negen jaar hier heb gezien geleden. ik erkende haar wegens haar haar, dat onveranderd schijnt. en zij keek de zelfde manier: alleen, lichtjes droevig, diep.

ik denk ik enige ben wie haar deze manier bekijkt. vandaag heb ik gehoord zij opnieuw enig is. duidelijk heb ik geen kans, en ik heb zelfs geen redenen te proberen. maar de schoonheid houdt kwetsend. terug naar die avond, gebeurde niets. zij erkende me waarschijnlijk, maar bleef het zelfde.

ik kon haar voor het doen van absoluut niets zelfs danken. omdat het is precies wat zij tegenwoordig aan me bedoelt.

Kafka

a vinte páginas do final de “O afeto que se encerra”, finjo tomar susto com a ferocidade do Paulo Francis, meu ídolo, para cima do Roberto Campos, meu ídolo.

o livro foi escrito em 1980.

*

ao fechar a página 241 e tomar fôlego antes das vinte últimas, olho a contracapa do volume 2 da “Lanterna na popa”, livro de memórias do Roberto. Paulo Francis se desmancha em elogios ao livro.

não são contraditórios ao tanto de críticas sobre a política e a economia do autor, mas ainda assim surpreendem, pelo mesmo vigor, mas em tom diametralmente oposto. “Lanterna na popa” saiu em 1994 e, nalgum ponto desses catorze anos – 1985? – Paulo Francis se “converteu” ao liberalismo econômico e a tudo aquilo que ele, de certa forma, combatera. mas consta que manteve, até o fim, uma foto do Trotsky sobre um móvel da biblioteca de seu apartamento em Nova Iorque.

cabeceira

ano passado eu emprestei meu “Lanterna na popa”, livro de memórias do mestre Roberto Campos (ajoelha-se e faz um em-nome-do-pai) para o meu pai, que não o leu. bem, agora que sou funcionário público, “Lanterna na popa” tem que ser meu livro de cabeceira, e eu o recuperei. vai voltar comigo para Brasília.

oceano

descubro, por meio do Pobre e Mal Agradecido, que alguém (quem?) escreveu sobre Brasília no “Público” do último dia 13. vale o regist(r)o tardio:

A cidade com asas
[Público 13 dezembro 2007]

Brasília será menos bela do que Veneza ou o Rio de Janeiro? Sim. Mas é certamente muito mais agradável, equilibrada e, se quiserem, humana do que Casablanca, Uberlândia ou Dallas.

Chego a Brasília a um sábado, por coincidência no mesmo dia em que o arquitecto da cidade, Oscar Niemeyer, faz cem anos. Da janela do avião olho as luzes da cidade e procuro distinguir o seu contorno, que tem também a forma de um avião. Ao centro o Eixo Monumental, para os lados as zonas residenciais, chamadas Asa Sul e Asa Norte.

Contrariamente ao erro comum, mesmo aqui no Brasil, Niemeyer não inventou Brasília. O político por detrás da ideia foi, como é sabido, o Presidente Juscelino Kubistchek. Mas quem desenhou a cidade em forma de avião foi o urbanista Lucio Costa.

Os edifícios mais importantes da nova capital brasileira, isso sim, foram criados por Niemeyer. Vão do sublime ao excelente e ao interessante, da catedral ao congresso e ao novo museu, dando origem a uma cidade percorrida toda ela pela mesma linguagem, harmónica e espaçosa. Brasília será menos bela do que Veneza ou o Rio de Janeiro? Sim. Mas é certamente muito mais agradável, equilibrada e, se quiserem, humana do que Casablanca, Uberlândia ou Dallas.

***

Muito antes de ter vindo aqui pela primeira vez, os amigos brasileiros diziam-me que, por decisão dos seus criadores, não havia árvores em Brasília. Essa historieta contribuía para criar um estereótipo de uma cidade anti-natural. Ainda recentemente a vi reproduzida no Expresso. Só tem um problema: é mentira. Na verdade, Brasília deve ser uma das cidades mais verdes do mundo. Enquanto escrevo esta crónica basta espreitar pela janela para ver uma vintena de belas árvores, que ocupam os espaços vazios entre os prédios perpendiculares às ruas (os prédios são perpendiculares às ruas e não paralelos, por decisão de Lucio Costa, o que deu origem a outro mito: o de que Brasília não tem esquinas).

O que justifica uma tão grande oposição entre o mito a realidade? Há talvez uma explicação simples: durante anos após a inauguração, as árvores recém-plantadas ainda não tinham crescido. Mas há também outra explicação: a rejeição instintiva que muitos humanos têm ao “artificial”, rejeição essa que se exprime através destes mitos. Da mesma forma, já ouvi dizer que a pronúncia do esperanto é horrível (não é: parece italiano) porque é uma língua “artificial”. E Brasília teria que ser supostamente desumana pelo simples facto de, paradoxalmente, ter sido uma criação humana ao invés de simplesmente ter aparecido na paisagem. Mas pensemos bem: não é, no fundo, qualquer das nossas cidades uma criação humana?

farináceo

a música do dia é de vinte anos atrás. todo mundo assistindo o vídeo:

favor atentar a duas coisas:

1. a Dusty Springfield era mesmo um rouxinol, como o vocal delicioso dela mostra;
2. a Dusty Springfield vestida de punk não ficou nada legal. sacanagem da feia com o rouxinol.

de resto é só sair cantando o refrão…