parabéns

deixem nos comentários os cumprimentos ao meu bisavô, Luiz Palandi (1884-1928) e à minha bisavó, Carolina Saquetti (1890-1973), que se casaram no dia 30 de novembro de 1907. há exatos cem anos, portanto.

e daí que eles já não estão aqui para comemorar?

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mal

ontem, assistindo “Casino Royale” pela quinta vez, chamou-me a atenção uma cena no final do filme. estão o James e a Vesper na praia, se pegando alegremente, e ela diz alguma coisa lisonjeira a ele. impressionado com a mudança de comportamento dela – que no começo do filme era arredia e só dava patada nele – ele faz um comentário a respeito disso, que não entende como ela pôde ter mudado tanto.

e Vesper, que, nunca é demais ressaltar, é interpretada pela Eva Green, responde exatamente assim: “é que sou uma mulher complicada”. e por complicada, entenda-se “problemática”. eu não tinha prestado a devida atenção nessa frase, mas ela explica exatamente porque eu me apaixonei por ela no filme.

hoje eu não estou pra você, meu amor

mal-estar súbito: não existem manhãs de tédio no trabalho, por isso a falta do que fazer, hoje cedo, fez soar o alerta laranja na minha cabeça: esse oceano Pacífico vai virar uma tsunami logo logo. até agora nada, mas o surfista aqui já está de sobreaviso.

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então tentei me manter distraído, enquanto a grande onda não vem: fui almoçar naquele restaurante semi-vegetariano aqui perto. hambúrguer de soja, iscas de tofu, quiche de espinafre, banana ao molho de mostarda com mel, arroz integral, broto de feijão, uma colher de linhaça por cima de tudo.

caso eu bata as botas hoje à tarde, vocês já sabem de quem é a culpa.

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o problema é que tinha um sushizinho bem do mequetrefe ali no meio, e isso fez soar o alerta amarelo: estou com vontade de comer sushi. algum dos meus amigos gastrônomos topa? hein? hein?

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(frase censurada). ou seja, é hora de me mobilizar e mudar essa situação.

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“Strangeways, here we come”, é o quarto disco dos Smiths, um lançamento póstumo. ele já estava pronto quando a banda acabou, e foi lançado um mês depois, de forma até acelerada, talvez para que o Morrissey pudesse começar logo sua carreira solo. na época, nem foi tão bem avaliado, mas, de uns cinco anos para cá, começou o culto. é o disco mais bem produzido da banda, tem três videoclipes (ou dois: a gravadora utilizou as mesmas imagens para os clipes de duas músicas), piano em várias músicas, um saxofone em “I started something I couldn’t finish”.

já ouvi por aí que é um disco conceitual sobre amor, já que começa dizendo “oooh I think I’m in love” e termina com uma música chamada “I won’t share you”, sem contar as coisas que se ouve entre essas duas. pode até ser, mas pra mim o “Strangeways…”, até pelo título, é um disco sobre estar perdido. de amor, talvez. mas de um monte de outras coisas. “Strangeways” é um bairro de Manchester, onde se localiza um antigo presídio. liberdade? coisas estranhas? tudo isso faz parte. ou não, já que se está perdido.

dia desses mesmo o Pedro Mexia, numa incrível coincidência, falou de uma música desse disco, que vem tocando todo dia no meu carro. preciso admitir, no entanto, que acho o lado 1 dele muito superior ao lado 2. mas muito mesmo. e eu, que comecei esse texto sem saber como poderia terminar, estou perdido até agora, então fim de texto.

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“politicamente, você está morto”. ai!

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eu acho insuportável quando você encontra com alguém, especialmente quem não vê há uma pá de tempo, e ao perguntar como a pessoa está, ela responde “ah, na correria”. correria? como assim? você tem tanta coisa pra dizer e responde “na correria”? ah, francamente, que babaquice. e normalmente quem diz isso é porque pode correr mais. pode até ser que não ache tempo, mas tem – e pode fazer mais. porque quem realmente não tem tempo não tem nem tempo de dizer que está na correria: arruma logo um assunto melhor.

virose

(um post que vai e volta no tempo)

fazendo algumas contas básicas, descobri que é possível conseguir a casa dos meus sonhos e o carro dos meus sonhos. basta que eu tenha um salário mensal bruto da ordem de R$ 22000. é o que paga o melhor concurso com inscrições abertas atualmente, que é o de Procurador da República. faz parte das atribuições de um Procurador da República elaborar denúncias sobre envolvidos em crimes de competência privativa da Justiça Federal, de dar o impulso inicial em ações civis onde a União seja parte interessada etc.

eu não quero ser um Procurador da República.

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isso dito e isso posto, é imperativo procurar uma alternativa. falo com meu tio no MSN. ele diz que eu não tenho perfil para a iniciativa privada “porque eu não ralei desde o começo”, referindo-se ao fato de que eu não trabalhei na adolescência, por exemplo, ou durante a faculdade. corta para este lado da conversa: lendo aquilo, me sinto mal. a verdade dói, mas epa! – quem disse que aquilo ali era a verdade? ele. a mim, resta rebater com argumentos: três grandes amigos meus, que eu saiba, não ralaram tanto assim durante a adolescência e hoje estão se dando bem na XP. lamento dizer, Valmir, but… I proved you wrong.

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quarenta e oito horas atrás, conversando com um amigo. ele me fala de uma amiga da namorada, “bem interessante”, segundo o próprio: advogada, mais velha. e me manda uma foto da dona, para saber se me interesso. observo, fecho a foto em dez segundos, a vida segue. digo alguma coisa para amenizar, ele me pergunta o que achei. sem pensar, mando algum comentário espirituosamente babaca, e ele diz que falta romantismo na minha vida. OPA!

OPA! OPA! OPA!

e pensar que eu sempre me considerei um cara romântico, pelo menos até segundos antes disso. a verdade dói: o que ele me diz é que deixei de acreditar nessas coisas em algum lugar lá atrás, não me lembro bem onde. mas tá aí: eu não sou mais romântico e a ficha não havia caído até agora. ele me cola uma mensagem da namorada para ele. acho tudo tão água-com-açúcar que sinto vontade de comer uma picanha mal passada. ele diz que “é uma questão de eu achar alguém” e eu concordo, afinal de contas eu já me senti assim algumas vezes. o papo começa a me incomodar e eu mudo de assunto, mas essa verdade vai me piscar uma, duas, dez vezes antes que eu atravesse o túnel.

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volta para hoje. ligo para a Ana Paula e pergunto a ela o que um Procurador da República faz. ela me esclarece, diz que é um promotor de justiça no âmbito federal, apesar de o nome do cargo, assaz garboso, sugerir algo diferente, quiçá supremo. não escondo minha decepção e explico a ela que até então pensava em estudar para o próximo concurso com vagas para o cargo. ela diz, com acertada razão, que eu tenho de ficar longe desse concurso, por ter passado toda minha “vida jurídica” com ojeriza do parquet.

pouco depois ela me pergunta como vai a vida e se eu estou apaixonado por alguém. dou a resposta de sempre, e ela diz para que eu não me preocupe, e que “tudo tem a sua hora” – frase que minha mãe dir-me-ia uma hora e tanto depois, em outro contexto. sem me lembrar da conversa de sábado com o Guilherme, narrada pouco acima, concordo com a Paula, mas apenas para encerrar o assunto. para citar uma frase da primeira música do disco que mais tenho ouvido por esses dias, no, don’t mention love…

*

uma hora antes disso, lá estou eu no terceiro andar do prédio. encontro meu contato. falo para ele de como estou feliz. de como certas coisas que estou desenvolvendo, a despeito do retorno financeiro que me oferecem, fazem de mim um cara satisfeito. ele se surpreende. e então digo que estou ali porque quero mais. ele me põe a par das dificuldades e eu apenas digo que quero, posso e vou ajudar.

porque daqui a uma hora vai ter a Ana Paula pra me dizer que “tudo tem a sua hora”, o que minha mãe vai reiterar sessenta minutos depois.

*

back to the ground zero: aqui costumavam estar duas torres gêmeas – eu e você, meu amor? – não. a lembrança de um passado que não fui eu quem construiu, tampouco você, se é que você… bem, deixa pra lá. então um dia virou o dia em que tudo acabou, e é aí que as coisas começam: cabe a mim erguer essa torre, mas do zero. sem lembrar que um dia ali houve uma torre, houve outra torre, houve uma trama de vidas envoltas naquele concreto hoje tornado pó.

traduzindo para o português: é a minha vida, preciso construi-la. com ou sem ajuda, um andar de cada vez, mas com a obrigação moral de ficar melhor do que algo que só conheço de relatos dos outros, sem uma única foto em preto-e-branco para me dar uma idéia. apenas a obrigação moral de ser melhor, ou o sentimento de ter falhado. daqui do décimo quarto andar a vista é muito bonita, mas lá em cima é ainda mais. mas como eu posso saber disso, se nunca estive lá? é que de vez em quando eu sonho.

o que é um comportamento de gente romântica.

imaginando

uma listinha básica para encerrar o domingo: cinco nomes que eu daria pras minhas filhas – que, espero, serão duas.

1. Carlota (porque em português é tão poético quanto no original francês, “Charlotte”)
2. Catalina (como na Romênia e nos países de língua espanhola)
3. Emiliana (vai bem com o meu sobrenome)
4. Beatriz (o nome mais aristocrata dos cinco aqui, embora todos sejam)
5. Simona (Simona, e não Simone, porque Simone é nome masculino na Itália)

lombada

eu não entendo o que você diz.

é simples assim. eu não entendi quando você quis me dizer alguma coisa, e isso me confundiu. falei exatamente o contrário do que queria, e nunca soube o que você queria dizer.

nunca soube. pedi pra que você me explicasse, quando era tarde demais. era tarde, mas eu queria saber – pra mim, você nunca vem tarde.

nem assim você disse, e o teu silêncio passou a me incomodar. principalmente porque eu sei que ele não é tão silêncio assim.

mas, por causa de todas as mágoas que pavimentaram o caminho do começo até aqui, e porque você acha que não adianta mais e tudo está resolvido, você engole esse quase silêncio e não fala.

e enquanto você já sabe as três palavras que explicam o meu lado, eu continuo sem te entender.

abertura

dias atrás, num almoço com o chefe, ele me deu uma dica: falou que, para sempre ter um objetivo e não se deixar desanimar, eu deveria colocar, como papel de parede do meu computador, uma foto do carro dos meus sonhos.

falei pra ele que já tinha, no micro da Telerj, uma foto de uma ilha no Taiti, meu destino de viagem dos sonhos, embora essas questões sejam sempre mais complicadas do que um carro. e ele disse que com quaisquer sete mil reais eu viajo para um lugar desses.

ele tinha razão, e desde aquele dia eu troquei o papel de parede (que em casa era uma tela azul da Apple, bem simplezinha), tanto na Telerj quanto em casa, por uma foto de um Jaguar XJR. e olho fixamente para o carro várias vezes ao dia, como que dizendo para mim mesmo que algum dia o terei. e vou mesmo.