voz do deserto

um final de semana gostoso e com agitação na medida, como há muito tempo não havia: essa tal de socialidade nunca sabe se manifestar na quantidade certa.

*

dezoito horas de sono, bastante o que se fazer: almoço de aniversário do Marcelo, com aquele belo vinho argentino mencionado antes, depois uma ida ao Mané Garrincha com o Anônimo para ver nosso Gama tomar de 4×3 do Paulista de Jundiaí. um time horrível, de um lugar horrível, com uma trajetória horrível no futebol: perder para o Paulista foi uma vergonha. paciência, sendo assim o Gama terá de se contentar em enfrentar, de igual para igual, o Corinthians na série B, ano que vem.

*

depois, à noite, fui com a galera ver de colé a desse Beirute da 107 norte. e gostei do que vi: um boioléu menor, o atendimento melhor, os azulejos ainda brancos e uma sensação de limpeza. em se tratando de Beirute, todo brasiliense sabe que isso tudo é inimaginável. não foi perfeito, claro, mas tava maneiro. até mandaram bilhetinho pra uma dona de outra mesa em meu nome, pra me constranger – e, obviamente, o bilhetinho não deu em nada.

porque, se desse, eu tava perdido.

*

depois disso, marquei com a Licota de ir até a Casa Cor Brasília 2007, que se encerrou neste domingo. a previsão original era de ir hoje à tarde, mas a Lia me mandou uma mensagem pra que a gente fosse na hora do almoço, que provavelmente teria menos gente. a mensagem me acordou (eram 11:20 da manhã) e eu bati meu recorde de me arrumar rapidinho: tomei banho, lavei os cabelos, passei gel, bloqueador solar, saquei dinheiro e cheguei no prédio do Touring em 26 minutos. e, detalhe, eu acordei.

sempre tive vontade de visitar a Casa Cor, e a desse ano tinha um agravante: o prédio do Touring é lindo e, por um lado, tem uma localização extraordinária (por outro, fica do lado da rodoviária e do Conic, duas das maiores vergonhas brasilienses). mas, por dentro, a coisa tava assim, assim: os arquitetos que montaram o circo por lá não quiseram saber de utilizar a luz dos ambientes, tudo tava fechadão, um saco. de toda forma, tinha alguns momentos bem legais, especialmente quando estávamos no ambiente “Consultório Médico” e, no meio daquele mobiliário todo, vimos uma radiografia em cima da mesa do médico que ali ficaria.

era um eletroencefalograma do próprio arquiteto que tinha projetado o ambiente. achei genial.

*

pausa para um sanduíche e, depois, fui com Lelo e Felipe assistir ao “Tropa de elite”, finalmente. todo mundo sabe da minha política para o cinema nacional: se não tem Mussum nem Mazzaropi, tô fora. não quero saber de comédia romântica sobre carioca-ator-da-Glooooobo nem de filme de favela glorificando o marginal. eu não quero saber o ponto de vista do pobre: meu pai nasceu pobre, estudou e subiu na vida. pode até ser que nem todo pobre tenha condição de subir tanto, mas isso não justifica virar bandido. nunca.

mas meu deus, “Tropa de elite” é muito bom. valeu os quinze reais empatados, numa boa.

*

acho que tinha alguma outra coisa para colocar aqui, mas não me lembro o quê. quando lembrar, registro.

Anúncios

le tourbillon

ontem eu tive um momento Marcio Porto no carro. tava saindo do trabalho, indo pro Friday’s (bota-fora de um amigo que tá trocando de departamento na Telerj), descendo ali da L2 pra L4 sul. tava um céu cinza lindo armando chuva, um Sparklehorse no som, as lanternas do carro já acesas, apesar de ainda estar claro. e na hora eu pensei “meu deus, isso é muito Marcio Porto”.

*

aniversário do Marcelo hoje (parabéns a ele!), e a irmã dele trouxe um vinho argentino cujo nome não me lembro agora, mas que é feito com uvas pinot noir. sempre achei essa história de enologia uma grande bichice, já que prefiro uísque e vodca, mas esse foi o primeiro vinho realmente gostoso que tomei na minha vida. e olha que tomei muitos… inclusive um monte de argentino, chileno e italiano para o qual pagam um pau violento. vou comprar umas dez garrafas dessa belezinha, mas antes preciso perguntar o nome do vinho para a Cissa. assim que souber, coloco o nome aqui, prometo.

*

esse final de ano pede uma postura diferente. mais relaxada, mas ao mesmo tempo mais centrada. será que eu dou conta de me transformar assim?

chega de saudade

durante muito tempo eu ouvi que ter uma boa memória ajuda. é um diferencial, você teoricamente pode ter mais assunto para conversar, mais conhecimentos, coisas assim.

mas descobri que ter boa memória não é bom. porque você pode se lembrar de coisas ruins ou tristes com muito mais facilidade.

timão

(não tem fonte certa porque a imprensa só cobre primeira divisão)

Corintiano agride namorada por causa de roupa

Um office-boy de 22 anos foi preso ontem em São Paulo acusado de espancar a namorada, uma cabeleireira de 20. Cleidson de Souza disse em depoimento que a roupa de Vandira Moreno motivou o acesso de raiva.

“Mano, nóis tá no maior aperto lá no timão. Os porco e os bambi tudo zuando nóis. E daí eu chego em casa, pá, mó stress, e a mina tá usando tomara-que-caia? Já saí distribuindo corretivo, tá ligado?”, afirmou Souza.

ohm

(trilha sonora: “Gold day”, do Sparklehorse)

ontem foi um dia e tanto. trabalhei como alguém da iniciativa privada, subi e desci, fiquei em pé, deixei meu traseiro flat durante reuniões cheias de cerimônia, bebi café amargo, fiz minha politicagem (ainda que a conta-gotas), fiz tudo o que era preciso. depois voltei para casa no piloto automático e assim passei a noite de ontem: eu já tinha vivido o dia todo em menos tempo.