dança da chuva

todas as corridas de Fórmula 1 deveriam ser realizadas sob chuva torrencial e em pistas que não fossem projetadas pelo maior projetista de circuitos da atualidade, o alemão Herman Tilke (tomara que ele morra).

hoje, numa corrida onde choveu a cântaros em um circuito das antigas, assisti ao melhor GP em cinco anos (certeza) ou dez (talvez). ultrapassagens absurdas, erros de estratégia, novatos ultrapassando medalhões sem pensar meia vez, batidas, rodadas, japoneses encharcados… um paraíso.

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e a chuva que tão bem fez para a Fórmula 1 também faria muito bem a esta Brasília que já não vê água cair do céu há cinco meses. alguém podia aproveitar que a Juliette Lewis se apresenta com aquele figurino indígena ridículo e pedir-lhe para que dance para atrair a chuva no planalto, não?

marcapasso

já sentiu como se sua cabeça ou seu estômago fosse uma máquina de lavar, de tanto que roda? estou me sentindo assim hoje. na verdade, como se minha cabeça fosse uma máquina de lavar e meu estômago fosse outra. e cada uma rodando em um sentido. tenho dormido seis ou sete horas diárias, quando meu organismo precisa de dez; para piorar, ontem acabei comendo no Habib’s, e todos aqui sabem que Habib’s não é comida. é qualquer coisa pra ficar sem fome, mas daí a chamar de comida é muito diferente.

agravou a situação o fato de ter dado uma banana para o mundo dos travesseiros e ido pra balada. foi uma delícia, apesar da condição física em que me encontrava: para quem viu o que escrevi ontem, e as coisas que teria que fazer esse final de semana, o fato de eu ter desperdiçado uma noite livre para dormir parecia loucura. e foi. mas é assim mesmo. aí agora é conviver com essa ressaca, dormir alguma coisa (consegui pregar os olhos por quatro horas, agora há pouco) e acordar melhor amanhã.

mas eis algumas coisas legais:

– rolou um festival de salada caesar na residência dos Chad. e a salada que o Craudio fez é a melhor que comi até hoje – olha que de salada caesar eu entendo bem. para quem se interessou, ele pegou a receita do Jamie Oliver e a seguiu o mais fiel que pôde;
– segunda-feira o salário cai e vai ser o dia de lavar a alma. e o carro, que tá uma imundice que só;
– o Rogério não me escreveu hoje. talvez ele também esteja doente. melhoras, Rogério;
– daqui a pouco tem Fórmula 1 e espero conseguir assisti-la. que o Hamilton ou o Raikkonen sejam campeões; o Alonso me parece um mané, e o Felipe Massa ainda precisa comer muita farinha láctea antes de erguer um título;
um trecho perverso de um Woody Allen das antigas, cortesia do Pedro Mexia.
– um clipe legal das antigas. do tempo em que eu gostava da banda, pelo menos:

até amanhã, então. e que história é essa de o McDonald’s veicular um anúncio dizendo que é “o restaurante oficial das Olimpíadas de Beijing 2008″?

incenso

tenho um final de semana pauleira pela frente: aulas na noite de hoje e na manhã de sábado, provas nas tardes de sábado e de domingo. adicione a isso muito sono acumulado e uma pequena confusão na minha cabeça, por causa do negócio de ontem.

mas já tenho uma solução: provavelmente vou à aula hoje à noite e colocar presença por hoje e por amanhã, voltar mais cedo para casa e dormir. amanhã eu mato a aula, acordo mais tarde, dou uma leve caminhada (metade do tempo normalmente dispendido), encaro um almoço mais relaxado e tomo o cuidado de fazer a prova bem devagar. no domingo, repito o pensado para o sábado, apenas acordando durante a madrugada para assistir à Fórmula 1.

não me preparei da melhor forma pra essa prova, não estudei muito. mas preciso fazer, e já começar a me preparar para a próxima, no ano que vem. fugir da raia é que não dá. e vai ser bom que essa prova passe, porque tenho uma fila de livros para ler e um projeto novo para tocar.

(atualização: descobri que não tenho aula amanhã cedo. hooray!)

Beckett

em homenagem ao acontecido abaixo e a todos os deslizes profissionais, os foras de mulher, as burradas no trânsito, as mágoas, as garrafas de uísque (foram várias) e a todos os outros erros que cometi, volta ao cabeçalho deste blógue a frase do Samuel Beckett que faz parte do nosso estatuto, junto com a declaração de princípios do Peter O’Toole e boa parte do que o Pedro Mexia escreve no Estado Civil.

não estou, mais uma vez, me referindo a nada em particular, tampouco estou triste. sinto-me feliz por ter chance de errar, o que quer dizer que estou vivo – mortos não erram. claro que não é bom errar, mas existem coisas piores na vida. como diz o estatuto da XP Investimentos, “incompetência pode ser perdoada, falta de lealdade jamais”. então com licença, vou ali errar de novo e melhor.

(p.s.: os comentários nos posts retornam normalmente amanhã)

quinze

alguns amigos próximos sabem da minha política com cigarros: fumo um maço (vinte deles) por ano, porque é preciso saber medir essas coisas. hoje fumei o décimo quinto cigarro de 2007, por conta de uma besteira grande que fiz no trabalho e sobre a qual não gostaria de falar aqui. o importante é que ela foi consertada pela minha chefe e eu aprendi umas coisas que não me foram muito bem explicadas quando entrei aqui na nova área. mas o lance é que isso me deixou um tanto pra baixo.

o que eu espero, agora, é que aconteça a mesma coisa que aconteceu comigo em relação aos carros: depois do meu acidente no ano passado, no qual tive toda a culpa, fiquei todo cheio de medos e dedos no começo. mas depois perdi o medo e voltei a acelerar, a fazer merda, essas coisas. porque, como disse minha chefe, “só erra quem faz”. e agora o lance é aproveitar a nicotina no corpo, adicionar um pouco de endorfinas (leia-se “chocolate”) e seguir em frente.

lítio

uma vez o Alexandre Matias escreveu sobre o “Summerteeth“, do Wilco, e fez um comentário sobre as personagens das músicas que ficou um bom tempo martelando minha cabeça: segundo ele, “os personagens que choram suas tristezas pela voz de Tweedy não sabem porque estão falando aquilo. simplesmente dizem”.

tenho dito e feito umas coisas, ultimamente, desta mesma maneira: sem saber o motivo – eu apenas digo ou faço e assim as coisas seguem. mais tarde é que vou descobrir se me orgulho ou me envergonho da minha fala ou da minha atitude. e quando digo “mais tarde”, pode ser que leve semanas, meses, anos… ou ainda eu posso nunca saber. mas nunca vou ficar indiferente a tudo isso.

não estou me referindo a nenhum acontecimento em particular, até porque minha vida não está com uma tsunami a cada dia, uma revolução a cada dia. não preciso viver dez anos em dez meses. apenas preciso aceitar que minha vida é um pouco diferente das pessoas que me cercam, em alguns – repetindo: alguns – aspectos, e que para estas coisas não há um referencial tão próximo, razão pela qual é um pouco mais difícil viver. mas longe de ser impossível, e longe de representar qualquer perigo à minha calma.

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quando vejo um lixo como “O ano em que meus pais saíram de férias” ser o indicado brasileiro ao Oscar, sinto uma enorme vergonha de ser brasileiro. vergonha, com vê maiúsculo. vergonha de ver um embuste esquerdista nos representar em um evento importante assim.

hão de ponderar: mas “Bowling for Columbine” não ganhou o Oscar? desde “The bodyguard” o prêmio não passa de uma grande pieguice? lixos como “Titanic” e “O senhor dos anéis” não receberam onze Óscares cada? sim, de fato. mas o impacto é o mesmo de chegar vestido de Evo Morales numa festa black-tie, ou seja: não é porque os outros vestem farrapos que você vai de mendigo.

sobre o assunto, tem o podcast do Diogo Mainardi, um pouco repetitivo mas de boas premissas, aqui. e tem uma sensação estranha que se refere a um possível próximo projeto meu.

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não vou culpar a pressa, o trabalho ou qualquer outra coisa pelo ritmo mais slow motion deste blógue; na verdade, é gostoso escrever tendo de refletir antes, ao invés de colocar aqui qualquer besteira que me vinha à cabeça, como antes. setembro costumava ser o mês em que eu melhor escrevia aqui. pois esse ano vai ser dezembro, com novembro em segundo e outubro em terceiro.