sirene

dia de pequenos aborrecimentos e grandes vitórias. de querer trocar de presidente com os EUA, depois do discurso do apedeuta em Camp David, de torcer pelas meninas australianas no revezamento 4×100 (duas delas são lindas), de usar o celular no meio da madrugada e de falar alto, sozinho, sobre coisas que o coração esconde. de comer pouco e arrematar com um sorvete de banana com canela, de sonhar na cama com o dia em que os pequenos aborrecimentos tornarem-se todos grandes vitórias. de ter noção da proximidade dos fantasmas, de contar 1-2-3 com os dedos da mão esquerda, antes de acelerar o carro no 4.

a noite traz algumas surpresas e outras velhas sensações. a vontade de andar na rua vai me levar a algum lugar… e me trazer de volta em segurança.

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o que se ganhou

recebo o convite para uma reunião dos amigos de faculdade. declino pela distância. estivesse por lá, pensaria duas vezes antes de ir: fico preocupado com a perda de algumas coisas que duraram por um período determinado.

(corta)

assisto a “Lucky man”, do Verve, no YouTube. dez anos se passaram e a impressão que as fotos do encarte me passam são as mesmas que tenho dos corredores aqui do trabalho: é concreto (o material do prédio), mas é abstrato (parece que não fui incorporado ao contexto).

algumas pessoas deixam comentários no vídeo, e várias dizem que sentem saudades daquela época: tem gente que chega a dizer que a música e um monte de outras coisas eram melhores em 1997. e, repetem, sentem saudades.

eu não sinto, estou bem melhor agora. a única coisa de que sinto alguma falta, mas que não chega a configurar uma saudade, é que eu tinha, naquela época, uma liberdade maior para errar – coisa que dos quinze aos vinte e cinco anos só faz diminuir.

(corta)

já disse aqui, algumas vezes, que me proíbo de sentir saudades. mas algumas são mais fortes do que qualquer proibição, e é assim que a vida funciona.

anfábio

como eu já disse aqui uma vez, mês passado: meus queridos amigos, não me deixem fazer essa loucura. me amarrem à cadeira aqui do trabalho, passem seis correntes para certificar-se de que não vou escapar, coloquem um cão de guarda para me vigiar… mas não me deixem fazer isso.

MC Rove

da Folha de São Paulo de hoje:

Na mesa colocada no palco, sentavam-se o presidente George W. Bush e a primeira-dama, Laura, à esquerda, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, à direita. No centro, um púlpito. À frente, dois comediantes, Colin Mochrie e Brad Sherwood. No meio da dupla, Karl Rove dançava rap. Cada vez que a música improvisada dava a deixa para que ele respondesse seu nome, o principal assessor político de Bush dizia: “MC Rove!”

maconha

Senador discursa contra empresa que não existe

O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), acabou cometendo uma gafe em Plenário, iludido por um site fictício da Internet. Na última terça-feira, ele criticou a empresa Arkhos Biotech, supostamente com sede nos Estados Unidos, por propor que a Amazônia fosse internacionalizada e passasse ao controle privado. O senador classificou a proposta de “extremamente grave” e lamentou a “declaração ofensiva ao Brasil”.

Mal sabia o senador que a Arkhos é na verdade uma criação publicitária do Guaraná Antarctica. Em nota a assessoria de imprensa da empresa disse que aderiu a uma ferramenta de marketing ainda pouco explorada a “alternate reality games”, conhecida como ARGs. Para isso a empresa criou um site que desafia os consumidores a desvendar a fórmula secreta do Guaraná.

O jogo tem uma empresa vilã que se chama Arkhos Biotech, que deseja transformar a Amazônia em uma reserva sob controle privado. A empresa parte do jogo virtual tem até mesmo um site próprio na Internet, em língua portuguesa.

Esta perfeição de detalhes acabou pregando uma peça no senador Arthur Virgílio. Segundo a assessoria de imprensa de Virgílio, quando foi informado sobre a verdadeira identidade da Arkhos Biotech, o senador achou graça do equívoco, que considerou “um mico”. O senador ressaltou que o dever dele é defender a Amazônia e que propostas como esta já foram discutidas em outras ocasiões.

Altamont

here’s my strength and my weakness, gents –
I loved them until they loved me.

o melhor disco do ano não é o do Wilco nem o da Feist, mas ainda o “No promises”, da Carla Bruni. a música da qual destaquei os versos acima, veja só, é um poema feito sob o ponto de vista de uma princesa, dizendo logo aos príncipes que lhe fazem a corte de todas as suas forças e fraquezas, para arrematar com o refrão “I loved them until they loved me”. não sou uma princesa (muito pelo contrário) e não estou na mesma situação dela (muito pelo contrário), mas essa frase às vezes me serve bem.

*

faz dois dias que comprei as últimas edições da Exame e da GQ Portugal mas, graças ao dia inteiro de reuniões inconclusivas que amarguei, não passei da capa. gerenciamento de tempo é algo precioso; entretanto, no ritmo que as coisas normalmente seguem por aqui, hoje essas duas revistas serão pouco para o tempo disponível. então é hora de programar um itinerário: vou ali criar um grupo de trabalho multidisciplinar (tradução: “vou ali jogar conversa fora”)com o Otto? passo no RH pra tomar um cafezinho (o RH fica no terceiro andar do bloco H, eu trabalho no décimo do bloco E)? desço até a 403 sul para olhar as vitrines daquele antiquário cheio de coisas legais mas que não ficam bem na minha casa?