Ronnie Von

no final da semana passada o Alexandre disse que alguém da produção do programa do Ronnie Von (“Pra você”, exibido na TV Gazeta, às 22:50 de terças e quintas) entrou em contato, querendo que fôssemos falar sobre o livro na tevê. e perguntou se eu tava a fim.

como disse um cara pro Bernardo Carvalho uma vez (e eu peguei no blógue dele), “boca livre e pênalti quem perde é otário”, ao que estou plenamente de acordo. como no programa do mestre Ronnie Von rola um rangui feito na hora, era ir ou ir. e fomos, mais a Giselle.

ao chegar lá, fomos informados que apenas um seria chamado para a entrevista, que não era possível botar os dois. sem problemas. o Alê ficou puto, o que eu achei despropositado. afinal de contas, eu sou tímido e só fui lá pela farra e pela oportunidade de conhecer esse grande cantor / ator / apresentador / showman. e que, ao vivo, é o cara mais simpático do mundo: atencioso com todos os convidados, sempre falando em um tom de voz assaz agradável, sempre bem humorado e com um fôlego de dar inveja até aos meus amigos no auge do vigor físico. gravou dois programas e várias vinhetas numa só tacada, num só take, sem deixar o ritmo cair nem quando tinha de ligar um assunto a outro.

quando foi informado que o prato do dia era um macarrão com presunto de Parma e alcachofras, o Alexandre surpreendentemente relinchou, dizendo que não curtia as verdinhas. mas quem se importa? eu detesto azeitonas mas, se estivesse ali, na presença da lenda, comeria um vidro inteiro e ainda pediria meu outro desafeto alimentício, o molho branco, para acompanhar. e tomaria vinho branco por cima, pra completar o mau gosto – que fatalmente me levaria a um revertério das mesmas dimensões do terremoto de Lisboa em 1755.

perguntei pro ilustre Ronnie se ele conhecia o Scott Walker, ele disse que “só de nome”. falei que via muitas coincidências na carreira dos dois, que começaram como ídolos do pop, aventuraram-se pelo experimentalismo e pela erudição, tiveram fracassos comerciais na virada para a década de 1970 e acabaram apresentando programas de tevê para donas de casa. ele se interessou. uma pena que eu não tinha um cd-r do “Scott 3” para presenteá-lo.

sempre solícito, ainda conversou com todos sobre sua carreira, falou de como a família esteve contra sua vocação de pop idol – eles eram donos de um banco e Ronnie, estudante de economia, vinha sendo preparado para a sucessão. e ainda falou um pouco dessa coisa de pais e filhos discordarem, o que me motivou a falar com meu pai sobre umas coisas importantes no outro dia – assunto para a próxima entrada neste blógue.

posou para fotos conosco (em breve, aqui neste blógue) e falou que sua gravadora está preparando um box-set com seus discos – uma cópia já é minha. despedi-me dele, encantado com sua simpatia, e fui comer alfajores argentinos, numa rara transgressão à dieta.

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