luglio ’05
uma comparação feita em meados do ano passado pelo deputado italiano Antonio Di Pietro, da esquerda italiana, só chegou agora à redação deste blógue: “Berlusconi é como a Aids, quando você conhece, você evita”. ou, se você for turco, “Berlusconi AIDS gibi bir sey. Tanidikça ondan uzak durmaniz gerektigini bilirsiniz”.

achei tanta fé no que o bicho disse que vou começar a usar essa frase, adaptando-a ao meu quotidiano. beleza?

creize
Muito se fala – até hoje – sobre o medonho MONSTRO DO LAGO PARANOÁ. Centenas de avistamentos foram relatados no DF Medieval, mas a comunidade científica preferiu descartá-los como uma ilusão de ótica causada por um GAI DE PAU boiando nas noiantes águas do lago. Sandice, como bem entendemos. Na verdade, a suposta besta nada mais era do que Anfábio, um maconheiro que ia para a UnB de caiaque.

e com essa, o DF Medieval continua um lugar de altíssimo nível.

Brasília, a cidade-luz
depois que me mudei para a capital federal, virei autoridade para discutir política na cidade onde passei o começo da minha vida. todo mundo acha que, só por estar em Brasília, já estou associado às elites políticas que dominam esse curralzinho de oito milhões de quilômetros quadrados, todo mundo acha que eu tenho revelações bombásticas sobre os escândalos políticos que assolam o país da mandioca. e normalmente eu não tenho.

mas tenho uma hoje: numa reunião de uma empresa local com uma grande lobista que para eles trabalha, ontem à noite, um dos ex-assessores de imprensa do PT, contratado a peso de ouro por esta empresa de lobby, contou histórias do arco da velha sobre o modus operandi do partido, incluindo megalomanias de seus dirigentes. e confidenciou que, além do caseiro, há uma outra pessoa que pode confirmar que o ex-ministro da Fazenda, afastado essa semana, freqüentava a casa: um garção que servia os convivas.

o assessor não disse o nome do esculápio, talvez para proteger a crocodilagem. esse garção foi “salvo” pelo PT, que arranjou-lhe um emprego… no Ministério da Fazenda. o que não impede, claro, uma convocação por parte da CPI, caso se interesse.

uau
o Concelho (com “c”, à portuguesa) de Lewisham, na região metropolitana de Londres, está conclamando seus cidadãos a tomarem parte numa campanha contra o vandalismo. eles são chamados a denunciar actos como pichações, lixeiras e contêineres de entulho carregados acima do limite, veículos abandonados e toda outra sorte de poluição visual que afete Lewisham.

só que o modo como as informações são processadas é outro. eles pedem para que você fotografe o ocorrido com a câmara de seu telemóvel e envie ao número deles, informando, no corpo do MMS, o endereço da coisa e qualquer outro detalhe que seja possível fornecer. e prometem agir em até três dias úteis. caso o denunciante queira, pode ser informado, via SMS, dos progressos que o Concelho tomou em relação à sua denúncia e, quando a parada estiver resolvida, receber uma foto de como as coisas ficaram.

não é maneiríssimo? apesar do esforço necessário, eu adoraria ver essa idéia pegando em Brasília.

1, 2, 3, 14
com a demissão do Palocci, a colocação do cargo de presidente da Caixa à disposição e o inútil do Guido Mantega sendo o primeiro italiano a assumir o ministério da Fazenda brasileiro, essa semana tá excelente para nós, da oposição. se eu fosse o ACM Neto, sairia de casa com os bolsos do terno cheios de pedras grandes, e não hesitaria nem meia vez em:

– pedir o enquadramento do Lula na CPI dos Correios;
– ouvir, ainda que com o Supremo Tribunal Federal contra, o depoimento do Francenildo;
– arrumar um double agent que consiga, à força, quebrar o sigilo bancário do Paulo Okamotto. é contra a lei? é. é anti-ético? sin duda. mas já que a coisa caminha para ver quem é mais baixo, foda-se;
– abrir um processo contra a Ângela Guadagnin por quebra de decoro por causa da dancinha da semana passada. no vácuo, faria um paredão pra evitar um “acordão” que livre a cara do João Paulo Cunha, essa semana;
– jogar na propaganda partidária a declaração do Lula, semana passada, de que se o Palocci pedisse pra sair do governo, ele não deixaria sair.

ou seja, o momento para fazer blitzkrieg contra o governo é agora. é bater com toda força do mundo e fazer o dólar chegar a R$ 3,30. depois é só conter o STF e correr pro abraço. mas não muito rápido, porque o limite de velocidade no Eixo Monumental é de infames 60 quilômetros por hora.