heavy words so lightly thrown
tem um poema do W. H. Auden que termina com a seguinte frase:

thousands have lived without love, not one without water

eu consigo imaginar essa frase saindo dos lábios da Holly Golightly. pior, eu consigo imaginar essa frase saindo dos seus, enquanto segura um cigarro com a mão direita e um copo cheio de água com a esquerda, antes de tragar e beber, nessa ordem.

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da mesa do sr. Varjak
bom, então acordei às 3:30, por uma dica do Marcelo, para assistir “Bonequinha de luxo” no SBT. fazia uns dois anos que não via o filme, e qualquer programa com a Audrey Hepburn no meio é melhor do que ficar tendo pesadelos (seja na cama, seja no “Carnaval do mal”).

o que eu não imaginava, mesmo já tendo visto o filme um monte de vezes, é que ele – em especial a primeira metade – tem bastante a ver com um aspecto da minha vida, atualmente. um transtorno que me vem deixando meio despirocado (confuso, com os parafusos soltos, etc). a diferença, o amor, vem na segunda metade: graças a ele, o filme termina de um jeito, minha vida tem terminado de outro. mas sem reclamações. algumas coincidências profissionais e psicológicas agravam a situação, e eu fiquei impressionado.

talvez até não tenha tanto assim, mas o Kurt Vonnegut chamava a atenção para o facto de que o leitor de um livro, o ouvinte de um disco, o espectador de um filme procuram, inconscientemente, se identificar com algo na obra procurada. no meu caso, é muita identificação. sei lá, falo tanta besteira… capaz de não ser nada. será? eu já ouvi gente me dizendo “ela é doida” da mesmíssima maneira como certa hora dizem para o George Peppard no filme.

bem, acho que não fui muito claro nesse poste, talvez porque não me sinta à vontade para dizer tudo. esperança de final feliz? prefiro não pensar nisso e trabalhar noutras coisas… better take care.

crazy / beautiful
acabei de fazer minha loucura de carnaval: acordar às três e meia da manhã para assistir “Bonequinha de luxo” no SBT. um poste mais detalhado seguirá quando eu acordar pela segunda vez hoje. boa noite.

revenue
tenho que agradecer ao David Gray.

a sério: depois que o bichão batizou o último disco de “life in slow motion”, ficou virtualmente impossível de achar meu blógue pelo google, apesar de um redirecionador, o do endereço provisório que tive no Terra, aparecer entre os primeiros resultados. dos cem primeiros, noventa e sete são referências ao disco :)

die Gischt
eu preciso tanto do seu amor
eu te amo tão loucamente
mas eu não tenho a mínima chance com você
pensei ao menos tê-la encontrado
mas outros amores te rodeiam
e eu não tenho a mínima chance com você
se você se render
apenas por um doce
beijo ou dois
você pode descobrir
que eu sou o cara
feito para você
mas o que há de bom em planejar?
eu estou sonhando
por não ter a mínima chance com você
porque não tenho
a mínima chance
com você

Frank Sinatra, “I don’t stand a ghost of a chance with you”. do disco “No one cares”, 1959, terceiro da tetralogia da fossa (que começa com o “In the wee small hours”, segue com o “Where are you?”, com esse e termina com o “Frank Sinatra sings for only the lonely”). e música da noite.

natureza morta
acordar cedo é fácil. inverti a ordem das coisas e não fui trabalhar, preferindo dar uma longa volta de dez quilômetros no Parque da Cidade. amanhã eu vou de novo, sempre com o bloqueador solar. já estou um quilo mais magro, ou então foi a diferença dos horários em que me pesei.

Grateful Dead – “Dark star”. dica do Ryan Adams.